Diário de Leitura: Os Miseráveis (Victor Hugo) Semana 5

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“Quem sabe se Jean Valjean não estava nas vésperas de desistir e de recair no mal? Amou e voltou a ser forte.” (p. 616)

Livro 4

O Pardieiro Gorbeau

Jean Valejan vai viver em uma cidade isolada, como se fosse uma cidade fantasma mesmo. Assim, ele consegue esconder a sua identidade e proteger Cosette.

Lindos são os momentos sobre o amor paternal de Jean Valjean que, de alguma forma, foi salvo por Cosette; e Cosette por ele.

“É uma coisa ainda obscura e agradável a grande mudança que se opera em qualquer coração que comece a amar.” (p. 612)

Cosette pergunta a Jean Valjean, que agora ela o chama de pai, se ela precisa varrer a casa, buscar água ou realizar outras obrigações domésticas para ele. Jean Valjean diz que ela só precisa brincar.

Impossível não se emocionar neste momento também, pois a criança Cosette sofreu tanto, porém, por sua inocência infantil, não compreende o próprio sofrimento, o que pode parecer também uma dádiva.

“As crianças não sendo mais do que felicidade e alegria, aceitam facilmente e com familiaridade a alegria e a felicidade.” (p. 611)

No pouco período em que ele vive nessa pequena cidade, podemos melhor chama-la de um bairro parisiense decadente e longe da beleza da região central, Jean Valjean fica conhecido como o “mendigo que dá esmolas”. Pois, disfarçados com roupas simples e algumas perucas, ele esconde o seu rosto, mas quando vê um mendigo – de verdade – não consegue ficar isento à situação e acaba ajudando. Em seu casaco há dinheiro escondido o que, por fim, acaba colaborando para sua identidade ser descoberta por Javert. Sim. INACREDITÁVEL: Javert está perseguindo Jean Valjean DE NOVO.

“Jean Valjean começou a ensiná-la a ler. Por vezes, enquanto fazia a menina soletrar, pensava que fora com a ideia de fazer mal que havia aprendido a ler nas galés. Agora ensinava a ler a uma criança. Então o velho grilheta sorria com o sorriso pensativo dos anjos.” (p. 615)

Livro 5

Caça tenebrosa, matilha silenciosa

Assim que Jean Valjean percebe que está sendo seguido por Javert, mais uma vez, ele foge com Cosette, em um momento muito angustiante do livro porque o nosso querido protagonista não tem um plano de fuga, apenas foge, se esconde nos cantos escuros de Paris, vira uma rua ou outra por instinto até que chega num muro muito alto e sem saída, e achamos realmente que é o fim da paz de Cosette e Jean Valjean.

Livro 6

Petit-Picpus

Mas este grande muro faz parte de um convento, chamado de Petit-Pictus, que se transforma no refúgio de Cosette e o seu pai, porém a entrada dos dois no espaço é composta por uma sequência de acontecimentos de aventura, que mostram, mais uma vez, a capacidade maravilhosa que Victor Hugo tem de prender o leitor. Quando a “caçada” de Javert começa, o leitor só irá parar de ler quando por fim, Jean Valjean e Cosette estiverem a salvo.

Quem é o salvador dos dois? Um homem que Jean Valjean salvou no passado, quando ele era conhecido como Sr. Madeleine e que agora vive no convento como jardineiro e também coveiro. E esta segunda profissão desse bom homem é que faz ser possível a fuga, que parece definitiva e feliz, de Jean Valjean.

Livro 7 e 8

Parêntese e “Os cemitérios recebem o que lhes dão”

“Este livro é um drama cujo primeiro personagem é infinito.
O homem é o segundo” (p. 704)

Aqui acontece uma descrição detalhada do convento, sobre a sua estrutura, a sua história e também das mulheres que lá vivem. Muitas reflexões sobre o passado como um prisioneiro e a vida enclausurada de quem vive em um convento fazem parte dos pensamentos de Jean Valjean e também podemos acompanhar muitas afirmações importantes que até hoje fazem parte dos conflitos da civilização:

“Superstições, bigotismo, hipocrisia, preconceitos, larvas, pois não passam de larvas, são extremamente agarrados à vida, têm dentes e unhas em sua vaidade, e é preciso combatê-los corpo a corpo e fazer-lhes guerra sem trégua; porque uma das fatalidades da humanidade é ser condenada ao eterno combate de fantasmas. É difícil agarra a sombra pelo pescoço e destruí-la.” (p. 710)

“A grandeza da democracia está em nada negar e em nada renegar no que toca à humanidade. Bem perto dos direitos do Homem, ao menos ao lado, estão os direitos da alma” (p. 714)

“Esmagar o fanatismo e venerar o infinito, aí está a lei” (p. 714)

“O homem vive mais de afirmações que de pão” (p. 716)

“Vivemos em um tempo de confusão terrível. Ignora-se o que é preciso saber, sabe-se o que é preciso ignorar. A impiedade e a sordidez imperam.” (p. 743)

Para a paz no coração dos leitores, o livro da Cosette termina com:

“Todo o seu coração se abismava em reconhecimento e abrasava-se de amor.
Assim se passaram muitos anos. Cosette ia crescendo.”

Tudo indica que na próxima parte do livro, parte 3 – Marius, teremos um “descanso” de Jean Valejan e Cosette. Quando será que os dois irão retornar?

788 páginas lidas, um pouco atrasada, mais muito feliz com a leitura, muito feliz por conhecer Victor Hugo.

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Francine Ramos
Editora da Livro&Café desde 2011. É professora de Língua Portuguesa e tenta ser escritora (um conto seu foi publicado na coletânea Leia Mulheres, em 2019). Acredita que os livros podem mudar o mundo e ama Virginia Woolf.

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