O Caderno Rosa de Lori Lamby (Hilda Hilst)

O Caderno Rosa de Lori Lamby causa um espanto tão forte que ao mesmo tempo esmaga as concepções sobre prazer, sexo, pudores e imoralidades.

O Caderno Rosa de Lory Lamb
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Hilda Hilst pode ser considerada um dos maiores talentos literários do Brasil. Assim como ela mesmo afirmou, por escrever em língua portuguesa, a sua obra não conseguiu cruzar tantas fronteiras, então, sorte daquele que pode ler a escritora. A sua obra está traduzida em algumas línguas sim (inglês, italiano, francês), porém, sabemos que muita coisa que mora dentro do texto é intraduzível, então, pena deles que leem traduções de Hilda Hilst e um grande privilégio nosso poder ler essa escritora tão genial e autêntica.

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O Caderno Rosa de Lori Lamby causa um espanto tão forte que ao mesmo tempo esmaga as concepções sobre prazer, sexo, pudores e imoralidades. Cruza também o difícil tema da pedofilia e deixa qualquer leitor consciente desse problema, no mínimo, preocupado. Lori Lamby – esse nome tão sensual, é apenas uma criança que, a pedido dos pais, prostitui-se e relata essas histórias em seu caderno.

Um espanto

Quando Hilda Hilst lançou “O caderno rosa de Lory Lamb” até os seus amigos mais íntimos ficaram espantados. Lygia Fagundes Telles, amiga da autora disse que ficou “meio assustada, aturdida“. Entretanto, outros gostaram de ler, mas não tinham coragem de resenhar a obra para algum jornal.

É difícil analisar toda a obra que a própria Hilda Hilst considerou pornográfica de uma forma plausível. A sua obra está carregada de metalinguagens, metafísicas e “implicações hegelianas”. São termos que ela mesmo usou para – que dificuldade – não serem utilizadas para tentar compreender a temática de seus textos pornográficos.

A prosa-poética-pornográfica

O caminho, então, para conversar sobre a prosa-poética-pornográfica de Hilda Hilst pode ficar no espaço de seu próprio motivo para escrever. Hilda Hilst afirmou que gostaria de vender, gostaria de ser popular – para ser lida sempre – e que o caminho para a literatura erótica aconteceu por ela acreditar que, assim, seria lida por muitos. Porém, o estilo, tão original e único da autora, faz de seus textos algo tão original e de qualidade inquestionável, que impressiona muito pela técnica, além da coragem de enfrentar temas chocantes, o que a afasta-a de muitos leitores. A própria autora afirmou que possuía “um carimbo de coisa inacessível e severa.

Pornografia poética?

Mesmo inacessível, mesmo severa, Hilda Hilst é aquele tipo de artista que você pode confiar. Dentro do universo chocante e sensual de Lory Lamb, alguns leitores podem desistir do livro, porque o sexo na obra de Hilda Hilst não é tão rosa assim. Porém, para aqueles que enfrentarão o livro até o fim, será como um abraço, a sensação de alívio, mas misturada com o que há em cada um de mais íntimo em relação ao sexo. Por isso a pornografia de Hilda é poética e passa muito longe da vulgaridade de um filme pornô.

O caderno Rosa de Lory Lamb é um grande desafio para o leitor, pois a história é chocante, crítica e engenhosamente construída. O pai da personagem principal, um escritor falido, “leva” a filha para o mundo sexual, como forma de sobreviver. A história, sexual e chocante, pode ser também uma crítica ao mercado editorial, como fez a própria Hilda ao iniciar na literatura erótica com objetivo de se tornar uma escritora vendável.

Ela conseguiu?


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Francine Ramos

Editora da Livro&Café desde 2011. É professora de Língua Portuguesa e tenta ser escritora (um conto seu foi publicado na coletânea Leia Mulheres, em 2019). Acredita que os livros podem mudar o mundo e ama Virginia Woolf.

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