Coração, cabeça e estômago (Camilo Castelo Branco)

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Escrito no século XIX, Coração, Cabeça e Estômago é um dos mais de setenta livros publicados por Camilo Castelo Branco (1825 – 1890), romancista, cronista, crítico, dramaturgo, historiador, poeta e tradutor português. Na obra, que pertence ao movimento literário Romantismo, vamos conhecer a história de várias mulheres, pelo olhar de um personagem que já morreu, o Silvestre da Silva, mas pediu para um amigo organizar as suas anotações e, se fosse possível, transformar em livro. É o próprio livro que temos nas mãos…

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Organização da obra

Coração, cabeça e estômago está organizado em 3 partes, conforme o título do livro. Dentro dessas partes também temos uma subdivisão:

  • Primeira parte – Coração
    • Sete mulheres
    • A mulher que o mundo respeita
    • A mulher que o mundo despreza
  • Segunda parte – Cabeça
    • Jornalista
    • Páginas sérias da minha vida
  • Terceira parte – Estômago
    • De como me casei

Coração, cabeça e estômago: a hipocrisia da sociedade

É curioso imaginar que na literatura do século XIX podemos encontrar livros que mostrem a hipocrisia da sociedade patriarcal, mas é isso que vemos em Coração, cabeça e estômago, o que deixa qualquer leitor feliz, assim como eu. As mulheres, todas diferentes entre si, mas todas carregando um fardo – invisível, por ser mulher, estão representadas de uma maneira honesta e clara. Acredito que por isso o livro entrou para a lista de “leituras obrigatórias” (odeio esse termo!) de alguns vestibulares. Neste mundo moderno e lindo – estamos avançando, vamos acreditar! cada vez mais encontro pessoas dispostas a conversar sobre a luta das mulheres. E livros como esse acabam sendo importantes pois colocam a gente pra pensar na sociedade em que vivemos, no quanto avançamos, e no quanto ainda precisamos avançar.

Apesar do livro pertencer ao Romantismo, ele é uma sátira a própria escola a qual pertence. Ainda escrito no modelo tradicional da época – os folhetins, mas há uma diferença em relação à moral do personagem, pois a sua história é muito mais de fracasso que sucesso, o que torna o livro muito mais interessante para os dias de hoje, em que a literatura já deixou, há muito tempo graças à Deus, a construir personagens perfeitos, heróis e heroínas. Seria Silvestre da Silva um anti-herói?

Maturidade e desesperança

Há um sentido de maturidade no livro, mas também de desesperança. A parte do “coração” é quando Silvestre da Silva dedica sua vida ao amor, a amar, ser amado e também desprezado (é uma angustia que…ah!). Na segunda parte, “cabeça”, é quando o personagem desiste de buscar um grande amor e também se dedica à profissão. A terceira parte, “estômago”, é sobre essa maturidade então, mas que mistrua também a uma aceitação da vida simples, sem grandes sentimentos. Estômago faz realmente uma conexão com a comida. Sabe aquela “sabedoria” que diz: quando a pessoa casa, engorda? Pois é.

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Camila Martins

Fã de David Foster Wallace e Italo Calvino, perde horas assistindo séries na Netflix, gosta de sorvete de amendoim e ouvir The Strokes aos domingos de manhã. Colabora no Livro&Café desde janeiro/2017.

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