Hilda Hilst (1930-2004) será a homenageada na Flip 2018. A notícia é para deixar o mundo literário muito feliz e deixa, porque a escritora é uma das melhores coisas que aconteceu na curta história da Literatura Brasileira. Abaixo, listei 8 motivos para ler Hilda Hilst. É pouco, pois tudo que será falada, registrado, acordado e discordado sobre a autora não chega aos pés de sua personalidade. Confira:

1. Uma obra difícil

A obra de Hilda Hilst, por muito tempo, foi considerada inacessível, por ser muito difícil. Em uma ocasião, a autora citou os versos de uma poeta americana: “Leia-me, não me deixe morrer!” Isso já é um grande motivo para mergulhar em sua obra.

2. Uma escritora que não era lida

Quando Hilda Hilst publicou o seu primeiro livro de poemas, as pessoas achavam que aquilo não poderia ter sido escrito por uma mulher. Segundo a própria autora “era uma gozação”.

3. Uma mulher muito moderna

Lygia Fagundes Telles foi muito amiga da escritora e disse que Hilda escandalizava a cidade de São Paulo com o seu jeito, não apenas por fumar, ser desbocada e falar muitos palavrões, mas porque ela era uma mulher livre e agia ao contrário das mulheres belas-recatadas-do-lar de sua época.

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4. Amor, ódio e coragem!

Os críticos da época se dividiam entre aqueles que somente nos bastidores elogiavam a autora (Ex. Antonio Candido) e aqueles que registravam grandes elogios a Hilda, com críticas publicadas em jornais. Segundo Leo Gilson Ribeiro, Hilda Hilst possuía “a mais abissal e deslumbrante prosa poética do Brasil“. Quem tinha acesso às obras da autora sentia amor ou ódio, mas a coragem de falar da autora ainda era o maior desafio.

5. Uma autora consciente

Hilda Hilst tinha plena consciência das pedras em seu caminho. Entre tantas, a consciência que se fosse homem, seria lida.

6. E consciente também de sua qualidade

Hilda dominava a sua arte como poucos dominam. Dizem que quando era entrevistada, gostava de ler pequenos trechos de seus poemas e encerrava com “Não é lindo?” Sim, é lindo!

7. Uma lucidez grandiosa

Um dos motivos para ler Hilda Hilst está relacionado a uma entrevista em que a autora deu a seguinte declaração: “Depois de ter escrito tudo que eu escrevi, e eu sei que escrevi lindamente, que modifiquei a prosa narrativa, eu tenho plena consciência disso, não aconteceu nada. Fiz uma revolução na língua portuguesa, enfoquei os problemas mais importantes do homem, procurei fazer o possível para o outro se conhecer. Fiz um lindo trabalho, E não aconteceu absolutamente nada, eu não fui lida.”


8. Chutando o pau da barraca

Próxima de seus 60 anos, Hilda decidiu escrever literatura erótica. Assim, a autora informou ter encontrado uma certa leveza, mas os amigos dividiam opiniões, alguns achavam que ela estava produzindo um lixo; outros ficaram tão assustados e aturdidos que não sabiam o que dizer. Para Hilda, essa liberdade de escrever “bandalheiras” era também uma grande crítica ao mercado editorial, algo que pode ficar muito evidente no livro “O caderno Rosa de Lory Lamb”, uma das coisas mais chocantes já escritas.

Confira mais detalhes sobre Hilda Hilst no vídeo:

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Francine Ramos

Editora da Livro&Café desde 2011. É professora de Língua Portuguesa e tenta ser escritora (um conto seu foi publicado na coletânea Leia Mulheres, em 2019). Acredita que os livros podem mudar o mundo e ama Virginia Woolf.

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