O hobbit

A verdade mora nos detalhes

A verdade mora nos detalhes: tem gente que não gosta de longas narrações, dessas que detalham até uma simples formiga caminhando sobre uma folha presa numa grande árvore dentro de uma floresta enquanto o suposto personagem está sentado, tentando fazer fogo para aquecer a noite de inverno. Eu gosto muito, pois assim – quando o escritor é bom e sabe o que está fazendo – eu tenho uma visão panorâmica de toda a história – a verdade mora nos detalhes sim!

Em janeiro li “O Hobbit”, um livro de J.R.R. Tolkien, o cara que escreveu O Senhor dos Anéis. Neste livro ele conta as aventuras de Bilbo Bolseiro, o hobbit que presenteou Frodo com o maior presente de grego de todos os tempos: o Um Anel. Estou gostando muito da história e, principalmente, das narrações de Tolkien, leiam esse trecho e percebam a floresta, é linda:

Andavam em fila indiana. A entrada para a trilha era como uma espécie de arco que conduzia a um túnel sombrio e era formada por duas grandes árvores que se inclinavam uma em direção à outra, por demais antigas e por demais estranguladas pela hera e cobertas de liquens para poderem suportar mais do que algumas folhas enegrecidas. A própria trilha era estreita e serpenteava em meio aos troncos. Logo depois, a luz na entrada era apenas um pequeno buraco brilhando lá atrás e o silêncio era tão profundo que seus pés pareciam retumbar no chão, enquanto todas as árvores se debruçavam para escutar.
O Hobbit, J.R.R. Tolkien, tradução de Lenita M. R. Esteves, Martins Fontes, p. 137.

Portanto, o que sinto com a leitura de Tolkien é que, por mais que a história seja uma grande fantasia, eu acredito muito nela, pois essas narrações detalhadas e sem pressa trazem confiança.

Um exemplo: Francine Prose, no livro Para ler como um Escritor fala sobre isso, que os bons escritores “sabem que é o detalhe singular inestimável que salta da história e nos diz para relaxar.” Ou seja, relaxar no sentido de confiar, de se entregar à história. E você? Se entrega?

Leia mais sobre o autor:

Sobre histórias de fadas (J.R.R. Tolkien): fantasia e linguagem

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Francine Ramos
Editora da Livro&Café desde 2011. É professora de Língua Portuguesa e tenta ser escritora (um conto seu foi publicado na coletânea Leia Mulheres, em 2019). Acredita que os livros podem mudar o mundo e ama Virginia Woolf.
Artigos: 832

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6 comentários

  1. […] A Viagem, de Virginia Woolf e O Hobbit, de J. R.R. Tolkien. Brinquei de filosofia barata nos posts A Verdade Mora nos Detalhes e Prateleira de Fios. E fiz um compilado de cenas de filmes onde aparecem os personagens lendo […]

  2. Eu gosto de descrições detalhadas, acho que ajuda a transportar o leitor para a atmosfera do livro. Faz com que cada um ative a sua imaginação para desenhar na mente o local onde os personagens estão. Este trecho do Hobbit é um bom exemplo, a gente sente o clima da floresta, faz tudo parecer mais real. Para mim, conta pontos a favor da trama!

  3. Nesses pormenores, que nao deixa de ser uma forma de brincar com a linguagem, que o escritor mostra os seus recursos literários, a sua literacia.

    beijos!

  4. Eu também adoro livros minimalistas, que prestão atenção sem serem muito cansativos. Esse mês comprei a trilogia do Senhor dos Aneis( que vergonhosamente ainda não li) e o Hobbit. Estou ansiosa para iniciar a leitura e cheia de expectativas. Seu blog é lindo e já estou lhe seguindo.

    Beijos!

  5. Tb gosto de histórias que contam todos os detalhes. Esse livro parece bom, gosto do Senhor dos Anéis, vou colocar na lista rs

  6. Concordo plenamente. A riqueza de detalhes transforma qualquer narração em algo maravilhoso de se ler. Ainda mais em um livro que se exige muito da imaginação

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