O espelho e a máscara (Jorge Luis Borges): um conto sobre a própria literatura

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São muitas as teorias que envolvem o universo literário. Uma delas discorre sobre o efeito da obra para o público (para leitores singulares, mas também para todo o público). É por esse caminho que trago esta reflexão a respeito do conto O espelho e a máscara, de Jorge Luis Borges.

O conto faz parte da coletânea “O livro de areia”, publicado em 1975 e, com um estilo que lembra fábulas, vamos conhecer a história de um poeta que teve a responsabilidade de escrever um poema sobre as batalhas e as vitórias de um rei.

O poeta, por três vezes, leva a sua versão do poema para o rei e também para os seus súditos. Cada qual, à sua maneira, expõe alguma emoção ou crítica em relação ao trabalho do poeta. O próprio rei dá a palavra final, tecendo grandes elogios ao poeta. Mas, como se quisessem atingir uma certa perfeição, esse poema é reescrito e de novo acontece todo esse processo da recepção.

Na última vez, o poeta se sente constrangido porque acabou encurtando demais o poema que, antes, era composto de muitas estrofes que abarcavam toda a vida do rei e suas vitórias. Na segunda versão, ele encurtou certas partes, mas manteve a característica esperada pelo rei e todo o público presente. Então, essa última, é composta de uma perfeição impossível de ser explicada, mas que provoca grandes transformações no poeta e no rei.

Importante destacar que, para cada versão do poema, o poeta ganhava um presente do rei (um espelho e uma máscara), que realmente demonstrava satisfação ao conhecer a arte; porém, o último presente acaba revelando algo muito mais profundo que qualquer leitor pode imaginar.

O primeiro presente é um espelho que pode representar a arte perfeita em técnica. O segundo presente é a máscara que pode representar a arte feita para agradar um público. O terceiro presente – que chega quando o artista atinge a sua própria epifania é uma adaga. E o seu desmembramento deixa qualquer leitor admirado e incrédulo.

É a arte que dá vida e tira também. É a arte que cria, transforma e renasce em qualquer canto espaço ou época.

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Francine Ramos
Editora da Livro&Café desde 2011. É professora de Língua Portuguesa e tenta ser escritora (um conto seu foi publicado na coletânea Leia Mulheres, em 2019). Acredita que os livros podem mudar o mundo e ama Virginia Woolf.

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