Minhas leituras favoritas em 2018, por Vanessa Pessoa

Como boa doida das listas, desde 2013 – quando senti necessidade de organizar minhas leituras e passei a anotar livros lidos e etc em um caderno específico – elenco os 10 melhores livros do ano. Hoje eu compartilho essa lista com vocês. Estão aqui os que me tocaram de alguma forma, que me tiraram da zona de conforto, que me fizeram rir, chorar ou surtar (o que acontece com certa frequência), os que me ajudaram a superar momentos difíceis e os que fizeram de 2018 um ano um tiquinho melhor. Como sou totalmente incapaz de numerá-los por preferência, o critério usado é a simples, porém eficiente, ordem de leitura.

 

A casa dos espíritos, de Isabel Allende
Primeiro livro de Isabel Allende, e também meu primeiro contato com a sua escrita, A casa dos espíritos segue a história da família Trueba, passando por questões como a morte e o místico, assim como a pobreza e a ditadura. Foi o livro do primeiro encontro do Leia Mulheres Sorocaba neste ano. Para saber mais, leia a resenha. + Compre na Amazon

 

 

 

 

A paixão da nova Eva, de Angela Carter
Também um primeiro contato com a escrita de Angela Carter. Um dos livros mais doidos que eu já li, A paixão da nova Eva é uma ficção que envolve uma guerra civil, transexualidade e machismo. Para saber mais, leia a resenha. + Compre na Estante Virtual

 

 

As alegrias da maternidade, de Buchi Emecheta
Indicação da Chimamanda Ngozi Adichie para a TAG de outubro de 2017, recém-publicado pela editora Dublinense e com um título bem irônico, o livro retrata os mais diferentes costumes de um país que pouco conhecemos. Buchi Emecheta nos guia pela vida da nigeriana Nnu Ego, que desde muito cedo precisa lidar com o ser mulher em uma sociedade patriarcal, com o ser mãe e esposa, com o existir para gerar, cuidar e servir a um outro. + Compre na Amazon

 

 

Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa
Um clássico, que dispensa introduções e, como estudante de Letras, uma travessia pela qual eu teria que passar em algum momento. Esse é um daqueles livros que surpreende por mais que você já saiba da história e já tenha lido em milhões de lugares sobre o quanto é incrível. Só sinto por ter precisado ler com um cronograma apertado (foi para uma aula, então tive um prazo razoavelmente curto) e já sinto vontade de reler, agora no meu tempo, em algum momento. Para saber mais, leia a resenha. + Compre na Amazon

 

 

A assombração da casa da Colina, de Shirley Jackson
Outro primeiro contato, mas agora com a escrita da Shirley Jackson. Esse foi um daqueles livros que eu só larguei quando cheguei na última página. Tive medo, formulei 1001 teorias, sonhei e senti todas as sensações e barulhos que ela descrevia e fiz questão de pesquisar mais sobre ela e comprar outro livro da autora, Sempre vivemos no castelo. Escrevi sobre ele nesse post+ Compre na Amazon

 

 

A origem do mundo, de Liv Strömquist
Essa não seria uma lista minha se não aparecesse algum quadrinho. Tive a oportunidade de ministrar um curso sobre mulheres quadrinistas em novembro e li muita coisa incrível por conta disso, também conheci muita gente legal durante a Bienal de Quadrinhos de Curitiba, mas, dentre as dezenas lidas ao longo do ano, não tenho nenhuma dúvida que que esse foi o quadrinho que mais falei e recomendei. A origem do mundo é bem diferente de tudo o que eu já li do gênero; quase que um manifesto, ele funciona com uma “aulona” incrível sobre a mulher, seu corpo e como a ciência e a sociedade vem lidando com isso ao longo do tempo. Para saber mais, leia a resenha que fiz. + Compre na Amazon

 

 

O peso do pássaro morto, de Aline Bei
Outro primeiro contato, mas agora com uma autora estreante, brasileira e super contemporânea. O peso do pássaro morto é pura poesia, puro sentimento. Nesse livro extremamente bem escrito, seguimos a vida e as perdas de uma personagem sem nome, lemos sua evolução, choramos por suas dores e descobrimos a beleza que existe mesmo nas frases mais dolorosas. Minhas palavras não dão conta, ele é incrível de maneiras que eu não consigo expressar, mas, ainda assim, falei um pouco mais sobre neste post. + Compre na Amazon

 

 

Todo mundo merece morrer, de Clarissa Wolff
Também livro de estréia e também escrito por uma autora brasileira contemporânea, Todo mundo merece morrer é o melhor romance polifônico que eu já li. Clarissa Wolff nos guia pela mente e pela vida de treze pessoas que, por mero acaso, dividiam o mesmo vagão do metrô no momento em que uma tentativa de assassinato em massa acontece. Descobrindo quem são, como vivem, o que fazem e de que se arrependem, repensamos também nossos próprios julgamentos e como lidar (ou não) com o que há de mais podre em nossa sociedade. Falei um pouco mais sobre ele neste post. + Compre na Amazon

 

 

Reino dos bichos e dos animais é o meu nome, de Stela do Patrocínio
Uma das professoras de um curso de Crítica Literária Feminista, do qual participei ao longo do segundo semestre, terminou uma das aulas declamando os poemas da Stela do Patrocínio; saí da sala com o coração apertado, com lágrimas nos olhos e com uma vontade imensa de conhecer essa mulher que escreve de forma tão poderosa. Stela viveu grande parte de sua vida trancada em um hospício, as coisas que escreveu (por falta de material ou por gosto, em papelões) se perderam pelo tempo e pelo descaso e tudo o que temos dela foi recolhido através de gravações e organizado por Viviane Mosé neste livro que é belíssimo e, infelizmente, está super esgotado. Stela escreve sobre ter sido adoecida, sobre os tratamentos violentos a que foi sujeitada, escreve sobre a sociedade, sobre família e sobre o existir; ela escreve com uma lucidez absurda que só me parece possível a quem consegue se analisar e ser seu próprio observador. É possível encontrar o livro em bibliotecas ou mesmo em PDF, mas, além disso, podemos conhecer os poemas pela voz da própria autora no curta Stela do Patrocínio: a mulher que falava coisas.

 

 

A amiga genial, de Elena Ferrante
Coloco o primeiro livro para representar a série toda que, mesmo ainda não finalizada (estou há 30 páginas do final de História de quem foge e de quem fica e devo terminar o quarto volume até o Natal), já é umas das minhas preferidas da vida. Tive meu primeiro contato com a escrita de Elena Ferrante em 2016 com A amiga genial e logo de cara percebi que essa seria uma escritora que me tocaria de uma maneira muito profunda. Apesar de não ter dado continuidade à série na época, fiz questão de ler pelo menos um livro dela por ano e, depois de terminados todos os outros, decidi que estava na hora de voltar à história de Lila e Lenu. Reli o primeiro volume no começo deste mês e, por mais que eu tente, por mais que tenha crises em algumas passagens que me tocam profundamente, não consegui parar até agora e sigo para as festividades pensando em Nápoles e odiando Nino Sarratore. + Compre na Amazon

 

2018 foi/é o melhor ano de leituras de toda a minha vida. Usei os livros como forma de fugir dos meus problemas e, como resultado disso, nunca li em tanta quantidade e com tanta qualidade. Exatamente por isso, não me parecia justo terminar essa lista sem citar outros livros igualmente incríveis e que, por motivos que até eu desconheço, ficaram de fora do meu top 10. São eles (novamente em ordem de leitura): a HQ Aqui, do Richard MCguire; o livro de contos O sol na cabeça, do Geovani Martins  (escrevi sobre ele aqui); o infanto-juvenil Luna Clara e Apolo Onze, da Adriana Falcão; as releituras de Todos os contos e de A paixão segundo GH, da Clarice Lispector; As intermitências da morte, do Saramago; a HQ Légume e o tempo, do Michel Ramalho (falei um pouquinho sobre ele neste post); o fofíssimo Um milhão de finais felizes, do Vitor Martins; e as HQs This one summer, das primas Mariko e Jilian Tamaki, e Hoje é o último dia do resto da sua vida, da Ulli Lust.





Vanessa Pessoa

Vanessa é uma feminista introvertida, estuda letras na UFPR e coleciona uma porção de figos maduros que apodreceram aos seus pés. Gosta de livros riscados, lombadas quebradas, café sem açúcar e não sabe muito bem como escrever sobre ela mesma.

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