Minhas melhores leituras de um ano difícil

Falar das minhas melhores leituras sempre foi um prazer, por outro lado, em alguns momentos, me peguei em uma responsabilidade de compartilhar leituras incríveis mesmo não as considerando tão incríveis assim. Este post também possui um pouco de confissão.

A Livro & Café, que existe desde 2011, me ensinou muito sobre compartilhamento e generosidade. E, o mais bonito, foi ver a generosidade vinda aí do outro lado. Quando compartilhei nas redes sociais, que ler estava difícil, recebi carinho e compreensão, o que me faz ter certeza que o caminho dos livros é cheio de amor e solidariedade, em diversos aspectos.

Politicamente, também tivemos um ano ruim. Considero o novo presidente do Brasil uma figura tão boçal e violenta que vai levar o Brasil para muitas camadas abaixo de nosso fundo do poço. Estamos todos dentro dele.

Então, como viver o universo dos livros sem sentir tudo o que acontece em nossa volta? Eu falo da vida pessoal de cada um, da vida social e da vida política. No período da eleição, quando declarei abertamente apoio à candidatura de Fernando Haddad, não só nas minhas redes pessoas, mas também na página da Livro & Café, recebi elogios pelo meu posicionamento, mas também muitos bombardeios. Ser chamada de petralha, feminazi, comunista, burra e etc são coisas que – vindo de onde vem – me dão orgulho. Então, segui no meu caminho com mais certeza ainda de minhas escolhas e posicionamentos.

E o que ficou nisto tudo é essa pergunta: o quanto conseguimos separar vida e política, arte e política, entretenimento e política, leitura e política, escrever e política? É impossível pensar nessa separação uma vez que sempre estamos recebendo influências de todas as esferas, que mudam e moldam nossos comportamentos nas outras esferas. Para mim, literatura é sobre a vida e a vida é política. Para mim, ler é um ato de estudo, entretenimento, conexão com a arte e também político. Estamos todos conectados, de alguma forma, com os moldes mais tecnológicos aos mais tradicionais.

Neste ano, inclusive, descobri que meu avô – que eu não conheci – era considerado comunista porque ele andava com um livro vermelho debaixo do braço. Durante as eleições constatei que os homens de minha família iriam votar no Bolsonaro; as mulheres, no Haddad. E essas pequenas percepções me fizeram perceber mais sobre tudo que há em meu caminho. Eu sou do caminho dos livros e, por meio deles, eu acesso todos os caminhos, como a arte, as relações sociais e pessoais, a própria vida e a política.

Pois veja, este seria um post sobre minhas melhores leituras. Este texto não foi intencional, mas posso dizer que as ideias que coloquei aqui estão me acompanhando durante este difícil ano.

Assim, deixo aqui uma pequena lista das coisas que li e me transformaram um pouquinho.

Romances: 

Contos:

  • O livro de areia (Jorge Luis Borges). Resenha aqui
  • Contos de Virginia Woolf (releitura de alguns contos com o poder de sempre me transformar, apesar de já serem conhecidos)

Não ficção:

Em 2019, quem acompanha o site pode esperar por mais posicionamentos em todas as esferas, mais arte (música, cinema, artes plásticas etc), mais divulgação de tudo que nos coloca para cima e nos maravilhosos caminhos da arte, da vida e da política.

Grandes mudanças virão.

Até lá.

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Francine Ramos

Faz da Livro&Café parte essencial de sua vida desde 2011. É professora de Língua Portuguesa, adora ler, escrever (um dia vai publicar um livro) e trabalhar com mediação de leitura. Acredita que os livros podem mudar o mundo e ama Virginia Woolf.

2 Comentários
  1. A Literatura é o próprio mundo e a própria sociedade. Não há como separar uma coisa da outra e, muito menos, separar a vida social da vida política. Tenho muito carinho por pessoas como você: dos livros, da reflexão, do posicionamento diante do mundo. Seguimos juntas!

    1. Eu não sei nem como agradecer! Mas tenho certeza que a vida (política, artística, profissional) coloca perto da gente pessoas incríveis! Muito bom poder caminhar ao seu lado! Vamos com tudo, sempre! <3

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