Talvez a arte seja o que você vê nos olhos dos outros

Ver a vida com uma pincelada de arte não é simples, no meu caso. Mas acredito que estou me permitindo ver o cotidiano de forma diferente. É como escreveu Virginia Woolf, a vida é o que você vê nos olhos dos outros“. Tomei a liberdade e mudei um pouco a frase, pois talvez a arte seja o que você vê nos olhos dos outros.

Então, mesmo não me posicionando como uma artista, apesar de querer muito escrever um livro, o meu cotidiano possui afazeres que me distanciam do olhar mais cuidadoso para a vida que, ao meu ver, pode estar cheia de arte. Porém, há outros momentos do dia, que se eu estiver atenta, a arte chega como um leve sopro e eu tento ao máximo capturar esse cheiro da vida que transcende.


Se estou bem, posso me recorrer à arte para demonstrar minha alegria, mas, geralmente, nos momentos de grandes explosões, só consigo realizar a tarefa de estar feliz e mais nada (mo máximo uma música para dançar). Então, vivencio constantemente o clichê de acessar a arte nos dias mais difíceis e me sinto como se atravessasse um espaço que não me pertence e não domino totalmente, mas me conforta em estar ali.

Se posso adicionar uma leve pincelada de poesia em um texto mais técnico, adiciono. Se posso ler um poema com meus amigos nos dias mais sombrios, leio também. Se posso comentar de um filme sobre arte, comento. E, principalmente, se posso ouvir, ler, apreciar a arte, faço tudo isso.

E como profissional, a arte também pode chegar por lugares inesperados. Como professora, eu tenho a oportunidade de fazer da arte um instrumento essencial para o ensino da Literatura e da Língua Portuguesa. E poder, entre tantas obrigações que a profissão exige, usar a arte é um caminho delicioso.

Mas então, eu me peguei pensando que a arte – neste sentido de estar nos olhos dos outros, pode ser praticada quando é possível olhar para o outro com empatia e o coração aberto. Se pratico a tarefa de ver como outra pessoa vê, eu posso adicionar os meus sopros poéticos nesses momentos e, acredito, desta forma, que a arte também acontece no cotidiano.

Não é só olhar as gotículas de chuva na janela ou reparar no lindo ipê amarelo que nasceu na rua de sua casa. É muito mais o convite olhando nos olhos para que as pessoas vejam como você vê e, claro, também aceitar convites olhando nos olhos para ver na perspectiva do lado de lá.

Sim, também a arte é o que você vê nos olhos dos outros.





Saraiva

Francine Ramos

Faz da Livro&Café parte essencial de sua vida desde 2011. É professora de Língua Portuguesa, adora ler, escrever (um dia vai publicar um livro) e trabalhar com mediação de leitura. Acredita que os livros podem mudar o mundo e ama Virginia Woolf.

2 Comentários
  1. Lindo texto, Fran!

    PS: se posso falar a respeito, adorei a ideia de o blog ser uma revista digital, mas o layout ficou poluído. Especialmente lá no começo, com a imagem da Frida. Não só ela é em baixa qualidade como deixa o cabeçalho do blog bem confuso. Talvez uma padronagem em alta resolução ficasse melhor? Digo isso do ponto de vista de um desléxico há 42 anos… rs Ficou bem difícil de ler.

    1. Boa tarde, Severino! Ficamos muito felizes por você ter gostado das mudanças!
      Quanto ao layout, nós estamos implementando novas funcionalidades, logo, logo as imagens ficarão melhores para você!
      Abraços!

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