5 motivos para conhecer William Burroughs

William S. Burroughs foi um dos personagens mais interessantes da chamada Geração Beat, que tinha, entre outros principais nomes, Jack Kerouac e Allen Ginsberg. Nasceu em 1914, em St. Louis, Estados Unidos. Na década de 1940, mudou-se para Nova York, onde iniciaria sua carreira literária e faria amizade com outros escritores beat, se transformando em um dos mentores do movimento literário, que, justamente por ser um dos mais velhos, acabou por se tornar referência aos demais. Em “On the Road”, obra mais famosa de sua geração, aparece com o heterônimo “Old Bull Lee” em uma das viagens de Neal Cassady ao México. Hoje, quero listar cinco motivos para você querer conhecer um pouco mais sobre sua vida e obra.

 

1. O pai

Muito embora Jack Kerouac seja considerado (mesmo refutando o título) o pai da Geração Beat, isso, na prática, deve ser atribuído a William Burroughs. Por ser o mais velho, já ter um vasto conhecimento e experiência em todos os tipos de drogas, tudo o que ele ditava virava sagrado para Ginsberg, Kerouac e cia. Inclusive, foi com Burroughs que Kerouac escreveu um de seus primeiros livros “E os hipopótamos foram cozidos em seus tanques”, que a princípio foi rejeitado pelas editoras.


2. Cut Ups

Para a criação de algumas de suas obras, incluindo uma de suas principais; “Almoço Nú”, Burroughs utilizou a chamada cut-up (também conhecida como de “método de corte” ou “técnica de corte” ou até découpé em francês). É uma técnica literária dependente de caso ou gênero, no qual o texto é aleatoriamente recortado e misturado para criar um novo produto.

3. Shotgun Painting

Além de escrever, ao fim da vida se envolveu com a pintura. Para isso, desenvolveu um método que chamava de “Shotgun Painting”, que consistia em posicionar latas de tinta em frente a telas e atirar nas latas com a sua espingarda. Os respingos criavam efeitos nos quadros que, em sua primeira exposição em 1989, acabaram sendo todos vendidos. Burroughs faturou $3.000,00 por pintura.

 

4. Música

Sua influência sobre roqueiros, não apenas para a Patti Smith, também é muito conhecida. Ele aparece na capa do álbum Sgt. Pepper’s, dos Beatles, e gravou com Laurie Anderson, Kurt Cobain, The Disponsable Heroes of Hiphoprisy, Bill Laswell e Tom Waits. As bandas Stelly Dan e The Soft Machine pegaram os nomes emprestados de seus escritos. Debby Harry e Lou Reed foram entrevistados por ele.

Kurt Cobain, vocalista do Nirvana, e seu ídolo, William Burroughs.

5. Vírus

Segundo Burroughs, “A linguagem é um vírus”, e este foi um dos motivos que o levaram a utilizar o método do cut-up. Para ele, essa técnica buscava enganar o vírus da linguagem. Segundo o junkie, se não desprogramarmos o vírus, somos mais facilmente levados a agir contra a nossa vontade, pois existem palavras que ativam comandos subconscientes – é em cima disso que trabalha a publicidade/marketing, descobrindo essas palavras poderosas. Coisas de “Old Bull Lee”.

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Ronie John

Ronie John vive em Sorocaba, é graduado em Letras Português/Inglês e atualmente leciona para o ensino fundamental. Tão apaixonado por café quanto por livros, já pensou em criar seu próprio blog “Livro & Cerveja”, mas desistiu após dormir durante as leituras em seus primeiros testes. Apreciador de biografias e obras que remetam aos “beats” e ao “rock and roll”, costuma escrever resenhas mais informais; algo como uma boa conversa sobre um bom livro.

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