O pequeno príncipe (Antoine de Saint-Exupéry): também é uma crítica à linguagem ruim dos adultos

“As pessoas grandes são muito esquisitas, pensava,
durante a viagem, o principezinho.”

Conhecido como um dos livros mais vendidos, admirados e conhecidos em diversos cantos do mundo, O Pequeno Príncipe, escrito em 1943, ainda agrada crianças jovens e adultos. O escritor, ilustrador e aviador Antoine de Saint-Exupéry (1900 – 1944) é o responsável pela obra que conta a história de uma criança, o pequeno príncipe, que veio de outro planeta e quer muito conhecer outras pessoas e fazer amizades.

Cheio de frases de impacto e ensinamentos sobre o que realmente importa na vida, o pequeno príncipe, em diversos momentos da história, comenta sobre a dificuldade dos adultos em compreender o mundo. A partir do olhar de uma criança – que vê simplicidade e beleza no mundo, paira na história uma contínua constatação sobre a falta de compreensão que os adultos têm de si mesmos e do mundo.

Os diversos personagens que aparecem na história podem ser vistos como alegorias para uma crítica social e política muito importante e ainda atual. O homem de negócios, por exemplo, que conta estrelas e considera-se dono delas é a própria engrenagem do capitalismo. O acendedor de lampiões é o trabalhador, que cumpre sua função sem mais saber se ela é importante e o satisfaz. Ainda temos a figura do bêbado, que representa a tristeza, a melancolia e a solidão. Assim, os outros personagens também se caracterizam como elementos da vida comum, o que deixa a obra muito mais rica, assim como a mensagem sobre amizade e amor tão famosa pela frase “você é responsável por aquilo que cativa“. E cativar, também é conseguir usar a linguagem para acessar o outro.

“Nem todo mundo tem amigo. E eu corro o risco de ficar como as pessoas grandes, que só se interessam por números.”

O Pequeno Príncipe, podemos afirmar, é então uma crítica à linguagem ruim dos adultos, pois é por meio das palavras que também podemos nos perder. Os personagens – encontrados cada um em seu planeta, possuem uma grande dificuldade de interpretar o pequeno mundo em que vivem e, principalmente, de se comunicarem. O pensamento crítico fica distante e apenas o pequeno príncipe, munido de sua sabedoria infantil, consegue olhar para os outros planetas para buscar realmente algo maior que ter ou poder.

É interessante também observar que o narrador-personagem, o piloto, um homem adulto, revive e conta sua história sobre como conheceu o pequeno príncipe de um ponto de vista maduro, de quem conseguiu se comunicar e acessar o outro através da linguagem, através da delicadeza de observar e de se deixar envolver pelas nuances e entrelinhas da vida, que podem transformar donos de estrelas em admiradores de estrelas. Esse é o caminho.

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Francine Ramos

Faz da Livro&Café parte essencial de sua vida desde 2011. É professora de Língua Portuguesa, adora ler, escrever (um dia vai publicar um livro) e trabalhar com mediação de leitura. Acredita que os livros podem mudar o mundo e ama Virginia Woolf.

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