mulheres e feminismo

Lista de documentários sobre mulheres e feminismo

O cinema, ou melhor, a indústria cinematográfica ainda perpetua as desigualdades de gênero e abusos contra as mulheres, como os casos que vieram à tona com o movimento #metoo.

Mas o cinema também é uma poderosa ferramenta de transformação social e é inegável que nos últimos anos diversas obras foram produzidas visando à visibilidade de mulheres e ao debate de pautas feministas.

A seleção abaixo foca em alguns documentários que podem nos ensinar e fomentar a reflexão sobre as mulheres e os movimentos em busca de respeito e igualdade. Essa lista, claro, não é final e eu ficarei muito feliz se vocês puderem indicar mais e mais títulos!

 

Absorvendo o tabu (2018)

Em uma aldeia rural nos arredores de Delhi, na Índia, as mulheres lideram uma revolução silenciosa. Elas lutam contra o estigma profundamente enraizado da menstruação. Por gerações essas mulheres não tiveram acesso a absorventes, o que levou a problemas de saúde e a meninas desaparecidas ou abandonadas por completo. Mas quando uma máquina de absorvente é instalada na aldeia, as mulheres aprendem a fabricar e comercializar suas próprias almofadas, capacitando as mulheres de sua comunidade. Eles nomeiam a marca “FLY” porque querem que as mulheres “subam”. Seu voo é, em parte, possibilitado pelo trabalho de garotas do ensino médio a meio mundo de distância, na Califórnia, que arrecadou o dinheiro inicial para a máquina e começou uma organização sem fins lucrativos chamada “The Pad Project”. Ganhador do Oscar 2019 de Melhor Curta-Metragem, o documentário indiano foi dirigido por Rayka Zehtabchi.
Disponível na Netflix

 

Que bom te ver viva (1989)

Murat, que foi torturada no período da ditadura militar, narra a vida de algumas mulheres brasileiras que pegaram em armas contra o regime militar. Há uma série de depoimentos de guerrilheiras e cenas do cotidiano dessas mulheres que recuperaram, cada uma à sua própria maneira, os vários sentidos de viver. Documentário brasileiro dirigido por Lúcia Murat.
Disponível no YouTube

 

Elena (2015)

Elena viaja para Nova York com o mesmo sonho da mãe: ser atriz de cinema. Deixa para trás uma infância passada na clandestinidade dos anos de ditadura militar e deixa Petra, a irmã de 7 anos. Duas décadas mais tarde, Petra também se torna atriz e embarca para Nova York em busca de Elena. Tem apenas pistas: filmes caseiros, recortes de jornal, diários e cartas. A todo momento Petra espera encontrar Elena caminhando pelas ruas com uma blusa de seda. Pega o trem que Elena pegou, bate na porta de seus amigos, percorre seus caminhos e acaba descobrindo Elena em um lugar inesperado. Aos poucos, os traços das duas irmãs se confundem, já não se sabe quem é uma, quem é a outra. A mãe pressente. Petra decifra. Agora que finalmente encontrou Elena, Petra precisa deixá-la partir. Dirigido por Petra Costa.
Disponível no YouTube

CONHEÇA 25 Livros Essenciais sobre Feminismo

O Renascimento do Parto (2010)

O filme retrata a grave realidade obstétrica mundial e, sobretudo, brasileira, que se caracteriza por um número alarmante de cesarianas ou de partos com intervenções traumáticas e desnecessárias. Com direção de Eduardo Chauvet, o documentário faz parte de uma série de filmes, sendo que as partes 2 e 3 já foram lançadas. 
Disponível na Netflix

 

Hot Girls Wanted (2015)

Com direção de Jill Bauer e Ronna Gradus, este documentário estadunidense traz um relato sobre as realidades por dentro do mundo da indústria pornô amadora e o constante fluxo de garotas de 18 e 19 anos de idade entrando no meio.
Disponível na Netflix


 

Women Art Revolution (2010)

Dirigido por Lynn Hershman Leeson, o filme explora a “história secreta” do movimento de arte feminista dos Estados Unidos nos anos 70 e 80, através de conversas, observações, documentação e obras de artistas visionárias, historiadoras, curadoras e críticas de arte. É uma ótima introdução à arte feminista e aborda problemáticas relevantes até os presentes dias.
Disponível online

 

Mulheres de Barro (2014)

Em meio aos relatos de suas histórias de amor, 12 mulheres paneleiras e congueiras de Goiabeiras Velhas (ES) confeccionam panelas de barro com a mesma força e destreza com que a vida moldou seus destinos e afetos. O documentário “Mulheres de Barro”, de Edileuza Penha de Souza, mostra como o ofício deu sentido a essas vidas sofridas, garantindo uma velhice tranquila e sobretudo prazer. 
Disponível no YouTube

 

Quem matou Eloá (2016)

Em 2008, Lindemberg Alves de 22 anos invadiu o apartamento da ex-namorada Eloá Pimentel de 15 anos, armado, mantendo-a refém por cinco dias. O crime foi amplamente transmitido pelos canais de TV. “Quem matou Eloá?” traz uma análise crítica sobre a espetacularização da violência e a abordagem da mídia televisiva nos casos de violência contra a mulher, revelando um dos motivos pelo qual o Brasil é o quinto no ranking de países que mais matam mulheres. Dirigido por Lívia Perez.
Disponível no YouTube

 

She’s beautiful when she’s angry (2014)

Dirigido por Mary Dore, este documentário é uma reconstrução da onda feminista que invadiu as praças e universidades dos anos 1970. Fotos, vídeos e entrevistas de época são intercalados com depoimentos das líderes dos coletivos da época nos dias atuais. Elas analisam a situação, fazem autocríticas, cientes da diferença de contexto social entre o presente e o passado, e contam bastidores de ações famosas. Vale ressaltar que, em determinado ponto da história, elas pontuam a necessidade da separação das pautas das mulheres brancas e negras. É inspirador – e há muito material de arquivo.
Disponível na Netflix

What happened Miss Simone (2015)

A diretora Liz Garbus conseguiu arrancar todas as lágrimas existentes em um ser humano ao fazer este documentário tão sensível e denso. A história por trás de uma das maiores musicistas da indústria é indigesta, mas a direção, as entrevistas de apoio e os materiais de arquivo transformam a diva em um ser humano, que fez escolhas erradas, letras certíssimas e um relacionamento afetivo extremamente problemático. Além de falar sobre Nina Simone como ser humano, o documentário crítica o universo musical, misógino desde sempre – principalmente quando o sucesso encontra uma mulher negra e pobre.
Disponível na Netflix

Nanette (2018)

Hannah Gadsby deu um soco no estômago de todo mundo em junho deste ano com a gravação do ato Nanette, de comédia stand-up que faz ao redor do mundo. Lésbica e ativista feminista, ela começa relacionando o comportamento machista da sociedade com os grandes artistas da história. Ao longo de sua ácida análise, ela começa a contar a sua própria trajetória, seus anseios, suas indignações sociais, jogando várias verdades na cara da plateia que a assiste, assim como o espectador. É impossível não chorar, não se questionar e não tentar mudar o mundo, mesmo que seja na sua microesfera.
Disponível na Netflix

Explained (2018)

A série documental criada pela Vox Media possui dois episódios ótimos sobre a mulher: Por que existe diferença salarial entre gêneros? e Orgasmo feminino. O primeiro, narrado por Rachel McAdams, tem entrevistas com mulheres de peso, como Hilary Clinton, e explica contextualizando historicamente a disparidade entre homens e mulheres na sociedade e como isso influencia também no mercado de trabalho – os resultados são assustadores; para as mulheres que decidem ser mães, é pior ainda. O segundo, por sua vez, é mais prazeroso de assistir, porque faz um passeio pela “enigmática” do orgasmo feminino, um grande tabu na discussão social – tudo pela perspectiva feminina, porque basta de homens falando sobre a libertação sexual da mulher.
Disponível na Netflix

 

Feminists: what were they thinking (2018)

Um livro de fotografias de Cynthia MacAdams, com retratos do despertar do movimento feminista dos anos 1970 e 1980, pauta o decorrer deste documentário de Johanna Demetrakas. Com uma equipe quase 100% feminina, a diretora entrevista essas personagens nos dias de hoje, a fim de investigar a necessidade da luta contínua por direitos igualitários na sociedade. Entre as participantes, Gloria Steinem, Jane Fonda e Michelle Phillips.
Disponível na Netflix

 

Libertem Angela Davis (2012)

Angela Davis é um dos maiores nomes quando o assunto é a defesa dos direitos humanos, mas, nos anos 1970, ao se aliar ao movimento feminista negro e as lutas para igualdade racial nos Estados Unidos, se tornou uma mulher caçada pelo FBI. A professora universitária, autora dos livros Mulheres, raça e classeMulheres, cultura e política, entre outros, se tornou um dos maiores símbolos do movimento negro norte-americano – e é ela quem revisita esses momentos, com diversas imagens de arquivo. A diretora Shola Lynch aposta em um formato bem didático e jornalístico, que auxilia na compreensão da importância desse e outros movimentos sociais.
Disponível no Vimeo

The punk singer (2013)

Kathleen Hanna foi vocalista da banda punk Bikini Kill e Le Tigre, e uma das ativistas feministas mais importantes dos anos 1990, dentro do movimento riot grrrl. O documentário, dirigido por Sini Anderson, não foca apenas nas questões feministas, mas mostra o quanto isso era inerente ao ser artístico de Kathleen.
Disponível no YouTube

 

Simone de Beauvoir e o feminismo (2016)

mulheres e feminismoAutora de O segundo sexo e de icônicas frases sobre a luta pela igualdade de gênero, Simone de Beauvoir ganhou, em 2016, um box reunindo três documentários sobre a sua vida e obra – claro, sempre relacionando com o feminismo. Uma Mulher Atual, de Dominique Gros, Simone de Beauvoir Fala, de Wilfrid Lemoine, e Por Que Sou Feminista? são os filmes disponíveis que falam, respectivamente, sobre a versatilidade artística de Simone; a sua entrevista à Rádio Canadá, censurada pela igreja; e outra entrevista dela ao jornalista Jean-Louis Servan-Schreiber.

Resposta das mulheres (1975)

Agnès Varda, por si só, já foi um grande exemplo de “mulheres no cinema”. A única no alto escalão da nouvelle vague no cinema francês, ela trouxe não só uma nova narrativa que rompia com a indústria cinematográfica de Hollywood, como imprimiu o olhar feminino extremamente politizado sobre o cotidiano francês. Em 1975, ela gravou a pedido do canal Antenne 2 este curta-metragem documental respondendo à pauta “O que é ser mulher?”. O manifesto em formato de filme mostra a diversidade do “ser mulher” e o quanto não podemos ser colocadas em caixinhas estipuladas pelo patriarcado.
Disponível no Vimeo

As hiper mulheres (2011)

mulheres e feminismoAs tribos ancestrais carregam uma força da união feminina inimaginável para os dias de hoje. Os cantos e rituais perpassam pelas gerações, por meio da arte e da expressão corporal, que, infelizmente, se perdeu ao longo do tempo. A efemeridade da história dos povos antigos e as questões feministas são apresentadas neste documentário de Carlos Fausto, Leonardo Sette e Takumã Kuikuro. Com medo de sua esposa falecer, a única que ainda sabe os cantos do Janurikumalu, o maior ritual feminino do Alto Xingu (MT), o chefe da tribo convoca todas as mulheres à participar, para ela poder cantar uma última vez.
Disponível no Vimeo

 

Com informações da lista elaborada pela Casa Vogue.

Imagem de capa: Agnès Varda

 


Imagem padrão
Bruna Bengozi
Bruna é mestra em História pela USP e graduanda em Letras pela Univesp. Redescobriu (e redescobre) o amor pelos livros, pela música e pela vida. Aguarda ansiosamente a queda do capitalismo e do patriarcado. Sofre de "síndrome da impostora".

Assine nossa newsletter

Toda semana um resumo com os principais conteúdos da revista em seu e-mail!

1 comentário

  1. Uau, quanta coisa boa! Já sai anotando o nome dos que eu não conhecia para ver depois!
    Absorvendo o tabu eu já tinha visto e como é doloroso ver quantos mitos e desconhecimento sobre um fenômeno tão natural, como isso, além de todas as outras questões, limitava a vida daquelas mulheres!
    O renascimento do parto foi um portal aberto para mim. A cada nascimento eu me derramava em lágrimas, descobri que sou muito sensível a partos hahahaha
    Feminists: what were they thinking eu assisti por acaso e amei! E She’s beautiful when she’s angry já estava na minha lista para ver, não sei por quê motivo ainda não vi…
    Beijos

Deixe um comentário