Arte brasileira: 10 grafiteiros e grafiteiras que precisamos conhecer

Grafite (ou graffiti) e pichação são manifestações que sempre se misturaram no senso comum e a maioria das pessoas vê ambas como vandalismo ao invés de intervenções artísticas.

O primeiro grafite foi registrado no movimento de contracultura parisiense de 1968. Seus adeptos inscreveram em diversos muros daquela cidade mensagens de cunho político. Mas naquele contexto, os muros eram pichados para transmitir mensagens políticas e de contestação. O ato de grafitar se popularizou nos Estados Unidos durante a década de 1970, especialmente na cidade de Nova York, considerada o berço dessa expressão artística, eu trazia novas características.  Ele surgiu dentro de grupos de jovens que viviam nos guetos e periferias e se organizavam em grupos chamados crews.

Eles buscavam deixar a “marca” ou o nome do grupo na cidade, pichando muros, trens, prédios, chãos e monumentos.  Circular pela cidade era uma forma de expressão pessoal, mas também de conquista de respeito no grupo.  Quanto mais arriscada ou maior a visibilidade do grafite, maior era o prestígio de seu autor. No Brasil, a prática do grafite foi incorporada na década de 70, influenciada por artistas norte-americanos. As técnicas de pintura e as referências visuais foram trazidas por artistas de classe média de São Paulo, como os pioneiros Alex Vallauri e Rui Amaral, que tinham contato com o que era produzido em Nova York. Na época, o que estava em voga eram os stêncils inspirados pela estética da pop art. Durante a década de 1980, o grafite foi inserido como um dos elementos fundamentais do movimento Hip Hop. Em São Paulo, artistas como Os Gêmeos, Binho, Speto, Tinho e Onesto frequentavam a cena cultural do Hip Hop e muitas vezes grafitavam de forma coletiva. A partir dos anos 2000, artistas do grafite chamaram a atenção das galerias brasileiras e ganharam mais espaço no mercado de arte. A maior projeção foi dos artistas OsGêmeos, eu começaram a grafitar na rua e ganharam projeção internacional. Eles chegaram a pintar murais gigantes em diversos países, entraram em galerias e museus e foram parar na fachada do avião da seleção brasileira.

Isso levou a um aprofundamento da diferenciação entre grafite e pichação. Enquanto o pixo permanece como um símbolo de vandalismo, e seus praticantes considerados marginais, o grafite adquire conotação de arte. Isso fica mais evidente no Brasil, pois em países como os Estados Unidos e Colômbia, as duas práticas possuem a mesma nomenclatura: grafite, relacionado a qualquer transcrição feita na arquitetura urbana.

Os pichadores sempre sofreram uma abordagem policial ostensiva. Eles são considerados transgressores e a ilegalidade sempre foi uma questão central na realização dessa atividade. Apesar do grafite já ser reconhecido pela lei, muitos grafiteiros ainda enfrentam problemas com a polícia e são enquadrados sob a acusação de “poluição visual”, resultando em boletim de ocorrência.

Nesta lista, selecionamos alguns artistas que fazem sucesso no Brasil com suas manifestações!

 

OSGEMEOS

Nascidos na cidade de São Paulo, OSGEMEOS (ou Os Gêmeos), como são conhecidos, estão entre os melhores grafiteiros do mundo!

Obra d’OSGEMEOS sobre a tragédia de Mariana, em MG.

 

Mari Pavanelli

Nascida na cidade de Tupã, Mari é artista plástica autodidata e encontrou no grafite uma forma de criar e se expressar. Sempre rodeada de flores, explora o universo feminino com desenhos que retratam a mulher, espalhados pelos muros de São Paulo, em especial no bairro do Cambuci.

 

Nina Pandolfo

Também nascida na cidade de Tupã, interior de São Paulo, em 1977, a artista se mudou para a capital paulista ainda bebê. Nina Pandolfo ficou conhecida por criar um universo lúdico e bem particular, pintando delicadas meninas de olhos grandes e expressivos, que misturam uma dose de ingenuidade com a delicadeza feminina e um toque de sensualidade. Com o tempo as obras também foram ganhando novos personagens, como gatos, abelhas, peixes e outros pequenos animais, sempre retratados com as suas pinceladas características.

 

Mundano

Muita gente conhece Mundano por conta de seu reconhecido trabalho com carroceiros, o Pimp My Carroça. Ativista, abraçou a causa dos catadores de materiais recicláveis e constantemente colabora com a categoria, tão importante para a cidade. Há sete anos ele pinta os muros, sempre se manifestando, incluindo a crise hídrica, a reciclagem e a atuação feminina em suas provocações.

 

Derlon

Pintando os muros de Recife, cidade onde nasceu em 1985, e agora do Brasil todo, Derlon deixa sua marca com traços de xilogravura e arte popular. Utilizando poucas cores, criou uma simbiose da intervenção urbana com um dos principais meios de comunicação impressa da cultura popular.

 

Danilo Rek

Há 12 anos trabalhando com grafite, o votorantinense Danilo Rek já exibiu seus trabalhos em cidades da região e outros estados, além de alguns deles publicados em livros e revista. Quatro deles estão em um livro da Universidade de São Paulo intitulado “O Grafite e suas Vertentes na Cidade de São Paulo”. Ele também tem sua obra exposta no palco da Praça Zeca Padeiro. O artista revela que o gosto pela arte surgiu em meio às manobras de skate e não se limita apenas a grafitar. Há anos também desenvolve trabalhos em tela e assemblagem, um tipo de arte feita a partir de colagens.

Panmela Castro

Panmela Castro, também conhecida como Anarkia Boladona, é uma artista brasileira e conhecida internacionalmente como a rainha do graffiti brasileiro. Nascida em 1981 e criada na Penha, subúrbio do Rio de Janeiro. Grafita imagens de mulheres pelas cidades do mundo e uma de suas obras foi exposta em Sorocaba.

“Femme Maison”, obra de Panmela Castro, causou polêmica em Sorocaba em 2017.

 

Toes

Thiago Toes nasceu em 1986 em Curitiba/PR. Vive e trabalha na cidade de São Bernardo do Campo/SP.  Foi assistente de importantes nomes do circuito de artes visuais como OsGemeos, Lucia Koch e Nina Pandolfo, período em que despertou interesse para sua produção autoral. É recorrente na obra do artista elementos como a descaracterização da figura humana e a representação do universo. A união desses temas se dá quando o artista nos convida a refletir sobre estereótipos da sociedade moderna.

 

Mag Magrela

Mag sempre teve contato com as artes plásticas através de seu pai que pintava telas. Mas somente em 2007, as ruas serviram de base para os desenhos acumulados em cadernos. Desde então seus trabalhos podem ser encontrados  principalmente nas ruas de São Paulo, mas também em Belo Horizonte,  Rio de janeiro, Portugal, Londres e NYC. Representando o estilo do graffiti brasileiro, que usa da intuição e intensa criatividade, Mag se encontrou também em telas, performance, escultura em argila, assemblagens, bordados e azulejos. Inspira-se na euforia urbana de São Paulo para transitar por temas que falam sobre a mistura da cultura brasileira: a fé, o profano, o ancestral, a batalha do dia-dia, a resistência, a busca pelo ganha-pão, o feminino. Seus personagens dispostos nos muros contrastam com a arquitetura cinza e sofrida das cidades, propondo uma pausa  a qualquer um que procure refúgio para outros pensamentos.

“Entre cacos e cortes, a dor de se redimir” (2014), pintada no Beco do Batman, em São Paulo.

 

Veracidade (Mauro Neri)

Nascido em São Paulo, em 1981, desenha desde então. Entre 2000 e 2002 se descobriu artista, educador, grafiteiro e (ou) artista plástico. Idealizador do Imargem em 2006 e Cartograffiti em 2009, projetos coletivos que articulam os eixos Arte, Meio Ambiente, Convivência, Cartografia e Direito à Cidade. Artivista, age a partir da margem e projeta desenhos de gente, de casas escritas como conjugações com a palavra ver, em um percurso de acessos para além das fronteiras.

 

Quais artistas do graffiti você conhece? Compartilhe nos comentários!

 

Post com informações do Uol e do Hypeness.

Imagem de capa: “Repressão”, de Mag Magrela (2013).

Bruna Bengozi

Bruna é mestra em História pela USP, redescobriu (e redescobre) o amor pelos livros, pela música e pela vida. Aguarda ansiosamente a queda do capitalismo e do patriarcado. Sofre de "síndrome do impostor".

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