Feminismo em comum – para todas, todes e todos (Marcia Tiburi)

Nada melhor que estar próxima daqueles que compactuam das mesmas ideias. Melhor ainda é, neste processo suave de sentir-se parte de algo, é ter a certeza que o caminho não está completo e, sendo assim, sempre é possível aprender e transgredir mais. É assim que me senti com a leitura do livro escrito por Marcia Tiburi: Feminismo em comum – para todas, todes e todos, lançado em janeiro de 2018, pelo selo Rosa dos Tempos, dedicado a publicar livros escrito por mulheres.

O pequeno livro, de apenas 126 páginas, me trouxe novas possibilidades do pensar feminista e também colaborou para fortalecer minhas certezas.

Feminismo em comum
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Os pequenos capítulos

Dividido em pequeno capítulos, a proposta do livro é discutir o tema Feminismo a partir de concepções e ideias já estabelecidas, mas também consegue explorar novos aspectos, com uma linguagem que tenta se aproximar da simplicidade, mesmo tratando de um tema tão completo e que está em grande transformação.

Com certeza, em alguns momentos, a leitora (ou leitor, ou leitore!) que se deparar com o livro e já fazer parte das diversas camadas do feminismo, poderá pensar que o livro é mais do mesmo. Entretanto, para novos leitores, o livro pode ser um bom caminho para abrir as ideias e conectar tantas outras que ficam isoladas pela enxurrada de informações a respeito do tema. E claro, muitas equivocadas.

Assim, por isso mesmo, é importante a leitura até para aqueles que já fazem parte do movimento, em pequenas e grandes escalas. Afinal, quando as ideias se encontram e produzem algo bom para o mundo, isso deve ser comemorado. É como sentir um bom abraço.

“Feminismo se define pelo direito de lutar até a morte, se for o caso, por um outro desejo: o que nos livre dos sistemas de opressão objetivos e subjetivos aos quais estamos assujeitados”

Feminismo em comum – as diversas esferas

A luta das mulheres se faz presente em diversas esferas. De alguma forma, independente da classe social e econômica, por exemplo, as mulheres lutam. No entanto, Marcia Tiburi transparece a necessidade de fortificar o feminismo para além das pequenas (e ainda essenciais) atitudes do dia a dia.

Afinal, o patriarcado, como um monstro invisível, também consegue minimizar as pequenas histórias e transformar as grandes em oportunidades de maior opressão. É como se vivêssemos em uma gigante bolha machista difícil de ser quebrada por conta de todo o sistema em que vivemos e isso, claro, inclui a política e o capitalismo.

“… perguntar se praticamos o feminismo como crença ou se ele é um instrumento de transformação da sociedade, muda tudo. Aqueles que acreditam no patriarcado também deveriam se perguntar se precisam dele. – o que é muito difícil, pois o patriarcado é um sistema dogmático de crenças e não um ideal. Ele é tomado como o que há de mais natural. O agente do mundo patriarcal geralmente não consegue se fazer essa pergunta. E por isso, as feministas, agentes do feminismo, precisam fazer elas mesmas a pergunta concernente, a princípio em relação à necessidade do patriarcado, mas depois a necessidade do feminismo, para que ele não seja um simples substituto do patriarcado. Só assim, o feminismo poderá ser a sua crítica e sua desconstrução, enquanto fizer-se como autocrítica interna.”

A dor e a delícia

É claro que a vida traz bagagens muitas vezes difíceis de carregar e cada mulher, como diz aquela famosa frase, sabe a dor e a delícia de ser o que se é. Então, o livro de Marcia Tiburi nos faz caminhar por essa importante autocrítica, que nos tira do modo operante e nos coloca em modo de pensamento, de transgressão, de olhar para o futuro e, mesmo com tudo o que a vida nos dá, ainda é possível dar mais um passo para avançar em nossas conquistas.

Muitas vezes, infelizmente, para fortificar o que já foi feito e conquistado, outras vezes, para abrir novos caminhos para todas, todes e todos aqueles que acreditam em um futuro menos violento e de mais respeito e igualdade.

É por tudo que já aconteceu no passado das mulheres. Desde os fatos históricos às nossas próprias mães, avós e bisavós, que com certeza sofreram mais ainda com as amarras do patriarcado, é que livros como esse se fazem necessários.

Talvez, a sua linguagem perspicaz e clara não transforme o nosso mundo de hoje, mas é uma pequena árvore que já colhe bons frutos e servirá para o mundo daquelas e daqueles que virão.

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Francine Ramos

Faz da Livro&Café parte essencial de sua vida desde 2011. É professora de Língua Portuguesa, adora ler, escrever (um dia vai publicar um livro) e trabalhar com mediação de leitura. Acredita que os livros podem mudar o mundo e ama Virginia Woolf.

1 comentário
  1. Muito legal sua resenha, Francine. Tem algumas pequenas incorreções ortográficas, talvez motivadas pela urgência de realizar outras tarefas, esquecendo a revisão. Eu concordo plenamente com o argumento da autora de que o feminismo não é a substituição do patriarcado. Afirmar e demonstrar esse fato é necessário, ainda mais em um período em que os brasileiros estão tão apegados a padrões comportamentais extremistas. Algo que me deixou curiosa, até porque não tive oportunidade de ler o livro, é se a Tiburi explica a presença do “todes” no subtítulo. Não que isso seja relevante frente ao didatismo que a autora parece ter se empenhado a usar. Mas eu deduzo que ela se preocupou em conquistar a empatia de outros gêneros que não apenas o feminino. Atitude elogiável, se for o caso. Enfim, fiquei com vontade de ler esse livro.

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