30 autoras de ficção científica publicadas no Brasil para colocar já na sua lista de leitura [parte 1]

Os grandes nomes da ficção científica são mais plurais do que muita gente pode imaginar. A mulherada está produzindo muita coisa boa. E não é de hoje! Por isso, e também por causa do editorial deste mês da Revista Livro & Café, vamos fazer uma mega coletânea com 30 nomes de mulheres autoras de ficção científica editadas no Brasil.

Algumas são muito conhecidas, já outras são achados maravilhosos! Olha só:

Autoras de ficção científica – parte 1

Mary Shelley
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Mary Wollstonecraft Shelley foi simplesmente a criadora de Frankenstein ou O Prometeu Moderno, que já tem uma resenha aqui na Livro & Café. Filha de um filósofo britânico chamado William Godwin e da feminista e escritora Mary Wollstonecraft, que concebeu um dos maiores clássicos do feminismo durante a Revolução Francesa: Reivindicação dos Direitos da Mulher. Mary Shelley teve dificuldades para publicar seu livro, pois uma jovem (ela possuía apenas 21 anos quando escreveu essa obra prima!) não poderia criar um texto com um teor tão monstruoso e profundo, de acordo com os editores. Na época, em 1818, a primeira edição do livro foi publicada de forma anônima com o prefácio de Percy Bysshe Shelley, poeta-filósofo e seu marido.

 

Margaret Cavendish

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Essa mulher foi filósofa, poeta, ensaísta, dramaturga e uma das primeiras autoras de ficção científica em um Reino Unido do século XVII. Isso, definitivamente, não é qualquer coisa! Escritora de um livro que é considerado um dos precursores do gênero, o romance utópico  O Mundo Resplandecente, publicado em 1666, fala sobre gênero, poder e ciência. A Plutão Livros editou essa belezinha, com a tradução de Milene Cristina da Silva Baldo, e está vendendo a versão em ebook lá na Amazon por um preço bem bom.

 

Octavia E. Butler

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Falando em precursoras, chegamos a Octavia E. Butler, a primeira autora negra de ficção científica a ser reconhecida mundialmente. Aos 12 anos, decidiu que seria escritora enquanto assistia a Devil Girl from Mars na TV. Pensou: posso fazer melhor que isso aí, ein? Lutou muito, estudou, trabalhou e… conseguiu! Nos anos 1980, começou a receber os prêmios, mas foi após a publicação de A Parábola do Semeador, em 1993, que se tornou famosa. Aqui no Brasil, quem lança seus livro é a Editora Morro Branco. E tem resenha de “Kindred: Laços de Sangue” aqui na Livro & Café.

 

Ursula K. Le Guin

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Ursula K. Le Guin foi ensaísta, tradutora, poeta, editora e autora de ficção científica. Publicou mais de 50 romances durante seus mais de 50 anos de carreira, fora os ensaios, poemas e outras publicações. É uma das autoras mais premiadas da história da literatura estadunidense. Filha de um casal de proeminentes antropólogos, é a prova de que “um teto todo seu” pode contribuir, e muito, para a produtividade de uma escritora. No Brasil, é possível encontrar uma pequena parte da vasta obra da autora em português, publicada por algumas editoras, como a Aleph, Morro Branco e Editora Arqueiro. Se quiser, comece por essa resenha de “A Mão Esquerda na Escuridão”.

 

Angela Carter

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Angela Carter foi escritora e jornalista britânica. Escreveu de tudo um pouco, desde romances e poemas até contos infantis e não-ficção. Colaborou com o roteiro do filme Na Companhia dos Lobos, de Neil Jordan e re-escreveu, do ponto de vista das mulheres, os textos de Marquês de Sade e Baudelaire. A Editora Rocco tem lançado novas edições de livros da autora, mas também é possível comprar umas publicações mais antigas por aí. Se quer uma indicação, aproveita para abrir a resenha sobre “A Paixão da Nova Eva”, uma distopia que fala sobre feminismo.

 

Ann Leckie

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Ann é escritora e editora de ficção científica e fantasia dos Estados Unidos. Premiadíssima, já levou um Hugo de Melhor Romance, além de um Nebula, um Arthur C. Clarke Award e um Prêmio British Association of Science, todos com seu livro de estreia, Justiça Ancilar, publicado no Brasil pela Editora Aleph. Esboçou o que viria a ser seu livro em 2000 e, em 2005, começou a escrevê-lo após participar do Clarion West Writers Workshop. Levou, então, seis anos para escrever o livro, que foi aceito e publicado pela Editora Orbit em 2012.

 

Margaret Atwood

É óbvio que você conhece O Conto da Aia. Não? Então corre ver a resenha! O livro simplesmente bombou, não sai das listas de mais vendidos, 30 anos após seu lançamento. Esse queridinho já deu origem a uma série da Hulu e a autora está escrevendo a continuação da história. A obra de Margaret não é beeem ficção científica, entra mais confortavelmente na categoria de ficção especulativa, e distopias, mas a colocamos aqui tanto pela sua relevância quanto por causa de dois prêmios da área a qual foi indicada: o Nebula e o Prometheus, em 1986 e 1987, respectivamente.

 

Nnedi Okorafor

Nnedi é uma escritora negra estadunidense, de ascendência nigeriana. Ganhou o prêmio Hugo e Nebula em 2016 pela novela Binti. Doutora em Literatura Inglesa pela Universidade de Illinois, Chicago, é professora de escrita criativa na Universidade de Buffalo. Seu romance Bruxa Akata, carinhosamente apelidado de “Harry Potter nigeriano”, foi lançado no Brasil pela Editora Galera. Quem Teme a Morte foi publicado pela Geração Editorial e você pode encontrar os dois na Amazon. E também pode assistir a uma conferência muito bacana da autora que publicamos aqui na revista.

 

Connie Willis

Com mais de 70 anos de idade, Connie é, certamente, a escritora de ficção científica mais premiada dos Estados Unidos, acumulando 11 Hugos e 7 Nebulas. O Livro do Juízo Final trabalha com a clássica viagem no tempo e mergulha no mundo dos pesquisadores de Oxford. Já Interferências, fala sobre uma cirurgia que pode ser feita para aumentar a empatia entre as pessoas e é feita por um casal que está prestes a se unir em matrimônio. Estes dois livros foram lançados pela Editora Suma aqui no Brasil.

 

C. J. Cherryh

Cherryh já escreveu 60 livros desde a década de 1970 e tem um asteroide com seu nome, o 77185 Cherryh. Seus livros foram editados no Brasil já faz um tempo, aparentemente na década de 1980 e 90. Inclusive, as edições antigas são raras e alguns volumes mais conservados valem uma nota na internet. Compensa dar uma garimpada pelos sebos e bibliotecas da cidade para ver se ainda resta algum minimamente acessível. Hey, editoras de ficção científica, aí uma oportunidade!

 

Em breve publicaremos a segunda parte da lista de autoras de ficção científica. Então, se você tiver indicações, deixe nos comentários!

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Mari Mendes

Estudante de jornalismo e redatora. É autora de Potências do Encontro, livro de contos acolhido e publicado pela Editora Patuá. Escrever, para ela, é se amar.

7 Comentários
  1. Eu só gostaria que a James Tiptree Jr. e a Nalo Hopkinson pudessem entrar nessa lista. A James (ela era mulher mas usava um pseudônimo masculino) é uma gigante e uma das precursoras da ficção científica feminista, e a Nalo é uma das maiores representantes atuais do afrofuturismo com seus livros de temática afro-caribenha como Brown Girl in the Ring e Midnight Robber.

    Também, a Saga Vorkosigan, uma das maiores e mais renomadas séries de livros de space opera, da Lois McMaster Bujold.

    Editora Morro Branco, fica a sugestão!

  2. Bom conhecer essas autoras.
    Só um detalhe a série do Conto da Aia não é da HBO é da Hulu. The Handmaind’s Tale

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