30 autoras de ficção científica publicadas no Brasil para colocar já na sua lista de leitura [parte 2]

Vamos para a segunda parte da lista de autoras de ficção científica publicadas no Brasil? Estou certa de que essa lista pode conter um bônus com alguns nomes a mais! Gostaria de agradecer muito aos comentários com sugestões, principalmente os educados. <3

Pretendo inserir todas as autoras de ficção científica sugeridas, que foram publicadas no Brasil, nesta lista. As que ainda não foram, posso colocar em um artigo extra com escritoras de ficção científica que deveriam ser publicadas já no Brasil. O que acham? Inclusive, alguma editora pode se animar e lançar uma coleção só de escritoras de FC, né? Seria lindo.

Ah, e um agradecimento especial para Priscila Povoas, que corrigiu um pequeno erro: a série The Handmaid’s Tale é da Hulu e não da HBO, como eu coloquei lá. Já corrigimos o erro, obrigada pelo toque!

Agora vamos para a lista!

Autoras de ficção científica – parte 2

Alice Sheldon 

Alice cresceu em um bairro universitário de Chicago. Casou-se aos 19 anos, em 1934, e se separou em 1942. Neste mesmo ano entrou para a Força Aérea dos Estados Unidos. Em 1952, chegou a trabalhar na CIA, mas largou o job para fazer faculdade. Formou-se em Artes e fez doutorado em Psicologia Experimental. Ah, era bissexual. Como autora de ficção científica, Alice adotou um pseudônimo masculino, James Tiptree Jr. Sobre ele, declarou em uma entrevista para uma revista de FC em 1983: “Um nome masculino me parecia uma boa camuflagem. Tinha a sensação de que um homem poderia errar sem ser julgado”. Não é fácil encontrar livros desse mulherão no Brasil! Porém, na Estante Virtual é possível adquirir uma edição antiga em português, e na Amazon há o livro Her Smoke Rose Up Forever, escrito sob seu pseudônimo.

 

Nalo Hopkinson

Escritora e editora, canadense, nascida na Jamaica na década de 1960, Nalo é um dos grandes nomes da ficção especulativa contemporânea. Ela escreve utopia em um gênero que está ganhando cada vez mais público: o afrofuturismo. A utopia de Nalo não é sobre um mundo perfeito em que todos pensam igualzinho. É sobre como pensamentos e ideias diferentes podem conviver de forma saudável, um futuro democrático de fato. Apesar de vários títulos à venda na Amazon, infelizmente ainda não existe NENHUM livro da autora para ler em português. Porém, pelo que pude apurar, existe um conto dela publicado pela Fantástica Rocco, em uma coletânea de contos selecionados por Neil Gaiman chamada Criaturas Estranhas.

 

Roquia Sakhawat Hussain

Foi feminista e ativista de Bangladesh, antigo domínio colonial do Império Britânico. Também escritora, ensaísta, poeta e professora. Roquia é a precursora das precursoras entre as autoras de ficção científica. Nascida em 1880 em uma família de posses e com acesso à educação, casou-se aos 16 anos e foi incentivada por seu marido a escrever, algo raro para a época.

O livro de Roquia, publicado por Lady Sybylla em parceria com Aline Valek, é ~apenas~ o primeiro livro de ficção científica feminista de que se tem notícias. Além de criticar o fundamentalismo religioso em 1905, tocando em questões como os direitos das mulheres muçulmanas, essa mulher utilizou um idioma mais acessível à população pobre daquele lugar: o bangali, para escrever sua história. Você pode fazer o download gratuito do e-book no Momentum Saga ou pode comprar a versão impressa e dar um help para o trabalho dessas duas escritoras incríveis que resgataram o conto O Sonho da Sultana para nós.

 

Suzanne Collins

Certamente você conhece a autora da trilogia que começou com Jogos Vorazes. Sim, pois ela ficou mais de 300 semanas na lista de mais vendidos do New York Times. Em chamas e A Esperança são as sequências dessa história. Se você é fã, é possível que já tenha lido também todos os volumes da saga de Gregor, lançada no Brasil pela Editora Galera. Suzanne é estadunidense, nasceu em 1962 e é filha de militares. Formada em Teatro e Telecomunicações pela Universidade de Indiana, trabalhou na Nickelodeon antes de se tornar um fenômeno editorial.

 

Doris Lessing

A britânica Doris escreveu de tudo um pouco, de autobiografia à ficção científica. Ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 2007, quando a Academia Sueca reconheceu sua capacidade de retratar a experiência feminina, além de trabalhar o ceticismo e uma perspectiva visionária que captou uma civilização dividida. Felizmente, dá pra comprar alguns volumes da série Canopus em Argos: Arquivo, além de outros títulos em edições antiguinhas e até que bem baratas na Estante Virtual. Há também vários títulos à venda na Amazon, como Sobre Gatos e O sonho mais doce.

 

Becky Chambers

Becky lançou seu livro por meio de uma plataforma de financiamento coletivo e, a partir deste projeto, conquistou mais que fãs: chamou a atenção da crítica. A jovem autora de ficção científica foi indicada ao Arthur C. Clarke Award e o Hugo Award com A Longa Viagem a um Pequeno Planeta Hostil. Descrito como um “romance on the road futurístico”, Becky trabalha questões do feminismo, xenofobia e poliamor de forma notável. Tanto seu primeiro livro quanto o segundo, A Vida Compartilhada em Uma Admirável Órbita Fechada, estão à venda na Amazon.

 

Pat Cadigan

Não é apenas uma autora de ficção científica. É referência do universo cyberpunk. Pat explora a relação entre a mente humana e a tecnologia. Em suas histórias, a linha entre a percepção da realidade e a realidade fica tênue, até desaparecer de vez. Com a tecnologia, é possível ter experiências ultra realistas dentro da mente das pessoas. Se você pensou que isso é muito Black Mirror, eu preciso te dizer que Black Mirror que é muito Pat Cadigan, baby. Seu romance Alita: Anjo de Combate, que virou filme, está disponível na Amazon, editado pela Record. E lá você também pode comprar dois volumes de Os Vigilantes do Imaginário por pouco mais de quatrocentos reais cada um. Se tiver coragem e dinheiro.

 

Charlie Jane Anders

Premiada até o pescoço, Charlie, deusa-mulher trans and autora de ficção científica, já foi agraciada pelos prêmios Hugo, Nebula, Locus e Emperor Norton Award, além de ter recebido um Lambda Literary Award na categoria melhor romance transgênero. LA. CROU. No Brasil, a Morro Branco lançou Todos os Pássaros no Céu, que já explodiu a cabeça de muita gente por aí. No melhor dos sentidos. 

 

Cristina Lasaitis

Autora de ficção científica brasileira, Cristina é formada em Biomedicina pela Unifesp, atualmente. Com contos publicados em diversas coletâneas, chamou a atenção da crítica com seu primeiro romance Fábulas do Tempo e da Eternidade, disponível na Amazon. Para começar a ler a autora, veja aqui na Livro & Café a resenha sobre o conto Além do Invisível.

 

Diná Silveira de Queirós

Brasileiríssima, foi contista, cronista e romancista. Incrivelmente, foi também a segunda mulher a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras, em 1981, mesmo ano de publicação de seu último romance. De família rica, Diná foi cunhada de Rachel de Queiroz. Para quem quer conhecer os textos da autora, vale a pena pesquisar por Comba Malina, um livro de contos que você pode encontrar na Estante Virtual ou no sebo mais próximo da sua casa, caso tenha sorte no garimpo.

 

Quanta mulher foda, eita! Em breve sai a terceira parte da lista de autoras de ficção científica. E, ainda aceito sugestões de mulheres da ficção científica publicadas em nosso Brasilzão, beleza? Obrigada por ler até aqui, deu um trabalhão fazer essa lista… (risos).

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Mari Mendes

Estudante de jornalismo e redatora. É autora de Potências do Encontro, livro de contos acolhido e publicado pela Editora Patuá. Escrever, para ela, é se amar.

2 Comentários
  1. Oba!! A James Tiptree Jr. e a Nalo Hopkinson! Eu daria de tudo pra ver uma adaptação em algum serviço de stream de Her Smoke Rose Up Forever. I mean, aranhas alienígenas inteligentes que se amam e tentam impedir os instintos, corpos artificiais controlados a distância e uma epidemia de violência misógina, o livro tem tudo! Adoraria também que o livro fosse traduzido para o português.

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