[Plano de aula] O diário de Anne Frank – Interpretação de texto e escrita de diário

Uma proposta de trabalho, mas também um relato sobre, leitura, interpretação e produção de texto com base no livro O diário de Anne Frank

Trabalhar com alunos do 8º ano pode ser uma incrível experiência. Lembro-me com emoção dos momentos em que eles descobriram novos autores, novos livros e novas formas de ver e resistir ao mundo. Fornecer esse acesso é uma das coisas mais bonitas em ser professor. Mas é claro que também há os lados ruins da história, porém, necessários como instrumento de conhecimento sobre o quanto a humanidade pode ser cruel. Então, trabalhar com trechos do livro O Diário de Anne Frank é uma proposta muito bacana porque, além das questões da Língua Portuguesa, é possível conhecer uma perspectiva histórica. Vamos lá?

Dica de leitura prévia para o professor: Anne Frank – A história do diário que comoveu o mundo (Francine Prose)

1ª etapa – Conhecendo a obra

  • Mostre fotos de Anne Frank e pergunte aos alunos o que eles sabem a respeito.
  • Em seguida, mostre também fotos de campos de concentração nazistas e acolha os comentários.
  • Selecione alguns trechos do livro e leia para os alunos. Aproveite o momento para conversar sobre o contexto histórico e a Segunda Guerra Mundial.
  • Se for possível usar internet na sala de aula, visite os sites abaixo:

Há alguns vídeos interessantes para saber mais sobre O Diário de Anne Frank. o vídeo abaixo pode ser uma boa ideia.

2ª etapa – As características do Gênero textual “Diário”

Depois que os alunos já tiverem um conhecimento sobre a história de Anne Frank, é o momento de entrar nos detalhes de seu texto. Algumas perguntas podem ajudar a olhar o texto de uma forma mais detalhada (eu fiz essa parte da atividade oralmente, incentivando as reflexões a partir da primeira pergunta da lista abaixo). Mas caso queira, é possível preparar uma atividade de interpretação de texto com elas.

Anúncio
  1. Ao ler o título do livro é possível imaginar sobre o assunto que ele aborda?
  2. Quais elementos característicos de um diário os trechos lidos em sala possuem?
  3. Faça uma síntese dos relatos de Anne Frank a partir das leituras realizadas em sala.
  4. Há momentos em que a vida de Anne parece tão comum quanto a sua? Justifique.
  5. Quais dualidades estão presentes no Diário de Anne Frank?
  6. Peça para os alunos (em duplas ou grupos) montarem uma lista com as principais características do gênero. Depois, eles deverão comparar suas listas com as de outros colegas.

3ª etapa – Interpretando Anne

O Diário de Anne Frank

Neste momento, é esperado que o aluno já consiga perceber os detalhes da narrativa de Anne Frank, muito além do uso da 1ª pessoa. A proposta desta atividade, além de interpretar um pequeno trecho da obra, cumpre uma função no desenvolvimento da escrita, pois as perguntas exigem reflexão e organização para o registro de boas respostas.

(Algumas pessoas me pediram para colocar as respostas das interpretações de texto, mas não acredito que o objetivo do estudo de um texto seja chegar a uma respostas correta, pois o mais importante é a reflexão e o aluno conseguir demonstrar, por meio de suas palavras, a sua própria reflexão.)

Atividade A

  1. Leia o trecho do diário de Anne Frank referente ao dia 20 de junho de 1942 e responda.

“O papel tem mais paciência que as pessoas. Pensei nesse ditado num daqueles dias em que me sentia meio deprimida e estava em casa, sentada, com o queixo apoiado nas mãos, chateada e inquieta, pensando se deveria ficar ou sair. No fim, fiquei onde estava, matutando. É, o papel tem mais paciência, e como não estou planejando deixar ninguém mais ler este caderno de capara dura que costumamos chamar de diário, a menos que algum dia encontre um verdadeiro amigo, isso provavelmente não vai fazer a menor diferença”

a.) Estamos mais habituados a fazer leituras de textos com ações. No caso desse trecho é o sentimento que conduz o relato. Qual é o sentimento de Anne no trecho? Quais elementos você utilizou para chegar a essa conclusão?

b.) Dentro do contexto em que Anne vivia, como podemos interpretar a comparação que ela faz entre o papel e as pessoas? Justifique.

c.) Para Anne, o que não fará a menor diferença? Por quê?

4ª etapa – Autor e interlocutor: uma relação polêmica

O diário de Anne Frank

Nos diários íntimos, sabemos que o interlocutor é o próprio autor. De alguma forma, o diário acaba funcionando como um organizador das próprias ideias e também um jeito de expor sentimentos de carácter confidencial. No entanto, quando o diário é publicado (como no caso de Anne Frank), essa relação acaba mudando, pois é comum até mesmo ajustes e mudanças nos textos, inclusive para preservar as pessoas direta ou indiretamente envolvidas.

Esse assunto, diversas vezes, pode causar um certo tipo de polêmica, principalmente por hoje em dia tratarmos com o mundo virtual de uma maneira tão sensacionalista. É momento do professor acolher as ideias dos alunos sobre o tema e, se necessário, ampliar os estudos e as conversas sobre o assunto.

O diário de Anne FrankAtividade B

  1. Há inúmeras edições do Diário de Anne Frank. No prefácio da edição da Best Bolso, há a seguinte informação:

“Anne Frank […] a princípio guardava-o para si mesma. Até que certo dia em 1944, houve uma declaração pelo rádio que, depois da guerra, o governo holandês esperava recolher testemunhos oculares do sofrimento do povo holandês sob a ocupação  alemã e que estes pudessem ser postos à disposição do público. Referiu-se especificamente a cartas e diários. 

Impressionada com aquele discurso, Anne Frank decidiu que publicaria um livro a partir de seu diário, quando a guerra terminasse. Assim, começou a reescrever e organizar o diário, melhorando o texto, omitindo passagens que não achava tão interessantes e acrescentando outras de memória. […]” 

  1. Selecione no trecho as providências que Anne Frank tomou ao saber da possibilidade de seu diário ser publicado.
  2. Quando Anne ganhou o diário, revelou que não queria mostrá-lo para ninguém. Porém, o trecho lido indica que ela mudou de ideia. Por que aconteceu essa mudança de postura (explique com elementos do contexto histórico)?
  3. Quais são as diferenças na produção de texto quando a – ele é feito para si mesmo e b – ele é feito para ser lido?

5ª etapa – Produção de Texto – Diário

Nesta última etapa, espera-se que o aluno já consiga identificar e fazer uso da linguagem de um diário. Caso eles ainda possuam dúvidas, é bacana apresentar um conteúdo mais estruturado. (Dicas: Toda Matéria e Português é lindo)

Produzir texto não é um caminho simples, sabemos. No entanto, é necessário no sentido da escola formar cidadãos pensantes e urgente por sua importância em ampliar as habilidades da comunicação e da linguagem. Ler e escrever – duas coisas primordiais que andam um pouco esquecidas, mas isso é assunto para outro dia. Vamos às ideias:

Quando realizei essa proposta com os alunos, aproveitei que eles iam ter um passeio com toda a turma do Fundamental II e pedi a eles que produzissem no blog da turma um relato, em forma de diário, de algum momento que mais emocionou eles durante a viagem. O resultado foi muito interessante porque cada aluno registrou um momento do passeio e, para a minha surpresa, até mesmo os alunos que dizem não gostar de escrever, produziram coisas interessantes. Então, acredito que minha missão com essa aula foi cumprida!

Abaixo está uma lista básica do que considero mais importante para produzir texto. Espero que ajude:

  • Escolher um tema com os alunos. Ouvir sobre o que eles gostariam de escrever.
  • Elaborar as etapas de planejamento do texto. Exemplos
    1. Utilize a 1ª pessoa;
    2. Escreva como se tivesse conversando com uma pessoa de sua confiança;
    3. Seja fiel aos seus sentimentos e pensamentos;
    4. Use palavras que marquem o tempo, como: hoje, ontem, semana passada etc;
    5. Você pode usar uma linguagem informal e expressões de seu cotidiano.
  • Apresentar aos alunos os critérios que serão utilizados para avaliar o conteúdo produzido. Alguns exemplos: o diário apresenta local e data; clareza, coesão e coerência; as pontuações foram utilizadas de forma correta etc.

É isso! 😉

Conheça outras propostas de trabalho:

Anúncio
Avatar
Francine Ramos

Faz da Livro&Café parte essencial de sua vida desde 2011. É professora de Língua Portuguesa, adora ler, escrever (um dia vai publicar um livro) e trabalhar com mediação de leitura. Acredita que os livros podem mudar o mundo e ama Virginia Woolf.

1 comentário

Deixe um comentário

O seu e-mail não será publicado