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Utopia é mais ou menos como uva passa. As pessoas amam ou odeiam. Quer dizer, com a utopia é um pouco diferente: as pessoas creem ou não nesse conceito.

Como assim? Continue a leitura e, prometo, você vai entender tudinho.

Significado de utopia

Utopia é uma palavra de origem grega, formada por dois fragmentos: OU+TOPOS. OU significa “não” e TOPOS, por sua vez, quer dizer “lugar”. Seu significado é, portanto, “não lugar“, “lugar nenhum“, ou ainda, “lugar que não existe“.

Porém, existe outra leitura interessante da palavra. O prefixo “u”, no grego, pode indicar “eu”, que significa algo que é nobre, justo e  abundante. Utopia é também eutopia, ou seja, “lugar feliz“.

Thomas Morus: o pai da palavra

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Normalmente, as palavras se formam ao longo do tempo, conforme as pessoas fazem uso delas. De acordo com o uso comum dos falantes de uma época, as palavras se transformam em outras, novinhas em folha. Mas a utopia é diferentona. Ela tem um pai: Thomas Morus ou Thomas More (como você pode perceber, até os nomes próprios podem mudar com o tempo).

Esse cidadão, que aqui chamaremos de Thomas Morus, cunhou o termo que ficou marcado na história da humanidade. E entender o contexto de surgimento desta palavra é essencial para saber muito bem o seu significado completo. E mais: porque ela divide opiniões.

Conheça o livro Utopia

O que é utopia?

Utopia é o nome de um livro de ficção escrito por Thomas Morus em 1516. Na obra, o autor conta sobre a ilha de Utopia, local em que se organiza uma sociedade ideal, mítica, sem ambição, onde todos vivem muito bem.

Existe um sem número de artigos e trabalhos acadêmicos discutindo as possíveis interpretações deste livro e quais os impactos dele para a política e sociedade. Há os que interpretam a obra de Morus como um projeção de uma organização social comunista. Outros, no entanto, vêem o texto como uma crítica à sociedade feudal da época em que o autor viveu. Seja como um exercício literário ou como uma configuração prévia do socialismo, esse livro deu origem a, basicamente, dois sentidos para essa palavra:

  1. utopia como algo impossível;
  2. utopia como esperança.

Como algo impossível

“Ih, isso daí é utópico, nunca vai dar certo”. Se você é uma pessoa sonhadora, é provável que já tenha ouvido que suas ideias são utópicas. E o sentido que isso traz é fatal: algo que não existe, que é impossível.

E de onde vem essa ideia? Bem, de uma interpretação da obra de Morus. Veja, se utopia é um não lugar, isso indica que não é real. E essa é a base da perspectiva cética ou descrente de que falamos lá no início do texto.

Só que tem mais uma coisa: a utopia também é vista como uma ideia perfeita, um modelo perfeito de sociedade que, por vários motivos, não é possível de ser alcançado. Afinal, você já deve ter ouvido aquela conversa de que nada é perfeito… Assim, qualquer esforço seria perda de tempo.

Essa forma pessimista de ver a situação é a preferida dos que acreditam em uma essência má do ser humano. Ah, e é a queridinha dos defensores do capitalismo, pois esse sistema imperfeito é o único possível, diz essa turma, o resto é inalcançável. Esse tipo de discurso vem dos mesmos criadores do “Na prática a teoria é outra”.

Como esperança

No campo oposto estão os que encaram a essa ideia como algo que ainda não possui lugar na realidade, mas que é possível. Essa visão está de olho no futuro e aposta que a sociedade está em constante transformação e que tais mudanças podem levar a um mundo cada vez melhor. O discurso que tira a utopia do campo das possibilidades, inclusive, é típico de grupos sociais que querem que as coisas continuem exatamente como estão.

Essa segunda vertente interpretativa é otimista e acredita em um mundo mais justo como algo não apenas possível, mas que deve ser buscado. Não adianta ficar só esperando. Já dizia a música: “quem espera nunca alcança”.

Neste sentido, o mundo ideal não é mais impossível, mas uma referência e um objetivo pelo qual vale a pena lutar. Eduardo Galeano descreveu assim:

A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.

A ideia da utopia como esperança faz com que o mundo ideal não seja um ponto estático e imutável. Na realidade, ele se transforma quando o presente se transforma. Assim, o que era utopia para Thomas Morus pode não ser o que hoje nós vemos como uma sociedade ideal.

Agora você entende porque utopia é amada e desejada por uns enquanto é desprezada por outros? Caso tenha dúvidas, fique à vontade para compartilhar nos comentários. Aproveita e responde para mim: o que é um mundo utópico para você?

Para saber mais sobre utopia

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Mari Mendes
Estudante de jornalismo e redatora. É autora de Potências do Encontro, livro de contos acolhido e publicado pela Editora Patuá. Escrever, para ela, é se amar.

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2 comentários

  1. E os que rejeitam a utopia que é impraticável até em uma sociedade de robôs que supostamente todos viveriam pelo bem da coletividade em uma sociedade perfeita. Se é que se pode chamar isso de sociedade perfeita, mas digamos harmoniosa. Não acreditam, necessariamente, que a essência humana é intrinsicamente má. Mas também não são ingênuos, observando a natureza humana, em acreditar que são bonzinhos. Pelo contrário, os que não reconhem o mal dentro da própria natureza e pensam que são bonzinhos, são os que mais cometeram atrocidades sem peso na consciência e, acreditam que a moralidade é relativa. Observando o mundo vemos que o ser humano é capaz de coisas boas e maravilhosas e de coisas hediondas e terríveis. Dizer que a sociedade corrompe o homem é falso, já que quem faz a sociedade é o próprio homem. Devemos desconfiar em santos que prometem o paraíso nessa terra e para isso estão dispostos a qualquer meios que justificam os fins.

  2. Os que não acreditam em utopia não são os que não acreditam em mundo melhor ou que não podemos avançar grandamente em todos os sentidos. E também não é pessimismo, é apenas realismo, pela razão que não é possível alcançar um estado perfeito e ideal, pq o quê é um estado perfeito e ideal? O que é para uma pessoa ou um grupo de pessoas pode não ser para outra. A menos que se extermine ou silencie os que pensam diferente como, fizeram muitos ditadores no passado na busca do que achavam ser a tal utopia de uma sociedade igualitária e harmoniosa. Um realista acredita chegar em um melhor mundo possível ou viável, mas acredita em contos de fadas que obrigam a todos viverem e pensarem de uma forma, ou que uma ideologia seja o melhor para todas as pessoas, por isso deve ser imposta a força. Vemos que a historia nos mostra que podemos melhorar com o pé de no chão. Mas anseios utópicos levaram sempre a genocídios e ditaduras totalitárias.

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