Concretismo no Brasil e no mundo: uma escola literária que ainda nos ensina

Na Europa, no início do século XX, com o objetivo de criar uma linguagem que relacionasse forma e conteúdo, surgiu o que conhecemos como Concretismo.

No Brasil, marcado pela poesia concreta e os movimentos políticos e sociais da época, essa manifestação cultural faz parte do que chamamos de pós-modernismo, ou seja, teve início nos anos 50.

Ao estudar as escolas literárias, sabemos que cada movimento literário possui diferenças muitas vezes opostas aos movimentos anteriores. Isso pode ser visto como um ponto de renovação, mas que perde um pouco o sentido quando apresentados de forma simples. Ou seja, ao olhar para o nosso passado foi possível perceber as principais características de uma época, o que nos leva a entender que os movimentos culturais são muito mais intenso e originais que apenas fazer algo novo ou contra a estética vigente.

Principais características

Dessa forma, entendemos que o concretismo possui as seguintes características (tanto para poesia, quanto para as artes plásticas):

  • A busca de formas concretas e precisas;
  • União de forma e conteúdo;
  • O uso de formas geométricas e a busca da racionalidade;
  • Não usar as formas tradicionais.
  • A poesia fez uso de efeitos gráficos para compor.
  • A arte concreta é uma inspiração à poesia concreta, e vice-e-versa.
concretismo
Obra de 1986, por Judith Lauand. Fonte: Itaú Cultural

Manifesto da Arte Concreta

Por Theo van Doesburg, em 1930. Suas palavras registradas em uma revista da época são conhecidas hoje como o principal manifesto da arte concreta.

“Declaramos:

1. A arte é universal.

2. A obre de arte deve ser inteiramente concebida e formada pela mente antes de sua execução. Ela não deve receber nada das propriedades formais da natureza ou da sensualidade e do sentimento. Queremos excluir o lirismo, a dramaticidade, o simbolismo etc.

3. O quadro deve ser construído inteiramente a partir de elementos puramente plásticos, isto é, superfícies e cores. Um elemento pictórico não possui outro significado além de ‘si mesmo’ e, portanto, o quadro não tem outro significado além de ‘si mesmo’.

4. A construção do quadro, bem como seus elementos, deve ser simples e controlável visualmente.

5. A técnica deve ser mecânica, isto é, exata e antiimpressionista.

6. Esforço visando absoluta clareza.” 

Um exemplo de poesia concreta

poesia concreta

Leia também: o que é poesia concreta

O concretismo ainda nos ensina

O concretismo ainda nos ensina porque promove o uso da linguagem muito além dos padrões. A poesia diz também a partir de sua forma e de seu som, por isso encanta. E, pensando em nossos dias atuais, a poesia concreta ganha novos horizontes. O artista Arnaldo Antunes faz um belo trabalho a respeito. Veja:

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A luta corporal (Ferreira Gullar)

Ferreira Gullar também produziu poesia concreta. No entanto, sua obra e seus conceitos artísticos se assemelham mais a outro movimento pós-moderno, mas um pouco semelhante, chamado Neoconcretismo.

Sinopse: “O segundo livro de Ferreira Gullar e o experimentalismo estético que chamou a atenção de Oswald de Andrade e dos poetas concretistas.
Publicado em 1954, A luta corporal é o segundo livro de poemas de Ferreira Gullar. Foi com essa obra que o jovem poeta chamou a atenção na cena literária brasileira, despertando o interesse de Oswald de Andrade e dos poetas concretistas Haroldo e Augusto de Campos, de quem se aproximou.
Alguns poemas desintegravam a sintaxe e se preocupavam com a disposição gráfica do verso na página. Além de experimentos estéticos radicais, os poemas trazem uma reflexão sobre o tempo e a morte, assinalando a entrada de uma voz autoral e potente na poesia brasileira.” Compre na Amazon

Principais poetas do início do Concretismo no Brasil

  • Augusto de Campos
  • Haroldo de Campos
  • Décio Pignatari
  • Ferreira Gullar

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A série “O que é” traz a discussão de diversos conceitos e assuntos de interesse para estudantes, professores(as), escritores(as) e seguidores(as) em geral!

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Francine Ramos

Faz da Livro&Café parte essencial de sua vida desde 2011. É professora de Língua Portuguesa, adora ler, escrever (um dia vai publicar um livro) e trabalhar com mediação de leitura. Acredita que os livros podem mudar o mundo e ama Virginia Woolf.

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