Amar! (Florbela Espanca)

Florbela de Alma da Conceição Espanca (1894-1930) é considerada o maior nome feminino da poesia portuguesa e, cronologicamente, pertenceu ao movimento modernista em Portugal.

Deixo aqui uma de suas poesias mais bonitas! Espero que goste!

Amar!

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui… além…
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente…
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!…
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder… pra me encontrar…

(ESPANCA, Florbela. In: Antologia da poesia portuguesa.


Porto: Lello & Irmão, 1977, v. 2, p. 1631).

 

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Bruna Bengozi

Bruna é mestra em História pela USP, redescobriu (e redescobre) o amor pelos livros, pela música e pela vida. Aguarda ansiosamente a queda do capitalismo e do patriarcado. Sofre de "síndrome do impostor".

2 Comentários
  1. A poesia de Florbela Espanca precisa ser mais bem divulgada e conhecida aqui no Brasil.

    Esse belo poema transmite liberdade, amor e beleza.

    Muito bom.

    1. Oi, Rafael. Tudo bem? Sim, a poesia dela é incrível e merece ser mais conhecida em nosso país. Esperamos trazer mais textos dela para a nossa revista e nossos leitores! Obrigada por nos acompanhar!

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