carta quinhentismo

O que é Quinhentismo?

Quinhentismo? Socorro, que palavra é essa? Para quem está estudando escolas literárias para alguma prova na escola ou para os vestibulares da vida, esse talvez seja um conceito ainda estranho ou mais “chatinho”.

O Quinhentismo nem sempre recebe a devida atenção nas aulas de Português e, ao longo do tempo, ganhou menos destaque que outros movimentos literários, como o Romantismo, o Modernismo etc. Neste post, vou buscar elencar as principais características desse conceito para que você possa aprender mais sobre a nossa literatura e a nossa história, ok?

O que é, afinal, o Quinhentismo?

Denomina-se Quinhentismo todas as manifestações literárias ocorridas no Brasil Colônia entre 1500 e 1600, ou seja, século XVI, período em que Portugal estabelece a sua dominação e cultura no nosso território.

Desembarque de Pedro Álvares Cabral em Porto Seguro, 1500. Pintura de Oscar Pereira da Silva. 1900. Pintura a óleo sobre tela. Acervo do Museu Paulista da USP (clique para ampliar).

É importante lembrar que não se trata de uma literatura feita genuinamente por brasileiros. Ainda que tenham sido feitas no Brasil e sobre o Brasil, as obras do período revelam o olhar e as ambições do colonizador português – europeu, branco, católico, interessado em desbravar as novas terras e descobrir riquezas.

Contexto histórico

Nenhuma corrente artística está desconectada do contexto histórico do período. Por isso é tão importante estudar História! Deixo, aqui, alguns acontecimentos que irão te ajudar a entender melhor o Quinhentismo. Já separou seu livro de História?

  • Renascimento;
  • Reforma;
  • Contrarreforma;
  • Formação do Estado Moderno;
  • Mercantilismo;
  • Grandes Navegações;
  • “Descobrimento” do Brasil;
  • Período pré-colonial;
  • Extração do pau-brasil.

Principais características

O Quinhentismo é marcado por duas principais vertentes. Temos a Literatura Informativa, que descreve as impressões dos viajantes sobre as novas terras e os indígenas. Há, também, a Literatura Catequética, produzida por jesuítas e missionários que estiveram na colônia para propagar a religião católica.

Entre os principais tipos de obras, destacam-se cartas, relatos, mapas, documentos e relatórios de viajantes, administradores e missionários.

Literatura Informativa

Podemos definir a Carta do Descobrimento (1500), de Pero Vaz de Caminha, escrivão da armada de Pedro Álvares Cabral, como a obra que inaugura a Literatura Informativa sobre o Brasil. Também conhecida como literatura de viajantes ou literatura de cronistas, foi uma marca das Grandes Navegações e buscou fazer um verdadeiro levantamento das terras recém-descobertas, mapeando suas florestas, fauna, habitantes, costumes etc., sempre a partir do olhar europeu.


Assim, muitos a veem como uma literatura descritiva, preocupada em relatar o novo, o diferente, e satisfazer a curiosidade dos leitores, especialmente, em Portugal e na Espanha sobre a América. No caso da Carta, a principal característica é a exaltação da terra, por isso, destaca-se o uso exagerado de adjetivos, resultante do assombro do europeu colonizador diante do exotismo e da exuberância do mundo tropical, que poderia fornecer diversas riquezas para os cofres portugueses.

Carta, de Pero Vaz de Caminha, por muito tempo conhecida como nossa “certidão de nascimento” (clique para ampliar).

Literatura Catequética

Já as produções da Literatura Catequética tinham caráter pedagógico, com a intenção de converter os indígenas ao catolicismo e impor a eles os costumes portugueses, em um violento processo de aculturação.

Além da poesia de devoção, os jesuítas cultivaram o teatro de caráter pedagógico, inspirado em passagens bíblicas, e produziram documentos que informavam aos superiores na Europa o andamento dos trabalhos na colônia.

Teve como principal expoente o jesuíta Padre José de Anchieta (1534 – 1597), que trouxe em suas obras a influência medieval, como a medida velha, teatro vicentino e visão teocêntrica do mundo (Deus no centro de tudo). Além da prosa e da poesia, destacou-se no teatro, criando peças que misturavam os costumes indígenas à moral católica, como o Auto de São Lourenço.

anchieta
Retrato do Padre José de Anchieta.

O jesuíta também deixou como legado a primeira gramática do tupi-guarani, verdadeira cartilha para o ensino da língua dos nativos, a Arte de grammatica da lingua mais usada na costa do Brasil.

Importância do Quinhentismo

Para muitos, as obras do Quinhentismo têm apenas caráter descritivo e são de pouco valor literário. Porém, essa é uma visão limitada e que deixa de lado muitos outros valores. Para o leitor de hoje, a Literatura Informativa e Catequética satisfazem a curiosidade a respeito do Brasil nos seus primeiros anos de vida como colônia, oferecendo o encanto das narrativas de viagem, da descrição de costumes etc. Para os historiadores, os textos são fontes obrigatórias de pesquisa. Mais adiante, com o movimento modernista, esses textos foram retomados pelos escritores brasileiros, como Oswald de Andrade, como forma de denúncia da exploração a que o país sofrera desde então. Então vale a pena conhecer esse período e suas produções, não é mesmo?

E não acabou! Vou deixar um post bem legal destacando um pouco mais as principais obras, sugestões de leituras e filmes!

 

Referências: 

MARQUES, Antonio Francisco et al. (Orgs.). Linguagens e seus códigos: língua portuguesa e língua inglesa. 2. ed. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2016.

“Quinhentismo”. Só Literatura. Virtuous Tecnologia da Informação, 2007-2019. Disponível em: http://www.soliteratura.com.br/quinhentismo/. Acesso em: 22/07/2019.


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Bruna Bengozi
Bruna é mestra em História pela USP e graduanda em Letras pela Univesp. Redescobriu (e redescobre) o amor pelos livros, pela música e pela vida. Aguarda ansiosamente a queda do capitalismo e do patriarcado. Sofre de "síndrome da impostora".

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1 comentário

  1. […] falei no post sobre Quinhentismo que não dá para estudar escolas literárias sem um bom livro de História em mãos. Então, vou […]

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