32 curiosidades sobre Pagu

Patrícia Rehder Galvão (1910 – 1962) é o nome de Pagu, uma artista que viveu intensamente toda a cena social, artística e política do Brasil do século XX. Muitas vezes, ela é apenas lembrada por sua beleza, relacionamentos amorosos e uma postura de mulher livre. No entanto, Pagu foi muito mais que qualquer esteriótipo. Eternizada na música de Rita Lee com Zélia Duncan (“sou Pagu indignada no palanque”), a artista merece todo reconhecimento, por isso, confira 32 curiosidades sobre Pagu:

Lugares

1. Nasceu em São João da Boa Vista, interior de São Paulo, em 1910. Aos dois anos, foi para São Paulo. Morou na Liberdade, Brás, Aclimação e Bela Vista. Depois, morou em Santos.

Apelidos

2. Foi o poeta Raul Bopp que deu a ela o apelido Pagu, que seria a primeira sílaba de seu nome e sobrenome. Porém, Bopp achava que o nome dela era Patrícia Goulart. O apelido pegou mesmo assim.

3. A família de Pagu chamava-a de Zazá.

4. Quando morou em Paris, usou o pseudônimo de Léonie.

Primeiros passos

5. Aos 15 anos, passou a colaborar em jornal chamado Brás Jornal e assinava como Patsy.

Viagens, estudos e amizades…

6. Recebeu o diploma de professora em 1928.

7. Estudou no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo e foi aluna de Mário de Andrade.

8. Pagu, aos 19 anos, conheceu os artistas da que estavam consagrando o Modernismo no Brasil: Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral, Geraldo Ferraz entre outros.

9. Como jornalista, Pagu viajou para os Estados Unidos, Argentina, França, União Soviética, China, Japão…

10. Em Paris, filiou-se ao Partido comunista da França e fez cursos na Universidade Sorbonne, a mesma universidade em que Simone de Beauvoir estudou.

11. Foi amiga do imperador, Pu-Yi (1906 – 1067), andou de bicicleta pelos corredores do palácio da corte manchu e dizem que ela conseguiu dele as sementes de soja que iniciaram a cultura do cereal no Brasil.

12. Em uma viagem de navio, entrevistou Freud.

Pagu
Foto de 1929. Pagu, Anita Malfatti, Benjamin Peret, Tarsila do Amral, Oswald de Andrade, Elsie Houston, Álvaro Moreyra, Eugênia Moreyra e Marimoon Gathier

Casamentos e filhos

13. Casou-se (em um cemitério – sim, isso mesmo) com Oswald de Andrade em 1930. O casal se separou em 1935. O filho deles foi chamado de Rudá Poronominare Galvão de Andrade.

14. Em 1940, casou-se com Geraldo Ferraz, escritor, jornalista e crítico literário. Teve um filho com ele, chamado de Geraldo Galvão Ferraz.

Política e ditadura no Brasil

15. Com Oswald de Andrade, filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro (PCB) e produziu, em 1931, um jornal chamado “O homem do povo“, com o objetivo de divulgar e apoiar as manifestações dos trabalhadores. O jornal tinha uma coluna chamada “Mulher do Povo“, espaço em que Pagu utilizou para escrever sobre feminismo.

16. Em 1940 Pagu rompeu com o partido, pois estava envolvida com outros ideais, que mais se aproximavam do comunismo de Trótski.

17. Em 1950, tentou uma vaga como deputada estadual, mas não conseguiu.

18. Fez parte de outros jornais da época, que colaboraram para denunciar os absurdos da Ditadura no Brasil, por isso o governo militar perseguia-a.

19. Ela foi detida diversas vezes pela ditadura. É considerada a primeira mulher presa política do Brasil. Em toda a sua vida, foi presa mais de 20 vezes e também sofreu as torturas do sistema.

Pagu
Pagu sendo levada pela ditadura em 1936

Literatura

Pagu
Primeiro livro da autora.

20. O seu primeiro livro chamado Parque Industrial (um romance sobre mulheres operárias na cidade de São Paulo), foi publicado em 1933 com o pseudônimo de Mara Lobo. O livro foi traduzido para inglês e francês.

21. Em 1945, publicou “A famosa revista“, um romance com a colaboração de Geraldo Ferraz.

22. Seus contos policiais que fizera parte de uma revista da época foram organizados por Geraldo Ferra e publicados em 1998. O título do livro: Safra Macabra.

23. Antes de ser presa, enterrou a parte de um romance em um terreno baldio em São Paulo, com medo de ter seu trabalho apreendido pela polícia. Quando voltou ao local, um prédio havia sido construído no terreno. A segunda parte da obra foi escrita na prisão e chama-se Microcosmo – Pagu e o homem subterrâneo – Correspondência.

24. Escreveu crônicas políticas e literárias no jornal chamado “A Vanguarda Socialista”.

pagu
Autobiografia de Pagu.

25. Escreveu uma autobiografia chamada Paixão Pagu. O livro é uma longa carta que ela escreveu ao escritor e também seu marido Geraldo Ferraz.

26. O seu último texto literário foi o poema Nothing, publicado no jornal A Tribuna, na véspera de sua morte.

27. Tornou-se um símbolo do Modernismo no Brasil porque sua própria postura e ações combinavam com os ideais da época. Apesar de não ter participado da Semana de Arte Moderna (na época ela tinha apenas 5 anos), o seu espírito rebelde e fora dos padrões da época colaborou para o fortalecer a segunda fase do movimento.

Desenhos

28. Além da escrita como objeto artístico e político, Pagu gostava de desenhar. Chegou, inclusive, a criar algumas histórias em quadrinhos chamadas ““Malakabeça, Fanika e Kabelluda”. Assim, ela é também considerada precursora do gênero feito por mulheres no Brasil.

paguMorte

29. Tentou suicídio por duas vezes, 1949 e 1962. Morreu de câncer em 12 de dezembro de 1962, em Santos. Sobre a sua primeira tentativa de suicídio, escreveu:

“Uma bala ficou para trás, entre gazes e lembranças estraçalhadas… Agora, saio de um túnel. Tenho várias cicatrizes, mas ESTOU VIVA… Apesar dos dez anos que abalaram meus nervos e minhas inquietações, transformando-me nesta rocha vincada de golpes e de amarguras, destroçada e machucada, mas irredutível.” Pagu

Legado

30. Um filme sobre ela foi lançado em 1988: “Eternamente Pagu”.

31. Em 2015, um jornal francês publicou um artigo sobre o livro Parque Industrial e afirmou a originalidade de sua obra: “Pagu tornou-se uma lenda!

32. Em 2019, uma peça de teatro entrou em cartaz. O nome: Eu Pagu.

EXTRA

Quando comecei a produzir este post, a ideia era fazer uma pequena lista com 10 curiosidades sobre ela. Porém, a pesquisa rendeu tantas descobertas que estou aqui, com uma lista de 32 curiosidades sobre Pagu.

Ainda é pouco, mas a certeza é que precisamos resgatar a vida e a obra de Pagu cada vez mais. Ou seja, registrar nos espaços digitais e presenciais a sua poderosa participação na história de nosso pais. Isso, com certeza é o grande legado que ela deixa e merece.

Pagu é realmente inspiradora.

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Francine Ramos

Faz da Livro&Café parte essencial de sua vida desde 2011. É professora de Língua Portuguesa, adora ler, escrever (um dia vai publicar um livro) e trabalhar com mediação de leitura. Acredita que os livros podem mudar o mundo e ama Virginia Woolf.

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