[Plano de aula] Dom Casmurro: leitura e compreensão – parte I

É um desafio ler Dom Casmurro com alunos do 9º ano, entretanto, tenho encarado o momento como uma possibilidade de reinventar a leitura e compreensão de uma obra literária que já carrega tantos estigmas: “ler Dom Casmurro na escola é horrível”, ou “Quando li Dom Casmurro na escola detestei”; entre outros absurdos compreensíveis.

Digo compreensíveis porque acredito muito na formação do leitor e, quando o leitor (aluno) não está preparado, o livro pode se tornar um pesadelo, principalmente porque ele ainda terá que lidar com as obrigatoriedades do vestibular que representam muita coisa no processo de aprendizagem do aluno, no entanto passa muito longe do que é, de fato, estudar e compreender a literatura.

Portanto, aqui está um Plano de Aula, mas também um relato sobre meus primeiros momentos com uma turma do 9º ano lendo Machado de Assis. Se estou empolgada? Sim! Muito!!! 🙂 Vamos lá!

10 motivos para ler Machado de Assis

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Conhecimentos prévios

  • Os alunos conheceram um pouco sobre a vida e a obra de Machado de Assis e elaboraram um painel sobre a vida dele, desde a infância à vida adulta;
  • Paralelo ao painel, realizamos rodas de leitura referente aos primeiros capítulos do livro. O objetivo foi aproximar os alunos da linguagem machadiana. Li com calma, fazendo todas as pausas necessárias para que eles compreendessem o estilo da época.
  • Assistimos a um pequeno trecho da minissérie “Capitu”, para que eles compreendessem a questão do narrador/personagem e também sobre como Capitu é interpretada enquanto personagem;
  • Fizemos uma atividade de leitura e interpretação de texto sobre as representações do amor (em muros, paredes, pontos turístico etc).
  • Retomamos o assunto das Figuras de Linguagem trabalhadas em aulas anteriores. Esclareci que o objetivo da atividade de leitura e compreensão não era identificar as figuras de linguagem, mas sim compreendê-las e explicá-las.

1ª etapa – Dom Casmurro – leitura e compreensão

Projetar (ou escrever na lousa) a frase abaixo e realizar as seguintes perguntas norteadoras:

“O meu fim evidente era atar as duas pontas da vida, e restaurar na velhice a adolescência. Pois, senhor, não consegui recompor o que foi nem o que fui”. (p. 10)

  • o que é um fim evidente?
  • Como a vida pode ser representada? Como um círculo ou como uma linha?
  • Como atar duas pontas? Se atar as duas pontas da linha, qual forma geométrica teremos?
  • Bentinho, então, que viver eternamente sua adolescência, como se a vida fosse de forma cíclica?
  • O que ele não conseguiu recompor? Ele está bem?

Fui realizando essas perguntas na medida em que os alunos comentavam sobre a frase. Quando todas as dúvidas foram sanadas, pedi que eles escrevessem a interpretação oral que tínhamos acabado de fazer no caderno.

2ª etapa Dom Casmurro – leitura e compreensão

Entreguei uma folha impressa com as perguntas abaixo. Informei aos alunos que cada um ficaria responsável por ler e interpretar uma frase, do mesmo modo que fizemos em sala. A atividade deve ser entregue na próxima semana.

Minha turma é pequena, por isso, cada um ficou responsável por realizar um item da atividade. Acredito que seja possível uma adaptação em turmas maiores, como fazer em grupos.

A continuação dessa aula, será explicada no próximo Plano de aula! 😉

Caso queira imprimir a atividade abaixo, fique à vontade.


Dom Casmurro (Machado de Assis)  | Leitura e compreensão – parte I

  1. Leia o trecho e responda.

“O meu fim evidente era atar as duas pontas da vida, e restaurar na velhice a adolescência. Pois, senhor, não consegui recompor o que foi nem o que fui”. (p. 10)

Explique a figura de linguagem. Há outra forma de dizer a mesma coisa?_________________________________________________________

  1. Leia o trecho e responda.

“O que se lê na cara de ambos é que, se a felicidade conjugal pode ser comparada à sorte grande, eles a tiraram no bilhete comprado de sociedade”. (p. 22)

Pergunta norteadora: Que felicidade é essa? Explique-a empregando outra metáfora.

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3.) Leia e responda.

“Um coqueiro vendo-me inquieto e adivinhando a causa, murmurou de cima de si que não era feio que os meninos de quinze anos andassem nos cantos com meninas de quatorze; ao contrário, os adolescentes daquela idade não tinham outro ofício, nem os cantos outra utilidade. Era um coqueiro velho, e eu cria nos coqueiros velhos, mais ainda que nos velhos livros. Pássaros, borboletas, uma cigarra que ensaiava o estio, toda a gente viva do ar era da mesma opinião.” (p. 32).

Pergunta norteadora: O narrador emprega recursos da linguagem figurada para se referir aos insetos, aves e animais. Que efeito essa figura de linguagem provoca? Explique.

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  1. Leia e responda.

“E as minhas pernas andavam, desandavam, estacavam, trêmulas e crentes de abarcar o mundo. Esse primeiro palpitar da seiva, essa revelação da consciência a si própria, nunca me esqueceu, nem achei que lhe fosse comparável qualquer outra sensação da mesma espécie. Naturalmente por ser minha. Naturalmente também por ser a primeira.” (p. 35)

Perguntas norteadoras: como explicar o movimento gradativo das pernas e que tipo de sensação elas refletem? Observe a repetição do termo “naturalmente”. Que efeito essa redundância expressa sobre o estado de espírito do narrador?

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  1. Leia e responda.

“…as pernas são também pessoas, apenas inferiores aos braços e valem de si mesmas, quando a cabeça não as rege por meio das ideias”. (p. 35)

“(…) todo eu era olhos e coração, um coração que desta vez ia sair, com certeza, pela boca fora”. (p. 35)

Perguntas norteadoras: como o personagem descreve Capitu? Por que isso é importante para ele? Que sentimento o narrador demonstrar sentir? Como você chegou a essa conclusão?

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  1. Leia e responda.

“Capitu era Capitu, isto é, uma criatura mui particular, mais mulher do que eu era homem”. (p. 76)

Pergunta norteadora: como você explica essa confissão de Dom Casmurro?

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7. Leia e responda.

 “As curiosidades de Capitu dão para um capítulo. Eram de vária espécie, explicáveis e inexplicáveis, assim úteis como inúteis, umas graves, outras frívolas; gostava de saber tudo”. (p. 77)

Pergunta norteadora: O narrador apresenta as curiosidades de Capitu com uma figura de linguagem que constrói esses atributos. Que efeito elas causam? Qual a relevância na construção da personagem?

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8. Leia e responda.

“Voltei-me para ela; Capitu tinha os olhos no chão. Ergueu-os logo, devagar, e ficamos a olhar um para o outro… Confissão de crianças, tu valias bem duas ou três páginas, mas quero ser poupado. Em verdade não falamos nada; o muro falou por nós.” (p. 37)

O termo destacado pode expressar uma ambiguidade. Por quê?
Na frase “tu valias bem duas ou três páginas”. A quem o narrador se refere?

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Francine Ramos

Faz da Livro&Café parte essencial de sua vida desde 2011. É professora de Língua Portuguesa, adora ler, escrever (um dia vai publicar um livro) e trabalhar com mediação de leitura. Acredita que os livros podem mudar o mundo e ama Virginia Woolf.

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