10 livros para entender a América Latina

Avanço do neoliberalismo na economia e conservadorismo nos costumes sob o governo Bolsonaro no Brasil, caos na Venezuela, austeridade na Argentina, manifestações nas ruas do Chile, crise política na Bolívia… Não é fácil entender os acontecimentos sociais, políticos e econômicos da América Latina. E toda resposta fácil, que desconsidere a história de cada país latino-americano e a conjuntura internacional, está fadada ao fracasso.

E como acreditamos que o caminho para entender e agir na História passa pelo estudo e não por fake news, indicamos alguns títulos que nos ajudam a enxergar a América Latina.

1. As Veias Abertas da América Latina, de Eduardo Galeano

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Leitura obrigatória! Remontando a 1970, sua primeira edição, atualizada em 1977, quando a maioria dos países do continente padecia facinorosas ditaduras, este livro tornou-se um ‘clássico libertário’, um inventário da dependência e da vassalagem de que a América Latina tem sido vítima, desde que nela aportaram os europeus no final do século XV. No começo, espanhóis e portugueses. Depois vieram ingleses, holandeses, franceses, modernamente os norte-americanos, e o ancestral cenário permanece – a mesma submissão, a mesma miséria, a mesma espoliação. + Compre na Amazon

“Nós nos negamos a escutar as vozes que nos advertem: os sonhos do mercado mundial são os pesadelos dos países que se submetem aos seus caprichos. Continuamos aplaudindo o sequestro de bem naturais com que Deus, ou o Diabo, nos distinguiu, e assim trabalhamos para a nossa perdição e contribuímos para o extermínio da escassa natureza que nos resta”. (Prefácio de Galeano à edição do livro As Veias Abertas da América Latina, L&PM, 2010, 397 p.).

2. História da América Latina, de Maria Ligia Prado e Gabriela Pellegrino

Os brasileiros, de modo geral, conhecem muito pouco sobre a rica e complexa História da América Latina. E isso acontece ainda que o país faça parte dessa região e que nossa história corra paralela à dos nossos vizinhos – desde a colonização ibérica, passando pela concomitância das independências políticas e da formação dos Estados nacionais, chegando aos temas do século XX (como a simultaneidade das ditaduras civis-militares). Daí a importância desta obra, que começa seu percurso com a crise dos domínios coloniais na América, passa pela construção de identidades e investiga educação, cidadania, cultura e política. Escrito com linguagem fluente por duas professoras da Universidade de São Paulo com relevantes estudos sobre a América Latina, o livro oferece aos leitores uma proximidade inédita com nossos vizinhos. Isso nos ajuda a pensar também sobre as questões do presente e entender as viscerais ligações históricas entre o Brasil e os demais países latino-americanos. + Compre na Amazon

3. Nossa América, de José Marti

Considerado em Cuba o apóstolo da independência e o mentor da revolução, José Marti propugnava a unidade estreita entre as nações latino-americanas, que, no seu entender, deveriam superar suas desavenças, erradicar o que de colonial restava dentro delas e pensar formas novas de reorganização interna para poder, assim, fazer frente aos desafios que o mundo moderno e o apetite expansionista do seu vizinho do Norte colocavam para o século XX. É a edição cuidadosamente anotada pelo poeta e escritor cubano Cintio Vitier, um dos mais destacados estudiosos da obra martiana, que o Nescuba e o Centro de Estudos Martianos põem à disposição do leitor brasileiro e latino-americano, cientes de que será um grande aporte para compreender a atual realidade vivenciada pelos povos do nosso continente. + Compre na Amazon

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4. A dialética da dependência, de Ruy Mauro Marini

A teoria marxista da dependência representa a mais importante interpretação do capitalismo periférico. Articulando o caráter dependente das nossas economias com a superexploração dos trabalhadores, Ruy Mauro Marini tornou-se um dos mais destacados pensadores sociais latino-americanos. A crise do Estado de bem-estar social e os processos de flexibilização laboral fizeram com que a superexploração do trabalho fosse exportada da periferia para as próprias sociedades centrais do capitalismo. A desregulação econômica, por sua vez, aumentou o grau de dependência das sociedades periféricas em relação às metrópoles capitalistas. Infelizmente, o livro encontra-se esgotado, mas é possível ler o ensaio neste site.

5. Latino-americana. Enciclopédia contemporânea da América Latina e do Caribe, de Emir Sader et al. (Orgs.)

Latino-americana – Enciclopédia Contemporânea da América Latina e do Caribe´apresenta uma visão sobre os processos políticos, sociais, econômicos, ambientais, artísticos e culturais, a partir de múltiplos pontos de vista, resguardando a riqueza de abordagens e os estilos de seus mais de cem autores. Coordenada por Emir Sader, Ivana Jinkings, Carlos Eduardo Martins e Rodrigo Nobil e, e editada por Aluizio Leite e Antonio Roberto Espinosa, a enciclopédia traz 980 verbetes, 1.040 fotos, 99 mapas, 80 tabelas, 46 fichas com dados gerais sobre cada país da região, em um conjunto de quase 1.500 páginas escritas por 123 autores de vários países. Uma obra de referência, mas também de reflexão e debate sobre o nosso continente e os povos que o compõem. + Compre na Amazon

6.Viva la revolución – A era das utopias na América Latina, de Eric Hobsbawn

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Um clássico de Hobsbawn, um dos historiadores mais importantes para quem busca compreender as transformações sociais e econômicas no século XX. “Após o triunfo de Fidel Castro em Cuba, em janeiro de 1959, e mais ainda após a tentativa fracassada de golpe dos americanos na Baía dos Porcos, dois anos depois, “não havia intelectual [de esquerda] na Europa ou nos Estados Unidos que não sucumbisse ao feitiço da América Latina, continente onde aparentemente borbulhava a lava das revoluções sociais”, escreveu o estudioso. Mas o caso do grande historiador britânico era especial: ele dizia que a América Latina era a única região do mundo, além da Europa, que conhecia bem e onde se sentia totalmente em casa. Membro do Partido Comunista da Grã-Bretanha desde seus dias de estudante na Universidade de Cambridge, Eric visitou Cuba no verão de 1960. Em 1962, passou três meses viajando entre Brasil, Argentina, Chile, Peru, Bolívia e Colômbia. Leitura essencial! + Compre na Amazon

7. Dicionário da escravidão e liberdade: 50 textos críticos

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Não dá para entender a constituição da América Latina sem passar por um dos momentos mais vergonhosos da história da humanidade: a escravidão. Então recomendo muito este livro para toda pessoa que quer entender o assunto e você pode conferir a resenha do livro aqui. Organizado por Lilia Moritz Schwarcz e Flávio dos Santos, o dicionário temático traz cinquenta textos dos maiores especialistas no tema. Um panorama abrangente de como a escravidão se enraizou perversamente em nosso cotidiano. + Compre na Amazon

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8. À Sombra das Ditaduras. Brasil e América Latina, de Janaína Martins Cordeiro et al. (Orgs.)

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A obra lança um olhar diferente sobre os regimes ditatoriais do Brasil e da América Latina. Um de seus organizadores, o historiador Daniel Aarão Reis, entende que novos caminhos na historiografia brasileira sobre as ditaduras se constroem a partir dos textos presentes neste livro, uma vez que, são escritos “por uma geração que não viveu sob o sinistro jugo dos regimes opressivos, mas que os tornou objeto de seus estudos e pesquisas e quer compreendê-los, fugindo das memórias lisas”. + Compre na Amazon

9. América Latina: A Pátria Grande

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Em América Latina: a Pátria Grande, Darcy Ribeiro procura ligar os diversos pontos que formam a grande comunidade denominada “América Latina”. Mergulhando com profundidade no estudo da história dos povos que fizeram parte de sua formação, o autor desvenda os motivos que levaram populações tão avançadas do ponto de vista socio-cultural a ocuparem uma posição secundária no plano internacional. Outro alvo de Darcy é compreender o que motivou o estabelecimento de regimes de governo ditatoriais em várias nações latino-americanas. + Compre na Amazon

10. Globalização, dependência e neoliberalismo na América Latina, de Carlos Eduardo Martins

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Em Globalização, dependência e neoliberalismo na América Latina, Carlos Eduardo Martins cumpre a difícil tarefa de atualizar as teorias sobre esses três conceitos-chave para o pensamento contemporâneo e a compreensão das sociedades, principalmente as periféricas. Em uma época de grandes incertezas e enorme aceleração do tempo histórico, o autor se propõe o desafio de captar o movimento de crescente articulação entre o global e as particularidades regionais, nacionais e locais, bem como os choque s entre forças sociais, políticas e ideológicas. Mapeando as forças dinâmicas de um mundo paradoxal, Martins parte dos estudos de Immanuel Wallerstein e Giovanni Arrighi sobre o capitalismo histórico e avança para uma discussão rigorosa da crise do moderno sistema mundial. + Compre na Amazon

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* Imagem de capa: mapa da América do Sul elaborado em 1546 por Pierre Descelliers. 

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Bruna Bengozi

Bruna é mestra em História pela USP, redescobriu (e redescobre) o amor pelos livros, pela música e pela vida. Aguarda ansiosamente a queda do capitalismo e do patriarcado. Sofre de "síndrome do impostor".

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