15 livros sobre saúde mental

Infelizmente, ainda existem muitos preconceitos em torno das doenças mentais, mesmo em consultórios médicos. E não custa lembrar que cuidar da saúde mental é tão importante quanto investir na saúde física!

Abaixo, listamos alguns livros de ficção e não-ficção que abordam temas delicados relacionados à saúde mental, como depressão, ansiedade, suicídio e outros assuntos, de modo sensível e corajoso. E deixamos aqui nosso recado mais sincero: se estiver passando por um momento difícil, não deixe de procurar ajuda! Você não está sozinho(a)!

 

1. O demônio do meio-dia, de Andrew Solomon

Já falei aqui que Andrew Solomon é um dos meus autores favoritos. Boa parte da minha admiração se dá por conta do meu próprio histórico de depressão, transtorno de ansiedade generalizada e síndrome do pânico. Foi com a leitura de O demônio do meio-dia que me senti menos sozinha e inadequada. Esta obra continua sendo uma referência sobre a depressão, para leigos e especialistas. Com rara humanidade, sabedoria e erudição, Solomon convida o leitor a uma jornada sem precedentes pelos meandros de um dos temas mais espinhosos e complexos de nossos dias. Entremeando o relato de sua própria batalha contra a doença com o depoimento de vítimas da depressão e a opinião de especialistas, o autor desconstrói mitos, explora questões éticas e morais, descreve as medicações disponíveis, a eficácia de tratamentos alternativos e o impacto que a depressão tem nas várias populações demográficas (sejam crianças, homossexuais ou os habitantes da Groenlândia). + Compre na Amazon

Leia mais: Trechos do livro “O demônio do meio-dia: uma anatomia da depressão”

 

2. Um crime da solidão: reflexões sobre o suicídio, de Andrew Solomon

Lançada em 2019 pela Companhia das Letras, esta obra é uma seleção inédita de textos de Solomon que discutem com sensibilidade e empatia os vários aspectos do suicídio e da depressão. O suicídio é o extremo a que a doença pode levar, e é muito mais comum do que imaginamos: a cada quarenta segundos, alguém tira a própria vida. Nestes artigos, Solomon reflete sobre casos recentes de suicídio de personalidades, como Anthony Bourdain, Robin Williams e Kate Spade, assim como de literatos, entre eles Sylvia Plath e David Foster Wallace, e ainda Virginia Woolf, que “tentou salvar-se pela arte” mas que sofria de um mal clínico intolerável e escolheu a água como um meio de morrer. Com sua narrativa fluida e seu olhar sempre empático, ele relata e analisa uma série de casos de pessoas que acabaram partindo antes da hora. + Compre na Amazon

 

3. A redoma de vidro, de Sylvia Plath

A redoma de vidro é uma das obras que mais marcaram a minha vida e não poderia deixá-la fora desta lista. Lançado semanas antes da morte de Sylvia, em 1963, este livro é repleto de referências autobiográficas, e a narrativa em torno da história de Esther Greenwood é inspirada nos acontecimentos do verão de 1952, quando Silvia Plath tentou o suicídio e foi internada em uma clínica psiquiátrica. Além da elegância da prosa de Plath, o livro extrai sua força da forma corajosa como trata a depressão. Mais que um relato sobre problemas mentais, A redoma de vidro é uma narrativa singular acerca das dores do amadurecimento. + Compre na Amazon

Leia mais:

Abrindo a Redoma de Vidro, de Sylvia Plath: trechos da obra

A redoma de vidro (Sylvia Plath): o horror silencioso do cotidiano

 

4. O papel de parede amarelo, de Charlotte Perkins Gilman

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Uma mulher fragilizada emocionalmente é internada, pelo próprio marido, em uma espécie de retiro terapêutico em um quarto revestido por um obscuro e assustador papel de parede amarelo. Por anos, desde a sua publicação, o livro foi considerado um assustador conto de terror, com diversas adaptações para o cinema, a última em 2012. No entanto, por conta da trajetória da autora e de novas releituras, é hoje considerado um relato pungente sobre o processo de enlouquecimento de uma mulher devido à maneira infantilizada e machista com que era tratada pela família e pela sociedade. + Compre na Amazon

 

5. O homem que não conseguia parar: TOC e a história real de uma vida perdida em pensamentos, de David Adam

David Adam foi vítima do transtorno obsessivo-compulsivo durante vinte anos e, como a maioria das pessoas que sofrem desse mal, levou muito tempo para assumir que precisava de tratamento. Com base em pesquisas e relatos surpreendentes, o autor questiona ideias preconcebidas sobre normalidade e doença mental para tentar compreender o TOC e suas manifestações. O que leva uma jovem etíope a comer a parede da própria casa? Ou dois irmãos a morrerem soterrados por objetos e lixo acumulados por anos? Em que momento uma ideia inofensiva se transforma numa torrente de pensamentos indesejados? Escrito com clareza, humor e lirismo, O homem que não conseguia parar é a história de um pesadelo pessoal e uma incursão pelos recantos mais obscuros da mente. + Compre na Amazon

 

6. Meus tempos de ansiedade, de Scott Stossel

A partir de sua própria vivência da ansiedade, o editor da revista Atlantic investiga essa doença que, se não existia como categoria diagnóstica 35 anos atrás, hoje é o mais comum distúrbio mental oficialmente classificado. Embora seja generalizado, o mal permanece uma incógnita, muitas vezes mal compreendido. Trata-se, afinal, de um estado espiritual, um distúrbio neuroquímico, um trauma psicológico? Entre o relato íntimo e a exposição de argumentos de autoridade, o autor nos oferece uma história de todas essas perspectivas, da médica à filosófica, das mais remotas às contemporâneas. + Compre na Amazon

 

7. Mrs. Dalloway, de Virginia Woolf

Obra mais famosa de Virginia Woolf, Mrs. Dalloway narra um único dia da vida da famosa protagonista Clarissa Dalloway, a ansiosa mulher que percorre as ruas de Londres dos anos 1920 cuidando dos preparativos para a festa que realizará no mesmo dia à noite. Pioneiro na exploração do inconsciente humano por meio do fluxo de consciência, Mrs. Dalloway se consagrou tanto pelo experimentalismo linguístico quanto pelo retrato preciso das transformações da Inglaterra do período entre guerras, trazendo personagens diante de conflitos psicológicos. + Compre na Amazon

 

Leia mais: Impressões sobre Mrs. Dalloway: uma escrita inconfundível

8. As Horas, de Michael Cunningham

Ganhador do prêmio Pulitzer de Literatura de 1999, este livro de Michael Cunningham pode ser definido como a saga da consciência de três mulheres – uma real, duas fictícias – em busca de algum tipo de inserção no mundo ‘normal’. A personagem real, espécie de matriz iluminadora de todo o livro, é Virginia Woolf, cujo suicídio, em 1941, é narrado de forma comovente e realista logo nas primeiras páginas. Ela, mais Laura Brown, uma dona de casa angustiada num subúrbio de Los Angeles, em 1949, e Clarissa Vaughn, editora de sucesso na Manhattan de hoje, são as protagonistas deste livro surpreendente, adaptado para o cinema em 2002. Três mulheres unidas pela luta com a depressão, ansiedade e suicídio. + Compre na Estante Virtual

 

9. Afluentes do Rio Silencioso, de John Wray

Terceiro livro do elogiado autor norte-americano John Wray, Afluentes do Rio Silencioso narra um dia decisivo na vida de William Heller, jovem de dezesseis anos que sofre de esquizofrenia. Acometido de um delírio, ele foge da clínica psiquiátrica onde está internado e empreende uma jornada pelo sistema de metrô de Nova York. Opondo a imagem da cidade frenética e iluminada da superfície à descrição dos subterrâneos opressores onde se movimenta o personagem, o livro oferece uma brilhante metáfora da mente não medicada de William. + Compre na Amazon

 

10. Sua Voz Dentro de Mim, de Emma Forrest

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Aos 22 anos, a jornalista, escritora e roteirista Emma Forrest parecia levar uma vida maravilhosa: havia deixado a casa dos pais em Londres, cidade onde foi criada, para morar em Nova York, tinha um contrato com o jornal The Guardian e estava prestes a publicar seu primeiro livro. Mas, por trás da aparência bem-sucedida, havia uma jovem com sérios problemas psiquiátricos, que se cortava com gilete, sofria de bulimia e era extremamente autodestrutiva. Em Sua voz dentro de mim, Emma apresenta suas memórias, sem medo de expor o lado mais escuro que guarda dentro de si. Apesar de toda a dor e do mergulho profundo na depressão e na autodestruição que permeiam o livro, Emma Forrest consegue explorar a beleza do amor e falar de superação ao longo das páginas. De quebra, ela ainda faz refletir sobre a relação que temos com nós mesmos. + Compre na Amazon

 

11. Garota Interrompida, de Susanna Kaysen

Garota interrompida já se tornou um clássico e ficou famoso pela adaptação no cinema, com Winona Ryder e Angelina Jolie no elenco. A obra aborda a passagem da adolescência para a vida adulta. A personagem principal, Susanna, termina o Ensino Médio, mas não sabe que caminho seguir, o que para os pais já seria um problema. Mas a jovem se confunde ainda mais quando ela se envolve com um professor e tenta se matar. Seus pais a convencem de passar um tempo em Claymoore, um hospital psiquiátrico, onde ela conhece outras jovens, com problemas maiores e distúrbios grandes, mas suas diferenças irão uni-las. Agora cabe a Susanna usar esta experiência para se encontrar e superar seus medos ou ser esquecida ali. + Compre na Amazon

 

12. Sharp Objects: Objetos Cortantes, de Gillian Flynn

Outra obra adaptada para as telas, desta vez para a série da HBO protagonizada por Amy Adams. Com reviravoltas surpreendentes, Sharp Objects: Objetos cortantes narra o retorno da repórter Camille Preaker, recém-saída de um hospital psiquiátrico, à sua cidade natal para investigar o brutal assassinato de uma menina e o desaparecimento de outra. Desde que deixou a pequena Wind Gap, no Missouri, oito anos antes, Camille quase não falou com a mãe neurótica, o padrasto e a meia-irmã que praticamente não conhece. Hospedada na casa da família, a jornalista precisa lidar com as memórias difíceis de sua infância e adolescência. E à medida que as investigações para elaborar sua matéria avançam, Camille passa a desvendar segredos perturbadores, tão macabros quanto os problemas que ela própria enfrenta. + Compre na Amazon

 

13. Um estranho no ninho, de Ken Kesey

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O romance de Ken Kesey é inspirado em suas próprias experiências quando participou de pesquisas com drogas psicoativas no centro psiquiátrico do Menlo Park Veterans Hospital (Califórnia). Um estranho no ninho é protagonizado por R. P. McMurphy, um preso que escapa da condenação fingindo-se de louco. McMurphy é então internado em um hospício, sob a tutela da sádica Chefona, a enfermeira Ratched, que comanda os internos com suas rigorosas sessões de terapia e eletrochoque. Aos poucos McMurphy percebe que o hospício pode ser muito pior que a prisão, nesse novo universo cercado de pacientes inseguros, ansiosos e constantemente dopados. Pessoas que buscaram refúgio da sociedade no hospício. Um livro louco, mas muito real, e que deu origem ao famoso filme protagonizado por Jack Nicholson em 1975. + Compre na Amazon

 

14. Tartarugas até lá embaixo, de John Green

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Repleto de referências da vida do autor – entre elas, a tão marcada paixão pela cultura pop e o TOC, distúrbio mental que o afeta desde a infância –, Tartarugas até lá embaixotem tudo o que fez de John Green um dos mais queridos autores contemporâneos. Um livro incrível, recheado de frases sublinháveis, que fala de amizades duradouras e reencontros inesperados, fan-fics de Star Wars e – por que não? – peculiares répteis neozelandeses. + Compre na Amazon

 

15. Alucinadamente Feliz. Um Livro engraçado sobre coisas horríveis, de Jenny Lawson

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Jenny Lawson está longe de ser uma pessoa comum. Ela mesma se considera colecionadora de transtornos mentais, já que é uma depressiva altamente funcional com transtorno de ansiedade grave, depressão clínica moderada, distúrbio de automutilação brando, transtorno de personalidade esquiva e um ocasional transtorno de despersonalização, além de tricotilomania (que é a compulsão de arrancar os cabelos). Por essa perspectiva, sua vida pode parecer um fardo insustentável. Mas não é. + Compre na Amazon

E então, deixei alguma sugestão de fora? Me avise nos comentários!

* Imagem de capa: “Melancholy”, de Edgar Degas (1874).

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Bruna Bengozi

Bruna é mestra em História pela USP, redescobriu (e redescobre) o amor pelos livros, pela música e pela vida. Aguarda ansiosamente a queda do capitalismo e do patriarcado. Sofre de "síndrome do impostor".

2 Comentários
  1. Olá, parabéns pelo texto! Tenho um livro a sugerir: O Lado Bom da Vida , de Matthew Quick, que acabou virando filme e rendeu um Oscar a Jennifer Lawrence.

    1. Oi Gabi! Que legal que gostou da lista. E esse livro quase entrou na primeira parte, pois adorei o filme e tenho muita vontade de ler a obra que o inspirou. Na parte 2, certeza que ele estará citado!

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