[Plano de aula] Gênero textual: Crônica – leitura e interpretação

Crônica é um estilo de texto que foi muito explorado pelos jornais quando ocorreu a facilidade de impressão e, ao mesmo tempo, a rapidez das informações. Foi na Paris do século XIX que ela apareceu pela primeira vez.

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Talvez, de uma forma geral, as redes sociais tiraram um pouco a necessidade de escrever crônica. Porém, a necessidade de compreender suas características são tão importantes quanto fomentar esse estilo de texto que mistura jornalismo e literatura.

Aqui no Brasil, a crônica possui algumas características próprias e muitos escritores do século XX, principalmente, produziram crônicas para os principais jornais do país, como: Clarice Lispector, Lima Barreto, Fernando Sabino, Luis Fernando Veríssimo entre tantos.

Pensando nisso, a atividade abaixo contém dois textos, uma crônica e uma notícia para ser usada com alunos do Ensino Médio. A princípio, a partir da leitura realizada pelo aluno ou pelo professor, poderá gerar um bate-papo para elencar as principais diferenças e semelhanças entre os dois texto.

Objetivos:

  • identificar semelhanças e diferenças em diferentes gêneros textuais;
  • observar as diferentes linguagens para uma mesma situação;
  • reconhecer os padrões da língua: linguagem formal, informal ou coloquial
  • reconhecer a função predominante em uma crônica

Texto 1 – Crônica

Crônica
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A casa das ilusões perdidas ( Moacyr Scliar)
Folha de São Paulo, 14/6/1999

        Quando ela anunciou que estava grávida, a primeira reação dele foi de desagrado, logo seguida de franca irritação. Que coisa, disse, você não podia tomar cuidado, engravidar logo agora que estou desempregado, numa pior, você não tem cabeça mesmo, não sei o que vi em você, já deveria ter trocado de mulher havia muito tempo. Ela, naturalmente, chorou, chorou muito. Disse que ele tinha razão, que aquilo fora uma irresponsabilidade, mas mesmo assim queria ter o filho. Sempre sonhara com isso, com a maternidade -e agora que o sonho estava prestes a se realizar, não deixaria que ele se desfizesse.

        – Por favor, suplicou. – Eu faço tudo que você quiser, eu dou um jeito de arranjar trabalho, eu sustento o nenê, mas, por favor, me deixe ser mãe.

        Ele disse que ia pensar. Ao fim de três dias daria a resposta. E sumiu.

        Voltou, não ao cabo de três dias, mas de três meses. Àquela altura ela já estava com uma barriga avantajada que tornava impossível o aborto; ao vê-lo, esqueceu a desconsideração, esqueceu tudo – estava certo de que ele vinha com a mensagem que tanto esperava, você pode ter o nenê, eu ajudo você a criá-lo.


        Estava errada. Ele vinha, sim, dizer-lhe que podia dar à luz a criança; mas não para ficar com ela. Já tinha feito o negócio: trocariam o recém-nascido por uma casa. A casa que não tinham e que agora seria o lar deles, o lar onde – agora ele prometia – ficariam para sempre.

        Ela ficou desesperada. De novo caiu em prantos, de novo implorou. Ele se mostrou irredutível. E ela, como sempre, cedeu.

        Entregue a criança, foram visitar a casa. Era uma modesta construção num bairro popular. Mas era o lar prometido e ela ficou extasiada. Ali mesmo, contudo, fez uma declaração:

        – Nós vamos encher esta casa de crianças. Quatro ou cinco, no mínimo.

        Ele não disse nada, mas ficou pensando. Quatro ou cinco casas, aquilo era um bom começo.

Texto 2 – Notícia

Polícia investiga troca de bebê por casa
da Agência Folha
A polícia do Paraná está investigando três casos de doação ilegal de bebês no Estado, que teriam sido trocados pelos pais por material de construção, cestas básicas e por uma casa. Os três casos envolvem a troca de quatro crianças.
            O caso mais recente aconteceu no mês passado, em Campina Grande do Sul. Elizabete Souza Brandão, 18, entregou no dia 11 de maio a filha, nascida dois dias antes, para um casal de Santa Catarina, ainda não localizado ou identificado pela polícia. Elizabete está foragida e a polícia ainda não sabe onde está a menina nem tem pistas do casal que a levou.
            Em outro caso, que aconteceu em abril, no município de Pontal do Paraná (litoral do Estado), Maria do Nascimento Silva, 38, entregou seu filho para Jurema Marcondes Frumento.
            Jurema, segundo a polícia, intermediou uma negociação com um casal que teria levado a criança para o Mato Grosso.
            A mãe, Maria do Nascimento, disse à polícia que, em troca do bebê, receberia cestas básicas e uma casa em Pontal avaliada em R$ 13 mil. Ela mesma denunciou o caso à polícia porque, apesar de ter recebido as cestas, não ganhou a casa.
            Jurema Frumento disse à Agência Folha ontem que não ganhou nada intermediando a negociação. Em seu depoimento, ela disse que seu objetivo foi ajudar Maria.


Responda:

  1. Os dois textos abordam o mesmo assunto. Qual é esse assunto?
  2. Na crônica, sabemos que o autor buscou inspiração no cotidiano, na vida real. Em que consiste esse material?
  3. De alguma forma, os dois textos, podem chocar o leitor. Porém, em sua opinião, qual texto possui mais sensibilidade? Por quê?
  4. Preencha a tabela abaixo marcando um “x” na opção correta.

5. Produza uma crônica a partir de uma notícia recente.


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2 comentários

  1. Quais são as respostas?

  2. Qual são as respostas ? Podem dizer?

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