Mais um ano de sabotagem: eu não vou nas montanhas russas

Mais um ano de sabotagem: eu não vou nas montanhas russas

Eu sou escritora e escrevo isso como uma forma de me sentir confortável com o termo. Eu também sou outras coisas (que pagam meus boletos e outras que não pagam), mas, acima de tudo, eu sou uma típica escritora, que toma café e briga com a gata todos os dias porque ela derruba os livros – espalhados pela casa no chão.

Porém, o fato de eu ser escritora me coloca em um lugar de desafio não encarado. Sabe aquela montanha russa que você insistia, quando jovem, que não entraria porque não era radical o suficiente para você? É isso: eu sou a jovem no parque de diversões que de repente, por medo, deixa de escrever.

E que medo é esse? É claro que o medo é do fracasso. Escrever um conto e não conseguir chegar ao fim. Ou, chegar ao fim e concluir que tudo está uma grande merda. Essa tem sido minha vida de escritora e chego ao final desse 2019 com diversas montanhas russas que não fui.

Como escritora, não posso colocar aqui um voto de pura felicidade para 2020 e comentar sobre 10 passos para conseguir entrar em todas as montanhas russas da vida. É o que penso agora porque morro de medo de entrar no charlatanismo: dar ideias para uma coisa que nunca consegui fazer sozinha.

Imagina só, digo a mim mesma enquanto a construção ao lado derruba mais alguma coisa no chão, dois mil e vinte pode chegar, passar e você continuar assim: uma escritora que não vai nas montanhas russas.

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Francine Ramos
Editora da Livro&Café desde 2011. É professora de Língua Portuguesa e tenta ser escritora (um conto seu foi publicado na coletânea Leia Mulheres, em 2019). Acredita que os livros podem mudar o mundo e ama Virginia Woolf.

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