O Segredo da Caverna: para refletir sobre o uso em excesso das tecnologias

O Segredo da Caverna, de Wagner Bezerra pode fazer parte da lista de todo leitor preocupado com o uso em excesso das tecnologias. E muito além de uma proibição tola e sem justificativas, o livro dá uma bela oportunidade de reflexão com base no “mito da caverna”, de Platão, presente no livro “A república”.

Basicamente, a história é sobre pessoas que vivem aprisionadas em uma caverna sem imaginar o que há fora dela. Essas pessoas são “dominadas” por sombras projetas na parede, de forma que criam uma ideia de que aquilo é tudo que há em suas vidas, o que dificulta o pensamento crítico e o próprio conceito de liberdade e escolhas.

A fábula da TV e da internet

No livro O segredo da Caverna, o autor reconta essa história como uma fábula e traz personagens que carregam nomes referentes às suas próprias habilidades perante o conhecimento. Episteme, a mulher que sai pela primeira vez da caverna, relaciona-se diretamente ao sentido de seu nome: o conhecimento real, verdadeiro e com base científica.

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As sombras, denominadas de Eikones, são as tecnologias, que aprisionam as pessoas em suas casas, em suas televisões e celulares, fazendo-as esquecerem do mundo lá fora.

O sentido de moderação também é abordado, uma vez que não se pode negar a influência da tecnologia nos dias de hoje.

Por outro lado, o livro traz o olhar crítico e o conhecimento como uma base para que, de repente, as pessoas não caiam dentro da caverna e vivam felizes como se não estivessem presas.

Assim, no processo da personagem conhecida também como “A libertadora”, quando ocorre a sua saída da caverna pela primeira vez, a luz – que representa o conhecimento, causa dor em seus olhos (a fotofobia). Ou seja, adquirir o conhecimento não é fácil ou simples e, muitas vezes atingir uma ideia nova ou um pensamento verdadeiro é um caminho árduo, mas que constrói em si mesmo algo maior que pode ser compartilhado com as outras pessoas ainda presas em cavernas.

Por fim, tolo será aquele que imagina-se livre de todas as sombras, de todas as cavernas. Sempre há uma caverna e um mundo lá fora que pode ser desbravado.


Leia também: As Cavernas de Aço (Isaac Asimov): ficção científica,
policial e o mito da caverna

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Francine Ramos
Editora da Livro&Café desde 2011. É professora de Língua Portuguesa e tenta ser escritora (um conto seu foi publicado na coletânea Leia Mulheres, em 2019). Acredita que os livros podem mudar o mundo e ama Virginia Woolf.

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