racismo

17 palestras do TED sobre racismo

O racismo está em pauta. Movimentos antirracistas foram às ruas para protestar contra a morte de George Floyd e outras pessoas negras assassinadas por policiais nos EUA. No Brasil, protestos contra o assassinato de João Pedro, de 14 anos, no Rio de Janeiro, e de Miguel, de 5 anos, no Recife, ganham as redes sociais.

Não são casos isolados. São retratos de dois países fortemente marcados pelo racismo há séculos. Racismo que impacta as mentes e corpos de todos que são racializados, punidos, mortos por uma branquitude que não se pensa.

E como combater esse mal? Ouvindo, em primeiro lugar. Se abrindo ao conhecimento do outro, de suas dores, de suas esperanças. Por isso, trouxe algumas palestras de pessoas que pensam e sentem o racismo. E que possamos aprender e ajudar na luta.

Racismo estrutural | AD Junior

Quando pretendeu ser um blogueiro de viagens, AD Junior se deparou com um forte racismo estrutural. De forma clara, ele apresenta uma linha do tempo com os elementos da própria legislação brasileira que constituíram essa estrutura que, até hoje, impede que negros cheguem a um lugar que todos os brancos têm o privilégio de ocupar. Formado no Instituto SAE (School of Audio Engineering) em Cross Media Production and Publishing, e Literatura Inglesa, Conversação e Cultura pela Universidade da Califórnia – UC Irvine, AD Junior é gerente de marketing on-line, influenciador digital e ativista. Casado há dez anos, mora em Hamburgo, na Alemanha, e dá palestras, além de prestar consultoria para empresas no Brasil e na Europa sobre questões relacionadas ao racismo estrutural. AD criou uma plataforma de educação voltada ao público afro-brasileiro e tem o sonho de fazê-la chegar a todos os lugares, desde alunos até professores e pessoas que queiram aprender sobre a luta antirracista. Ama estudar e pesquisar questões ligadas à sociologia, à antropologia e à ciência no combate ao racismo estrutural, assim como dividir e adquirir conhecimentos com as pessoas. 

A política racial do tempo | Brittney Cooper

“Se o tempo tivesse uma raça, seria branca”, diz a teórica cultural Brittney Cooper. Nesta palestra instigante, Cooper reavalia o racismo e a discriminação pelas lentes do tempo, mostrando-nos como, em toda a história, tempo tem sido roubado das pessoas racializadas, resultando na perda de momentos de alegria e conexão, na perda de qualidade de vida saudável e no atraso do progresso.

Os símbolos do racismo sistêmico e como tirar o poder deles | Paul Rucker

O artista multidisciplinar Paul Rucker está desenterrando o legado do racismo sistêmico nos Estados Unidos. Um colecionador de artefatos conectados à história da escravidão – de ferros e grilhões a cartões postais representando linchamentos – Rucker não conseguiu encontrar um manto Ku Klux Klan intacto para sua coleção, então ele começou a fazer o seu. O resultado: roupas impressionantes em tecidos não tradicionais, como tecido kente, camuflagem e seda que enfrentam a normalização do racismo sistêmico no país. “Se nós, como povo, coletivamente olharmos para esses objetos e percebermos que eles fazem parte da nossa história, podemos encontrar uma maneira deles não terem mais poder sobre nós”, diz Rucker. (Esta palestra contém imagens gráficas).

Como o racismo nos deixa doentes? | David R. Williams

Por que a raça exerce uma influência tão grande na saúde? David R. Williams desenvolveu uma escala para medir o impacto da discriminação no bem-estar, indo além de medidas tradicionais como renda e educação para revelar de que modo fatores como preconceito implícito, segregação residencial e estereótipos negativos criam e sustentam a desigualdade. Nesta palestra surpreendente, Williams mostra como o racismo está produzindo um sistema manipulado e dá exemplos otimistas de projetos nos EUA para acabar com a discriminação.

O racismo, quando não nos mata, nos torna inseguras | Karina Vieira

Karina Vieira orienta suas pesquisas na questão da formação da identidade da mulher negra na zona oeste do Rio de Janeiro e, por conseguinte, da comunidade negra. Segundo ela, a população negra precisa de espelhos positivos, e apresenta exemplos de mulheres e situações que estão contribuindo para a formação positiva desta identidade. Karina mostra que: “Individualmente, não possuímos dinheiro ou riquezas, mas, coletivamente, ninguém nos para”. Karina Vieira é graduada em Comunicação Social e pós-graduanda em Gestão de Políticas Sociais pela Universidade Castelo Branco, Consultora de Comunicação do Baobá – Fundo pela Equidade Racial, Diretora de Comunicação da AUR, e pesquisadora de dois grupos de extensão da UCB.


Precisamos romper com os silêncios | Djamila Ribeiro

Em uma palestra sobre inclusão social e justiça, Djamila Ribeiro trata de questões como o direito à voz em uma sociedade que se silencia frente às desigualdades. Mestre em Filosofia Política pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), secretária-adjunta da Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo e colunista da revista Carta Capital, Djamila é conhecida pela militância nos movimentos negro e feminista.

Entrevista com as fundadoras do movimento “Vidas Negras Importam” (Black Lives Matter)

Nascido em um post numa rede social, o movimento Black Lives Matter provocou discussões sobre raça e desigualdade em todo o mundo. Nesta conversa animada com Mia Birdsong, as três fundadoras do movimento compartilham o que aprenderam sobre liderança e o que lhes proporcionam esperança e inspiração diante de realidades dolorosas. Seus conselhos sobre como participar para garantir a liberdade de todos: junte-se a algo, comece-o e “afiem-se mutualmente, para que todos possamos crescer”.

Como desconstruir o racismo, uma manchete por vez | Baratunde Thurston

O escritor, ativista e comediante Baratunde Thurston explora o fenômeno dos norte-americanos brancos que chamam a polícia devido a norte-americanos negros que cometeram os crimes de… comer, andar ou geralmente “viver sendo negros”. Nesta palestra profunda, instigante e muitas vezes hilariante, ele revela o poder da linguagem para transformar histórias de trauma em histórias de cura, enquanto desafia a todos nós a avançarmos para o próximo nível.

Racismo tem um custo para todos | Heather C. McGhee

“O racismo piora nossa economia – e não apenas de maneiras que prejudicam as pessoas negras”, diz a especialista em políticas públicas Heather C. McGhee. A partir de suas pesquisas e viagens pelos EUA, McGhee compartilha percepções surpreendentes de como o racismo alimenta más políticas e esgota nosso potencial econômico – e oferece uma reflexão crucial sobre o que podemos fazer para criar uma nação mais próspera para todos. “Nossos destinos estão ligados”, diz ela. “Custa muito para nós permanecermos divididos”.

O racismo e o audiovisual no Brasil | Maria Gal

Maria Gal fala sobre o impacto do racismo na sociedade a partir do mercado de produção de audiovisual no Brasil e expõe porcentagens que refletem o tamanho da invisibilidade de mulheres e atrizes negras no mercado de trabalho. Atriz, produtora e apresentadora, estudou na Escola de Artes Dramáticas de São Paulo e cofundou a “Cia Os Crespos”, composta só de atores negros. Atuou em inúmeras peças de teatro, como “Os Sertões”, no Teatro Oficina, e “Anjo Negro”; filmes como “Carandiru”, “Um Homem Qualquer”, “Ensaio sobre Carolina” e “The Imperfect Man” e programas de televisão, como “Castelo Ra-tim-bum. Foi premiada como Melhor Atriz Coadjuvante, pelo curta “D.O.R.” 

Um novo olhar sobre a pessoa negra; novas narrativas importam | Gabi Oliveira

O DePretas por Gabi Oliveira, criado em agosto de 2015, é um canal no Youtube para conversar sobre estética negra e relações étnico-raciais, com empatia e bom humor. O canal é referência em temas relacionados à diversidade e autoaceitação, além de cuidados com cabelos crespos e maquiagem para pele negra. Formada em Comunicação Social e com 26 anos, Gabi Oliveira, em pouco mais de dois anos de trabalho na internet, conquistou notório reconhecimento, tendo chegado à marca de mais de 550 mil seguidores em suas redes, tendo o posto de segundo maior canal do YouTube, no segmento, e sendo um dos canais participantes do programa Creators For Change, da Google. Gabriela está na lista de mulheres inspiradoras, da Think Olga, e já palestrou no Latin America Education Forum (LAEF), na Universidade de Harvard, e no evento Rio2C.

O perigo da história única | Chimamanda Ngozi Adichie

As nossas vidas, as nossas culturas, são compostas por muitas histórias sobrepostas. A romancista Chimamanda Adichie conta a história de como descobriu a sua voz cultural — e adverte que, se ouvirmos apenas uma história sobre outra pessoa ou país, corremos o risco de um erro crítico.

Eu quero poder ser fraca | Stephanie Ribeiro

Nesta palestra, Stephanie Ribeiro conta sobre a sua experiência de cura pela escrita. Stephanie é arquiteta e urbanista, ativista feminista e escritora. Contribui com textos e artigos para diversos meios, além de participar de palestras e eventos. 

A síndrome do colonizador | MC Martina

A poesia marginal e o rap são agentes transformadores da realidade. Nesta talk incisiva, MC Martina relata o engajamento de jovens do Complexo do Alemão e de outras comunidades cariocas que, com sua poesia, denunciam a cruel realidade da população negra em nosso país, em que uma pessoa negra é assassinada a cada 23 minutos, totalizando 71 mortes de pessoas negras por dia. Poeta, rapper e produtora cultural nascida e criada no Complexo do Alemão, zona norte do Rio, é idealizadora do Slam Laje, batalha de poesia que acontece mensalmente no Alemão. Martina também é uma das fundadoras dos Poetas Favelados, coletivo que realiza “Ataques Poéticos” em transportes e espaços públicos pela cidade. Também Integra o Movimentos, grupo de jovens de varias periferias do Rio que discutem e acreditam em uma nova política de drogas.

Como transformar o racismo em um problema solucionável e melhorar o policiamento | Dr. Philip Atiba Goff

Quando definimos o racismo como comportamentos e não como sentimentos, podemos medi-lo e transformá-lo de problema impossível a solucionável, como diz o cientista jurídico Phillip Atiba Goff. Em sua palestra, ele compartilha o trabalho do Center for Policing Equity, uma organização que auxilia departamentos de polícia a diagnosticarem e a rastrearem ações racistas no policiamento de modo a eliminá-las. 

Afrofuturo | Morena Mariah

Partindo de alguns incômodos que sentiu ao longo de sua formação enquanto menina negra que viveu entre a favela e os condomínios do Rio de Janeiro, Morena Mariah fala sobre o passado do povo negro sob a perspectiva da interrupção das vidas negras pelo processo de escravização. Ao olhar para esse passado, ela passa a questionar o futuro. Suas pesquisas a levaram a conhecer o futurismo, a ciência que pretende entender os desafios que temos no presente para construir o futuro em que queremos viver. Morena vê o futuro do povo negro como uma construção possível e convida a todos a passarem pelo difícil desafio da mudança para construir um futuro onde caibam todas as pessoas. Morena Mariah escolheu as favelas do Rio para deixar seu legado e vê a favela não como um problema, mas sim como a solução. Apaixonada pela troca de conhecimentos e saberes, trabalha como estrategista de comunicação com ênfase em vídeos. É graduanda em Estudos de Mídia pela Universidade Federal Fluminense, UFF, e coordenadora pedagógica do GATOMídia, um espaço de aprendizado em mídia e tecnologia para jovens negros e de espaços populares no Complexo do Alemão, e criadora do projeto Afrofuturo. Morena tem como principal foco ser um exemplo para as meninas e mulheres da favela onde vive. Ela sonha com um mundo onde as crianças possam ter outras perspectivas de futuro para além das que são apresentadas para o povo preto.

Como nós podemos começar a curar a dor da divisão racial – Ruby Sales

“Onde dói?” É uma pergunta que a ativista e educadora Ruby Sales fez ao viajar pelos EUA, olhando profundamente o legado de racismo do país e procurando fontes de cura. Nesta palestra emocionante, ela compartilha o que aprendeu, refletindo sobre seu tempo como combatente da liberdade no movimento dos direitos civis e oferecendo um novo pensamento sobre os caminhos da justiça racial.

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Bruna Bengozi
Bruna é mestra em História pela USP e graduanda em Letras pela Univesp. Redescobriu (e redescobre) o amor pelos livros, pela música e pela vida. Aguarda ansiosamente a queda do capitalismo e do patriarcado. Sofre de "síndrome da impostora".

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