Como escrever Graciliano Ramos

Como escrever? Graciliano Ramos responde

Como escrever? Qual técnica usar? Devemos ser livres? Devemos buscar a perfeição? Como? Graciliano Ramos responde.
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Em uma entrevista realizada em 1948, o escritor brasileiro Graciliano Ramos responde a essa pergunta tão simples, mas que pode causar tanta insegurança e medo nos jovens escritores. Faça a pergunta: Como escrever? Graciliano Ramos responde.

De que maneira as palavras devem sair de nossas cabeças para repousarem em nossas mãos, deslizarem nos papeis e criar histórias?

Cada escritor tem seu estilo (ou talvez passe uma vida toda em busca de um estilo próprio), porém, pensar e repensar sobre o próprio ato de escrever – e escrevendo, produz uma certa magia que acaba misturando o escritor em sua solidão e teto a tudo que pode corresponder ao fazer artístico.

Assim, o escritor é levado pela linguagem (que já possui) a criar uma outra linguagem, com palavras que ainda não foram colocadas naquela determinada ordem para formarem aquela história exclusiva. As letras, as sílabas, as palavras, os sons… tudo isso já existe e o escritor é aquela pessoa que quando consegue juntar tudo isso e produzir informação com beleza artística, descreve o seu mundo real ou inventado para todo mundo.

Mas como escrever, afinal? Como diferenciar um texto de outro em que é possível ler, ver e sentir o próprio fazer literário? Como escrever diante de tantas palavras surgindo em nossas cabeças e que, muitas vezes, se perdem no próprio processo de escrevê-las? E quando saber a hora de parar? Quando e como confiar na própria escrita?

Em uma entrevista realizada em 1948, o escritor brasileiro Graciliano Ramos responde a essa pergunta tão simples, mas que pode causar tanta insegurança e medo nos jovens escritores. Faça a pergunta: Como escrever? Graciliano Ramos responde:

“Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar. Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer.”

Graciliano Ramos, em 1948.

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Francine Ramos
Editora da Livro&Café desde 2011. É professora de Língua Portuguesa e tenta ser escritora (um conto seu foi publicado na coletânea Leia Mulheres, em 2019). Acredita que os livros podem mudar o mundo e ama Virginia Woolf.

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