Minus Mostra Acessível

Mimus Mostra Acessível proporciona inclusão social com tradução em Libras e Audiodescrição de apresentações performáticas

Três espetáculos do repertório da Mimus serão reapresentados na sua plataforma virtual com a gravação de duas faixas de narrativa adicionais, e de forma gratuita para o público, no canal do YouTube da Companhia de Teatro, nos dias 05, 06 e 07/03.

O projeto Mimus Mostra Acessível tem apoio financeiro do Estado da Bahia através da Secretaria de Cultura e da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Programa Aldir Blanc Bahia) via Lei Aldir Blanc, direcionada pela Secretaria Especial da Cultural do Ministério do Turismo, Governo Federal.

Marque na sua agenda e #savethedate. Nos próximos dias 05, 06 e 07/03 os artistas Deborah Moreira e George Mascarenhas farão o desdobramento do projeto Mimus Mostra com a democratização do acesso sem barreiras à arte performativa, por meio da inclusão social de três espetáculos do repertório da companhia de teatro que dirigem.

Intitulada Mimus Mostra Acessível, a nova iniciativa contará com tradução em Libras e Audiodescrição das profissionais Iracema Vilaronga, e Raquel Ferreira da Silveira, para as apresentações de “O Tigre” (sexta), “Refazendo Salomé” (sábado) e “MAR” (domingo), pela plataforma virtual da Mimus Companhia de Teatro, pelo YouTube (https://www.youtube.com/channel/UCV54MfZoVQEol6gGL3MSWGQ).

O link do canal será aberto e disponibilizado gratuitamente para o público em geral e portadores de deficiências auditiva e visual, que poderão acompanhar as gravações contemplando o conteúdo original das produções teatrais, inclusive com a parceria de diversas instituições sociais. A audiodescrição tem assinatura da ACESSU – Acessibilidade Universal, com roteiro, edição e mixagem de Juniro Almeida e consultoria, revisão e locução de Iracema Vilaronga (acessu_acessibildadeuniversal). Já Raquel Ferreira da Silveira (Facebook: Raquel Silveira) ficou responsável pela tradução em Libras como intérprete exclusiva.

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A programação inclusiva reforça as ações de acessibilidade e difusão teatral em tempos de distanciamento físico, reafirmando a vitalidade da arte e do teatro para todos, bem como sua possibilidade de inclusão. O projeto investe na continuidade do diálogo com o público e no acesso a obras teatrais que têm por base a experimentação e a renovação da linguagem teatral a partir da investigação da corporeidade e de teatralidades contemporâneas, com trocas verbais e não verbais, inspiradas no sistema da mímica corporal dramática de Etienne Decroux.

“Essa é uma movimentação importante para dar suporte à cultura, especialmente nesse momento de distanciamento fisico e caráter emergencial, tendo um importante papel na saúde mental e emocional das pessoas, ativando linguagens de experimentações estéticas inclusivas no teatro on line, com o apoio fundamental da Secretaria de Cultural do Estado e  Fundação Cultural através do programa Aldir Blanc Bahia e Prêmio das Artes Jorge Portugal”, afirma George Mascarenhas, também professor da UFBA e representante no Brasil da WMO – World Mime Organization (Organização Mundial de Mímica).

Para a Mimus Companhia de Teatro, apresentar seu repertório garantindo a este público especial acesso à poética da Companhia – ancorada na investigação corporal, em princípios e procedimentos de teatralidades contemporâneas e na elaboração de uma dramaturgia autoral -, será um importante momento de conexão com os artistas, a comunidade surda e as pessoas com deficiência visual,  ampliando o diálogo, a inclusão cultural e as discussões acerca das poéticas contemporâneas.

Mimus Mostra Acessível

O Mimus Acessibilidade destina-se a um público adolescente e adulto, como um convite para explorar a linguagem teatral a partir da corporeidade artística visual e auditiva. “A ideia é abrir espaços para interfaces inclusivas com o meio digital, aprofundando e ampliando reflexões sobre criação artística e a relação do teatro com as novas adjetivações e formatos trazidos em meio à pandemia, como teatro web”, explica Deborah Moreira, Mestre em Artes Cênicas e Bacharel em Interpretação Teatral pela Universidade Federal da Bahia.

Segundo Iracema Vilaronga, Mestre em Educação e Contemporaneidade e intérprete desde 2007, a audiodescrição dos espetáculos da Mimus vai torná-los acessíveis a pessoas com deficiência visual, cegas ou com baixa visão, traduzindo imagens em palavras. “Será uma tradução intersemiótica, vamos traduzir de um signo para outro, do visual/imagético para o auditivo/palavras. Pessoas desprovidas do sentido sensorial da visão poderão usufruir desses produtos audiovisuais culturais em equidade de condições, o que contribui para efetivação de uma sociedade inclusiva”, explica.

O trabalho exige uma formação específica na área, além de sensibilidade artística, leituras, pesquisa e troca constante com profissionais da setor para uma imersão constante com produtos audiovisuais culturais e sociais com acessibilidade, que por muito tempo não fizeram parte do universo cultural e de lazer de pessoas com deficiência visual.

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Somente com o advento da acessibilidade como condição essencial para efetivação da inclusão, a partir da década de 90, esse nicho passou a ser valorizado e novas ferramentas, recursos e serviços começaram a ser criados para atender às necessidades do mercado cultural de audiodescrição como opção de lazer e cultura para um público sedento por  produtos audiovisuais culturais.

“O fato de a pessoa com deficiência visual ter acesso a produtos culturais de forma autônoma já garante alguns dos direitos fundamentais. A experiência representa um salto no desenvolvimento pessoal e global dessas pessoas, abrindo um leque de oportunidades de crescimento no âmbito pessoal e/ou profissional em equidade de condições, removendo uma série de barreiras comunicacionais, atitudinais e arquitetônicas no cotidiano de pessoas com deficiência visual que passam a ser incluídas no universo cultural de forma justa”, pondera.

Ela ressalta que, como nenhum sentido sensorial substitui o outro, a audiodescrição não significa “devolver” a visão de quem não enxerga. Consiste em oportunizar outras formas de interação, diálogo e experiência com produtos audiovisuais, que serão diferentes para cada pessoa, independentemente de enxergar ou não. Dependerá  da historia de vida de cada indivíduo.

No trabalho de interpretação do espetáculo “MAR”, que tem uma apresentação  não-verbal, Iracema Vilaronga relata que traduzir a expressão corporal em palavras foi um grande desafio. “Traduzir expressões tão ricas e subjetivas demandou um maior aprofundamento sobre a obra, diálogo com o diretor e elenco para ampliação do repertório vocabular que dialogasse com possibilidades de interpretações e experiência artística por parte do público-alvo da audiodescrição, encontrando um equilíbrio entre a objetividade, a subjetividade e a poética da linguagem corporal”, conclui.

Raquel Silveira, intérprete de Libras da Universidade Federal de Sergipe, também enfrentou desafios na tradução em Libras dos espetáculos “O Tigre” e “Refazendo Salomé” porque eles trazem contextos bem metafóricos da literatura, da arte e da mímica para a língua de sinais, não utilizando somente as mãos, mas o próprio corpo e a expressão facial. “É uma performance em que a gente coloca toda a bagagem desse contexto da cultura artística e da identidade surda pra que, ao receber as informações, as pessoas consigam ter uma compreensão geral do que está sendo contado não somente pela sinalização palavra por palavra, mas do contexto em cena, fazendo também a tradução semântica”, comenta.

Ela acredita que o intérprete de Libras é um ator social que pode incorporar todos os papeis e não só interpretar a linguística, mas, também, a questão cultural e social. Daí a importância da tradução de Libras para dar acesso aos contextos artísticos e ao universo literário para os surdos.

“O conhecimento enciclopédico do mundo ou natural da vivência da vida é muito importante para os surdos, que só têm informações quando têm acesso à língua e às trocas com outras surdos, porque eles têm essa preocupação de passar informações de um para o outro. Mas tudo depende muito do nível linguístico de cada pessoa e da sua vivência na sociedade pra ter um entendimento claro do que está acontecendo”, avalia.

Para a interpretação de “O Tigre” e “Refazendo Salomé”, ela conta que o trabalho foi bem especifico, porque teve que traduzir e explicar as metáforas com muitos sinais que não existem e trabalhar o contexto. “Foi bem difícil porque tem falas muito rápidas dos atores para colocar toda a bagagem dos classificadores de Libras e trabalhar bem mais o corpo e a expressão. Mas parabenizo a iniciativa dos artistas pela preocupação com a tradução e a interpretação das apresentações”.

Espetáculos

Em “O Tigre”, um solo com George Mascarenhas, o diálogo com a cena, recursos tecnológicos de projeção mapeada e a musicalidade são o tripé da elaboração cênica para falar de tigres metafóricos contemporâneos, na arte, na política, no cotidiano do Brasil.

“Refazendo Salomé”, solo com Deborah Moreira, traz, por sua vez, a pesquisa com a musicalidade associada a uma dramaturgia fragmentada por meio do qual uma outra versão da história de Salomé, eixo narrativo da peça, é atravessada por depoimentos de Malala, Zuzu Angel, Maria da Penha, Billie Holiday e Mercedes Sosa, mulheres marcadas por perseguições e lutas para se fazerem escutar.

Já o espetáculo “MAR” reúne os dois artistas dentro e fora de cena, investindo na fisicalidade e na construção de uma dramaturgia não-verbal para compor imagens cênicas que revelam vozes de temas contemporâneos a partir do encontro de dois personagens, à beira mar, com sapatos trazidos pela água, cujo número aumenta progressivamente.

“Entendemos que trazer elaborações poéticas contemporâneas e temáticas de interesse atual é refletir sobre relações que perpassam dimensões sociais, culturais e políticas de amplo alcance”, afirma Deborah. “Tais discussões permitem reconhecer caminhos para avançar, compreendendo que a arte pode cumprir um papel deflagrador de conscientização, e também de inclusão, para as necessárias mudanças de atitude e mentalidades culturais”, completa George Mascarenhas. Ambos são formados em Mímica Corporal, George pela École de Mime Corporel Dramatique (Paris/Londres) e Deborah no Brasil, com o aval da École.

SERVIÇO

“O projeto tem apoio financeiro do Estado da Bahia através da Secretaria de Cultura (Programa Aldir Blanc Bahia) via Lei Aldir Blanc, direcionada pela Secretaria Especial da Cultural do Ministério do Turismo, Governo Federal”.

O quê: MIMUS MOSTRA ACESSÍVEL

Onde: Apresentações gravadas e disponibilizadas na plataforma virtual da Mimus Companhia de Teatro, com tradução em Libras e audiodescrição.

Quando: Dias 05, 06 e 07/03 – sexta, sábado e domingo

Classificação etária: A partir de 15 anos

Acesso: gratuito no Canal do YouTube (https://www.youtube.com/channel/UCV54MfZoVQEol6gGL3MSWGQ)

Crédito Fotos: Sora Maia

Produção Executiva: Marília Gil

Audiodescrição: ACESSU: Acessibilidade Universal. Juniro Almeida: Roteiro, edição e mixagem. Iracema Vilaronga: Consultoria, revisão e locução (@acessu_acessibildadeuniversal)

Tradução em Libras: Tradutora e intérprete de libras: Raquel Ferreira da Silveira. (Facebook: Raquel Silveira)

Artistas: Deborah Moreira (71) 99138-3233 e George Mascarenhas (71) 99971-0641

Site: www.mimus.com

Fanpage INSTA: www.instagram.com/ciamimus

Fanpage FB: www.facebook.com/ciamimus

Assessoria de Imprensa: Core Comunicação – Adriana Nogueira (71) 99118-7870


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