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17 livros-reportagem para conhecer histórias impactantes

Os livros-reportagem nem sempre figuram na lista de leituras favoritas, mas existe um universo de histórias que pode ser desbravado por meio do trabalho investigativo de jornalistas e escritores.

Nesta seleção de obras, vamos lhe ajudar a conhecer mais esse gênero literário-jornalístico ou, então, lhe indicar outros títulos para você se aprofundar na leitura e na própria produção jornalística!

Vozes de Tchernóbil

Esse é meu queridinho, escrito por uma das minhas escritoras favoritas. Por meio de depoimentos dos sobreviventes, o livro relata a tragédia na usina nuclear de Tchernóbil, na Ucrânia – então parte da finada União Soviética -, em 26 de abril de 1986. Em poucos dias, a cidade de Prípiat, fundada em 1970, teve que ser evacuada. Pessoas, animais e plantas, expostos à radiação liberada pelo vazamento da usina, padeceram imediatamente ou nas semanas seguintes. Tão grave quanto o acontecimento foi a postura dos governantes e gestores soviéticos (que nem desconfiavam estar às vésperas da queda do regime, ocorrida poucos anos depois). Esquivavam-se da verdade e expunham trabalhadores, cientistas e soldados à morte durante os serviços de reparo na usina. Pessoas comuns, que mantinham a fé no grande império comunista, recebiam poucas informações, numa luta inglória, em que pás eram usadas para combater o átomo. A morte chegava em poucos dias. Com sorte, podia-se ser sepultado como um patriota em jazigos lacrados.

É por meio das múltiplas vozes – de viúvas, trabalhadores afetados, cientistas ainda debilitados pela experiência, soldados, gente do povo – que Svetlana Aleksiévitch constrói esse livro arrebatador, a um só tempo, relato e testemunho de uma tragédia quase indizível. Cenas terríveis, acontecimentos dramáticos, episódios patéticos, tudo na história de Tchernóbil aparece com a força das melhores reportagens jornalísticas e a potência dos maiores romances literários. Eis uma obra-prima do nosso tempo. + COMPRE SEU EXEMPLAR | + LEIA A RESENHA SOBRE O LIVRO

A vida que ninguém vê

Uma repórter em busca dos acontecimentos que não viram notícia e das pessoas que não são celebridades. Uma cronista à procura do extraordinário contido em cada vida anônima. Uma escritora que mergulha no cotidiano para provar que não existem vidas comuns. O mendigo que jamais pediu coisa alguma. O carregador de malas do aeroporto que nunca voou. O macaco que ao fugir da jaula foi ao bar beber uma cerveja. O álbum de fotografias atirado no lixo que começa com uma moça de família e termina com uma corista. O homem que comia vidro, mas só se machucava com a invisibilidade.

Essas fascinantes histórias da vida real fizeram formam uma obra que emociona pela sensibilidade da prosa de Eliane Brum e pela agudeza do olhar que a repórter imprime aos seus personagens – todos eles tão extraordinariamente reais que parecem saídos de um livro de ficção. Livro vencedor do Prêmio Jabuti 2007 na categoria “Reportagem”. + COMPRE SEU EXEMPLAR.

Presos que menstruam: A brutal vida das mulheres – tratadas como homens – nas prisões brasileiras

A brutal vida das mulheres – tratadas como homens – nas prisões brasileiras. Grande reportagem sobre o cotidiano das prisões femininas no Brasil, um tabu neste país, Nana Queiroz alcança o que é esperado do futuro do jornalismo: ao ouvir e dar voz às presas (e às famílias delas), desde os episódios que as levaram à cadeia até o cotidiano no cárcere, a autora costura e ilumina o mais completo e ambicioso panorama da vida de uma presidiária brasileira. Um livro obrigatório à compreensão de que não se pode falar da miséria do sistema carcerário brasileiro sem incorporar e discutir sua porção invisível.

Presos que menstruam, trabalho que inaugura mais um campo de investigação não idealizado sobre a feminilidade, é reportagem que cumpre o que promete desde a pancada do título: os nós da sociedade brasileira não deixarão de existir por simples ocultação – senão apenas com enfrentamento. + COMPRE SEU EXEMPLAR.

Hiroshima

A bomba atômica matou 100 mil pessoas na cidade japonesa de Hiroshima, em agosto de 1945. Naquele dia, depois de um clarão silencioso, uma torre de poeira e fragmentos de fissão se ergueu no céu de Hiroshima, deixando cair gotas imensas – do tamanho de bolas de gude – da pavorosa mistura.

Um ano depois, a reportagem de John Hersey reconstituía o dia da explosão a partir do depoimento de seis sobreviventes. O texto tomava a edição inteira da revista The New Yorker, uma das mais importantes publicações semanais dos Estados Unidos. O trabalho do repórter alcançou uma repercussão extraordinária. Sua investigação aliava o rigor da informação jornalística à qualidade de um texto literário. Nascia ali um gênero de jornalismo que estabelecia novos parâmetros para a maneira de relatar os fatos. A narrativa de Hersey dava rosto à catástrofe da bomba: o horror tinha nome, idade e sexo. Ao optar por um texto simples, sem enfatizar emoções, o autor deixou fluir o relato oral de quem realmente viveu a história.

Quarenta anos mais tarde, Hersey voltou a Hiroshima e escreveu o último capítulo da história dos hibakushas – as pessoas atingidas pelos efeitos da bomba. Hiroshima permitiu que o mundo avaliasse o inacreditável poder destrutivo das armas nucleares e a terrível implicação do seu uso. + COMPRE SEU EXEMPLAR.

O jornalista e o assassino

Janet Malcolm, uma das mais importantes jornalistas americanas do século XX, escreveu oito livros, baseados em labirínticas reportagens publicadas na revista The New Yorker. Seu assunto pode ser o legado de escritores como Anton Tchekhov, Gertrude Stein e Sylvia Plath, a disputa pelo acesso aos arquivos de Freud ou processos judiciais que causaram comoção nos Estados Unidos, como em O jornalista e o assassino, em que narra a história de um médico, Jeffrey MacDonald, que, condenado pelo assassinato da esposa e das duas filhas, moveu um processo inaudito contra um jornalista que escrevera um livro sobre ele com base em entrevistas feitas durante o julgamento e na prisão.

Colocando em pauta temas tão polêmicos quanto a ética do jornalismo e a liberdade de imprensa, o livro de Malcolm tornou-se um clássico instantâneo sobre a relação entre jornalismo e poder. Lançado pela Companhia das Letras em 1990, O jornalista e o assassino inaugura, com posfácio de Otavio Frias Filho, as edições da Coleção Jornalismo Literário no selo Companhia de Bolso. + COMPRE SEU EXEMPLAR.

Holocausto Brasileiro

No Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena, conhecido apenas por Colônia, ocorreu uma das maiores barbáries da história do Brasil. O centro recebia diariamente, além de pacientes com diagnóstico de doença mental, homossexuais, prostitutas, epiléticos, mães solteiras, meninas problemáticas, mulheres engravidadas pelos patrões, moças que haviam perdido a virgindade antes do casamento, mendigos, alcoólatras, melancólicos, tímidos e todo tipo de gente considerada fora dos padrões sociais.

Essas pessoas foram maltratadas e mortas com o consentimento do Estado, médicos, funcionários e sociedade. Apesar das denúncias feitas a partir da década de 1960, mais de 60 mil internos morreram e um número incontável de vidas foi marcado de maneira irreversível.

Daniela Arbex entrevistou ex-funcionários e sobreviventes para resgatar de maneira detalhada e emocionante as histórias de quem viveu de perto o horror perpetrado por uma instituição com um propósito de limpeza social comparável aos regimes mais abomináveis do século XX. Um relato essencial e um marco do jornalismo investigativo no país, relançado pela Intrínseca com novo projeto gráfico e posfácio inédito da autora. + COMPRE SEU EXEMPLAR | LEIA A RESENHA SOBRE O LIVRO

A sangue frio

O americano Truman Capote foi um escritor versátil: produziu textos de qualidade em vários gêneros (contos, peças, reportagens, adaptações para TV e roteiros para filmes). Mas sua grande obra foi o romance-reportagem A sangue frio, que conta a história da morte de toda a família Clutter, em Holcomb, Kansas, e dos autores da chacina. Capote decidiu escrever sobre o assunto ao ler no jornal a notícia do assassinato da família, em 1959. Quase seis anos depois, em 1965, a história foi publicada em quatro partes na revista The New Yorker. Além de narrar o extermínio do fazendeiro Herbert Clutter, de sua esposa Bonnie e dos filhos Nancy e Kenyon – uma típica família americana dos anos 50, pacata e integrada à comunidade -, o livro reconstitui a trajetória dos assassinos. Perry Smith e Dick Hikcock planejaram o crime acreditando que se apropriariam de uma fortuna, mas não encontraram praticamente nada. Presos e condenados, ambos morreram na forca em 1965.

Publicado no mesmo ano da execução dos assassinos, A sangue frio rapidamente se tornou um sucesso de crítica e vendas, rendendo alguns milhões de dólares ao autor. A intensa relação que Capote estabeleceu com suas fontes foi determinante para o êxito da obra. Além de passar mais de um ano na região de Holcomb, investigando e conversando com moradores, ele se aproximou dos criminosos e conquistou sua confiança. Traçou um perfil humano e eloquente dos dois “meninos”, como costumava chamá-los. Por seu estilo que combina a precisão factual com a força emotiva da criação artística – um romance de não-ficção, nas palavras do próprio autor -, A sangue frio é um marco na história do jornalismo e da literatura dos Estados Unidos. Reflexão sutil sobre as ambiguidades do sistema judicial do país, o texto desvenda o lado obscuro do sonho americano. + COMPRE SEU EXEMPLAR.

Estação Carandiru

O médico Drauzio Varella relata dez anos de atendimento voluntário na Casa de Detenção de São Paulo, o maior presídio do Brasil, e mostra como um código penal não-escrito organizava o comportamento da população carcerária. Em 1989, o médico Drauzio Varella iniciou na Detenção um trabalho voluntário de prevenção à AIDS. Entre os mais de 7200 presos, conheceu pessoas como Mário Cachorro, Roberto Carlos, Sem-Chance, seu Jeremias, Alfinete, Filósofo, Loreta e seu Luís. Não importava a pena a que tinham sido condenados, todos seguiam um rígido código penal não escrito, criado pela própria população carcerária. Contrariá-lo poderia equivaler à morte.

O relato de Drauzio Varella neste livro tem as tonalidades da experiência pessoal: não busca denunciar um sistema prisional antiquado e desumano; expressa uma disposição para tratar com as pessoas caso a caso, mesmo em condições nada propícias à manifestação da individualidade. Lançado em 1999 e transformado em filme em 2003, por Hector Babenco, Estação Carandiru recebeu o Prêmio Jabuti 2000 de livro do ano e, desde então, já vendeu centenas de milhares de exemplares. + COMPRE SEU EXEMPLAR.

Cativeiro sem fim: as histórias dos bebês, crianças e adolescentes sequestrados pela ditadura militar no Brasil

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Este livro contém mais que relatos de sequestros e desaparecimentos forçados de crianças e adolescentes, praticados por agentes da repressão aos movimentos de resistência à ditadura brasileira (1964-1985). Ele demonstra inequivocamente o terrorismo de Estado cometido no período. A ninguém é facultado fazer desaparecer pessoas, mudar suas identidades, deixar cadáveres insepultos. Mas quando isto é feito pelo próprio Estado, resta configurado um crime contra a humanidade, insuscetível de anistia ou prescrição. Entretanto, tais fatos jamais foram admitidos ou investigados. No dizer do próprio autor, praticou-se “o desaparecimento e o desaparecimento do desaparecimento”, o que colocou as vítimas em um “cativeiro sem fim”.

Após concluir sua profunda e cuidadosa pesquisa, Eduardo Reina cuidou, antes mesmo da publicação deste livro, de levar os fatos criminosos que apurou ao conhecimento do Ministério Público Federal, pela Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão. Esta, por sua vez, transformou o depoimento de Eduardo em representação a cada um dos órgãos ministeriais com atribuição sobre as graves lesões cometidas.

Estamos, portanto, diante de uma obra absolutamente meritória, escrita por um jornalista que acima de tudo é um cidadão a serviço da Memória, da Verdade e da Justiça. Para que não se esqueça, para que não se repita! + COMPRE SEU EXEMPLAR.

Repórter

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Um dos mais importantes jornalistas de todos os tempos, ao lado de nomes como Bob Woodward e Ben Bradlee, Seymour M. Hersh circulou pelas principais redações americanas sem nunca abrir mão da independência. Suas reportagens estamparam as capas de jornais ao redor do globo e influenciaram a opinião pública em momentos decisivos da história. Foi assim no Vietnã, com suas matérias sobre o massacre de My Lai, que mostraram ao mundo uma guerra que o governo preferia esconder. Foi assim em Abu Ghraib, quando descortinou o lado mais sombrio, violento e desumano da Guerra ao Terror nos anos 2000. E foi assim também na morte de Bin Laden, quando Hersh revelou as maquinações por trás da perseguição ao terrorista.

Neste extraordinário livro de memórias, o leitor conhecerá as histórias que o tornaram célebre e os tempestuosos bastidores de suas reportagens. Como um jornalista chega a uma fonte? Como segue uma pequena pista até descobrir um grande furo? Em meio a essa verdadeira aula de jornalismo, Hersh relembra também sua relação com políticos e alguns dos grandes nomes das redações americanas. Num momento em que o jornalismo está sob fogo cerrado, Repórter é um testemunho sobre o poder da palavra escrita e uma crônica mordaz dos nossos últimos cinquenta anos. + COMPRE SEU EXEMPLAR.

Notícia de um sequestro

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Notícia de um sequestro é uma aula de jornalismo e literatura de Gabriel García Márquez. Colômbia, década de 1990. Encurralado por um poderoso esquema montado contra o narcotráfico, perseguido pelas autoridades de seu país e pela comunidade internacional, Pablo Escobar, o poderoso senhor da droga, recorre, como retaliação, ao sequestro de vários jornalistas, entre os quais se encontram familiares de importantes personalidades do cenário político. Abordando um tema explosivo, Gabriel García Márquez fez uma pesquisa minuciosa antes de escrever este livro. Colheu depoimentos de dezenas de pessoas envolvidas no drama de sequestros ocorridos na Colômbia em 1990, incluindo o de uma amiga próxima.

Notícia de um sequestro é um livro jornalístico, uma reportagem, que narra as diversas facetas da dramática situação vivida na Colômbia, especialmente a guerra do tráfico de drogas e mostra o horror que não se limita apenas à sociedade colombiana, mas que se espalha por toda a América Latina. Gabriel García Márquez, prêmio Nobel de Literatura, lança mão de um estilo de reportagem e assim oferece ao leitor muita ação ao focar sua narrativa tanto no cotidiano dos cativeiros como nas negociações entre traficantes, nos dramas dos parentes das vítimas e em como isso afeta a vida dos cidadãos colombianos. + COMPRE SEU EXEMPLAR.

Todos os homens do presidente

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Este livro reconstitui a investigação feita pelos jornalistas Bob Woodward e Carl Bernstein do caso Watergate, escândalo político que levou o presidente Richard Nixon à renúncia, em 1974. Em linguagem eletrizante e cinematográfica, os dois repórteres contam como ajudaram a revelar uma poderosa rede de espionagem e sabotagem montada dentro da Casa Branca contra políticos do Partido Democrata.

Todos os homens do presidente obteve enorme sucesso de público e crítica quando foi lançado, pouco antes de Nixon renunciar. Dois anos depois ganhou adaptação para o cinema, estrelada por Robert Redford e Dustin Hoffman. Hoje, o livro é considerado um clássico do jornalismo e um marco histórico da liberdade de imprensa. + COMPRE SEU EXEMPLAR.

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Gomorra

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Em um meticuloso trabalho de investigação, o jornalista italiano Roberto Saviano apresenta em “Gomorra” um retrato da máfia italiana que faz os filmes do gênero de Hollywood parecerem comédias românticas.

Saviano constrói um relato rico e de tom pessoal, completo com dados de pesquisa e das investigações policiais. A exposição revela a atuação da máfia – especialmente a napolitana Camorra – em muito mais do que seus aspectos políticos, culturais e criminosos, evidenciando sua influência econômica.

Esqueça tudo o que “O Poderoso Chefão” te ensinou sobre a máfia – Saviano expõe as entranhas e os tentáculos da organização criminosa de maneira palpável e de modo muito mais impressionante. + COMPRE SEU EXEMPLAR.

Os sertões

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Escrito a partir do trabalho jornalístico de Euclides da Cunha sobre a rebelião de Canudos, Os sertões é considerada uma das obras mais importantes da literatura nacional. Ao narrar a violenta e exaustiva repressão sofrida pelo bando de Antônio Conselheiro, o autor narra também a formação do homem sertanejo.

Muitas vezes visto como corroboração às ideias evolucionistas que permearam os anos 1900, este livro, na verdade, leva as contradições de tais ideias ao limite. A própria narrativa, o contar dos acontecimentos, vai desenhando um argumento contrário às polaridades e dicotomias estanques.
Ainda muito atual, Os sertões denuncia os crimes cometidos por uma sociedade eurocêntrica, violenta, autoritária, desigual e excludente, além de desafiar qualquer resposta fácil para as questões sertanejas.

Esta edição conta com introdução de Lilia Moritz Schwarcz e André Botelho; posfácio de Luiz Costa Lima; e estabelecimento de texto, notas e cronologia de André Bittencourt. + COMPRE SEU EXEMPLAR.

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Stasilândia: como funcionava a polícia secreta alemã

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A queda do muro de Berlim é talvez o fato histórico mais importante da segunda metade do século XX. “Nós somos o povo!”, lembravam os manifestantes nos protestos que, a partir de setembro de 1989, se alastraram de Leipzig para toda a República Democrática da Alemanha, contribuindo decisivamente para pôr fim a quatro décadas de reinado absoluto de um socialismo sustentado em grande parte pelo aparato policial da Stasi – a polícia secreta da ex-Alemanha Oriental. E, no entanto, quem eram aquelas pessoas?

Fascinada pelo muro e pelo mundo que ele ocultava, Anna Funder foi a campo em busca desse outro lado da história. Entrevistou vítimas e algozes de um regime que construiu o mais absurdo sistema de vigilância de que se tem notícia até hoje – na ficção ou na realidade. E, dos depoimentos de ex-agentes da Stasi e de verdadeiros heróis anônimos da chamada “revolução pacífica”, construiu uma emocionante narrativa que revela as pequenas histórias de que é feita a História. + COMPRE SEU EXEMPLAR.

Chico Mendes – Crime e castigo

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Chico Mendes – Crime e castigo reúne reportagens escritas por Zuenir Ventura a respeito do maior líder ambientalista que o Brasil já teve. Quando foi assassinado, em 22 de dezembro de 1988, Chico Mendes estava com 44 anos e era mundialmente reconhecido por sua luta pela preservação da Amazônia. No Estado do Acre, à frente dos seringueiros que organizou, Chico desenvolveu táticas pacíficas de resistência para defender a floresta, que a partir da década de 70 sofrera um acelerado processo de desmatamento para dar lugar a grandes pastagens de gado. Chico lutou contra a devastação e chamou a atenção do mundo para essa luta.

New York Times já o havia considerado “um símbolo de todo o planeta” e a ONU já o premiara, mas Chico Mendes precisou ser assassinado para ser reconhecido no Brasil. O líder seringueiro havia anunciado sua morte iminente, depois de ter recebido inúmeras ameaças. Em cartas, artigos e entrevistas, denunciou os suspeitos às autoridades brasileiras, que não tomaram nenhuma providência de fato para evitar sua morte.

O livro de Zuenir Ventura é dividido em três partes. A primeira, “O crime”, reúne as reportagens feitas para o Jornal do Brasil no começo de 1989, logo após o assassinato do seringueiro. Na segunda, “O castigo”, estão as reportagens produzidas dois anos depois, em 1990, juntamente com Marcelo Auler, durante a segunda e a terceira viagens do repórter ao Acre, para cobrir o julgamento dos assassinos. “15 anos depois” é a terceira parte, com textos de outubro de 2003, quando Zuenir revisitou lugares e personagens envolvidos no crime. + COMPRE SEU EXEMPLAR.

A república das milícias: Dos esquadrões da morte à era Bolsonaro

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O que fazia o policial Fabrício Queiroz antes de se tornar conhecido em todo o país como aliado de primeira hora da família Bolsonaro? E o líder miliciano Adriano da Nóbrega, matador profissional condecorado por Flávio Bolsonaro e morto pela polícia em 2019? E o ex-sargento Ronnie Lessa, apontado como autor dos disparos que mataram a vereadora Marielle Franco e morador do mesmo condomínio do presidente da República na Barra da Tijuca? Os três foram protagonistas de uma forma violenta de gestão de território que tomou corpo nos últimos vinte anos e ganha neste livro um retrato por inteiro: as milícias. Eles são apresentados ao lado de policiais, traficantes, bicheiros, matadores, justiceiros, torturadores, deputados, vereadores, ativistas, militares, líderes comunitários, jornalistas e sobretudo vítimas de uma cena criminal tão revoltante quanto complexa.

O livro se constrói a partir de depoimentos de protagonistas dessa batalha. São entrevistas que chocam pela franqueza e riqueza de detalhes, em que assassinatos se sucedem e as ligações entre policiais, o tráfico, o jogo do bicho e o poder público se mostram de forma inequívoca. Num cenário em que o Estado é ausente e as carências se multiplicam, a violência se propaga de forma endêmica, mas deixa no ar a questão: qual a alternativa? A resposta está longe de ser simples. Sobretudo num país de urbanização descontrolada e cultura política permeável ao autoritarismo.

Dos esquadrões da morte formados nos anos 1960 ao domínio do tráfico nos anos 1980 e 1990, dos porões da ditadura militar às máfias de caça-níquel, da ascensão do modelo de negócios miliciano ao assassinato de Marielle Franco, este livro joga luz sobre uma face sombria da experiência nacional que passou ao centro do palco com a eleição de Jair Bolsonaro à presidência em 2018. Mistura rara de reportagem de altíssima voltagem com olhar analítico e historiográfico, A república das milícias expõe de forma corajosa e pioneira uma ferida profundamente enraizada na sociedade brasileira. + COMPRE SEU EXEMPLAR.

E então, se interessou por algum título ou conhece algum livro-reportagem que não consta na lista? Conta para a gente nos comentários!


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Bruna Bengozi
Bruna é mestre em História pela USP e graduanda em Letras pela Univesp. Redescobriu (e redescobre) o amor pelos livros, pela música e pela vida. Aguarda ansiosamente a queda do capitalismo e do patriarcado. Sofre de "síndrome da impostora".

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