Mafalda e o feminismo

Mafalda, criada pelo cartunista argentino Quino, na década de 1960, foi uma das primeiras personagens que me encantaram, mesmo a conhecendo no contexto dos simulados para os vestibulares, já que suas tirinhas são muito comuns em provas de Português, Geografia e outras Humanidades.

Posso dizer que parte do meu amadurecimento passa pela leitura das histórias dessa pequena garota, que ao lado de seus amigos, possui uma visão crítica, irônica e bem-humorada dos problemas sociais, incluindo aí as desigualdades de gênero.

Então, foi com grande alegria que soube do lançamento, previsto para junho, da antologia Mafalda: Femenino Singular,  publicada pela editora espanhola Lumen (somente em espanhol, por enquanto). A ideia para o livro surgiu após imagens da personagem aparecerem em faixas durante manifestações feministas ocorridas na Espanha em 2018. “No trabalho de Quino há muita reflexão que pode contribuir para o movimento feminista“, comenta Lola Albornoz, editora da Lumen e responsável pela antologia.

“O ruim da grande família humana é que todos querem ser o pai”

Já Quino afirmou sua afinidade com a luta feminista: “Sempre acompanhei as causas de direitos humanos em geral e dos direitos das mulheres em particular, a quem desejo sorte em suas reivindicações”.

Dentre mais de 2000 tirinhas publicadas pelo cartunista, podemos encontrar diversas que apresentam Mafalda, sua mãe, e suas amigas Susanita e Liberdad como mulheres existindo, representando e reivindicando coisas diferentes. Mafalda, assim, nos convida a refletir sobre as condições das mulheres. Vamos conferir alguns dos quadrinhos que compõem a obra?

“Miguelito -Que estranho, Mafalda! Você brincando de mamãe?
Mafalda – Bom… é isso mesmo!
Mafalda – De vez em quando convém levar o instinto para passear um pouco”.

 

“MAMÃE, QUE Futuro você vê a esse movimento pela liberação d….”.

 

“E isso que os roteiristas das telenovelas têm a delicadeza de não mostrar os protagonistas quando as contas de luz, telefone, impostos municipais, gás, plano de saúde chegam no meio de seus dramas românticos”.

 

“Susanita – Ai, ai! Como conversamos! E que delicioso seu chá, senhora Mafalda”
Mafalda – Obrigada, senhora Susanita
Susanita – E me conta: tem alguma fofoca sobre o que nos traz a moda para essa temporada?
Mafalda – Bem, segundo eu li… Parece que segue levando muita injustiça, claro que com umas bestialidades ao viés muito boas, isso sim!
Susanita – Não sei por que algumas pessoas se metem a brincar de senhoras se não sabem manter a idiossincrasia!”

 

* Com informações do El País e Hypeness.

 

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Bruna Bengozi

Bruna é mestra em História pela USP, redescobriu (e redescobre) o amor pelos livros, pela música e pela vida. Aguarda ansiosamente a queda do capitalismo e do patriarcado. Sofre de "síndrome do impostor".

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