Série Chernobyl: qual é o preço das mentiras?

No último domingo, dia 22, a minissérie Chernobyl, produzida pela HBO, ganhou o prêmio de Melhor Série Limitada ou Minissérie no Emmy 2019, além das categorias de Melhor Direção e Melhor Roteiro em Série de Drama. E vou te falar: as premiações são mais do que merecidas!

Criada por Craig Mazin e com um elenco de peso (Jared Harris‎, ‎Stellan Skarsgård‎, ‎Emily Watson e mais), a produção, ao longo de cinco episódios, dramatiza os eventos em torno na explosão do reator 4 da usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, em 26 de abril de 1986, considerada o pior desastre nuclear da História.

Ao focar especialmente na contenção do acidente e na busca pelas causas e culpados, a série nos mostra os perigos de se negligenciar o conhecimento científico, seja em nome de uma ideologia, de interesses econômicos etc. Se, priorizando a sua reputação, a União Soviética buscou ocultar – de si e do mundo – os defeitos em seu sistema de produção de energia nuclear e suas consequências fatais, podemos dizer que hoje a situação não mudou muito, especialmente quando governantes como Trump e Bolsonaro menosprezam e ignoram os alertas de cientistas a respeito do aquecimento global, do desmatamento descontrolado da Amazônia e muito mais, em nome do mais puro e nefasto mercado.

E, então, ficam os questionamentos: ao se duvidar da ciência e mascarar a verdade, quantas vidas estão em jogo? Qual é o preço da mentira?

“Quando a verdade ofende, mentimos até não nos lembrarmos mais dela. Mas ela continua lá. Cada mentira que dizemos incorre uma dívida à verdade. Mais cedo ou mais tarde, essa dívida é paga.” (Valery Legasov, interpretado pelo incrível Jared Harris)

Só posso dizer que Chernobyl é uma minissérie poderosa e pertinente não só ao fazer justiça às vítimas do desastre, mas ao ser um alerta ao nosso mundo, que cada dia mais se alimenta de fake news, teorias da conspiração e ignorância.

Se você já assistiu, que tal deixar as suas impressões nos comentários? E se não assistiu, fica a dica para a próxima maratona de séries!

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SOBRE:

Cafezinho, nossa nova coluna, tem como objetivo reunir indicações variadas com um diferencial: os textos serão curtos e até mais intimistas, bem propícios para se ler naquelas pausas de poucos minutos – ou em qualquer momento que você quiser, fique à  vontade! 

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Bruna Bengozi

Bruna é mestra em História pela USP, redescobriu (e redescobre) o amor pelos livros, pela música e pela vida. Aguarda ansiosamente a queda do capitalismo e do patriarcado. Sofre de "síndrome do impostor".

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