Estudo mostra como as redes sociais definem uma campanha política

Livro traz 14 artigos de marqueteiros e cientistas políticos sobre como as redes sociais definem uma campanha política: agora o meme é a mensagem.


A obra Campanhas Políticas nas Redes Sociais. Como Fazer Comunicação Digital com Eficiência (Matrix Editora), organizada pela cientista política Juliana Fratini, analisa como a internet revolucionou a relação entre comunicação e política.

A internet definiu o resultado de várias eleições em todo o mundo. Como nos EUA, com a vitória de Donald Trump. E em 2018, no Brasil, com a chegada de Jair Bolsonaro à presidência da República.

Há outros nomes, como o empresário Romeu Zema ao governo de Minas Gerais e o juiz Wilson Witzel, no Rio de Janeiro. E assim novos desafios contra a mentira e as redes sociais ocorrerá nas eleições municipais de 2020.

Estudo mostra como as redes sociais definem uma campanha política
Livro lançado pela Matrix Editora analisa como as redes sociais revolucionaram as campanhas políticas. Crédito: Reprodução COMPRE NA AMAZON

Com financiamentos de campanha reduzidos e em tempos de atenção fragmentada, o candidato tem poucos segundos para fisgar o eleitor. Um meme nas redes sociais ou no Whats app pode ter mais impacto que as mídias impressas tradicionais ou os enfadonhos debates de televisão.

A autora do livro

Juliana Fratini (cientista política, especialista em Políticas Públicas e Finanças pela Universidade de Chicago), reúne 14 especialistas em comunicação, entre marqueteiros, intelectuais e políticos, de diferentes ideologias políticas e partidos, à direita e à esquerda, para analisar as redes sociais e seus impactos na maneira de se fazer comunicação política na contemporaneidade.

No prefácio, Juliana aponta como a internet mudou não só o olhar sobre a política, como também o equilíbrio de forças de cada personagem dentro do processo:

    • As redes permitiram a construção de um relacionamento direto entre o candidato e o eleitorado.
    • A comunicação se tornou mais personalista e menos dependente das instituições tradicionais (partidos, escolas, universidades, associações, sindicatos e imprensa);
    • E mais afetiva e menos racional; mais identitária (segmentada em grupos por afinidades étnicas, religiosas ou de gênero, como mulheres, negros, latinos, LGBTs, indígenas, fundamentalistas, nacionalistas, de tendências racistas e xenófobas);
    • Por fim, mais marcada pela estética do lacre e dos likes do que pelo diálogo.

Como hoje redes sociais definem uma campanha política: memes, robôs e fake news…

Escândalos como robôs para inflar números, perfis falsos, fake news em massa para destruir reputações e vazamentos de dados sigilosos marcaram campanhas recentes.

O primeiro grande escândalo foi sobre a atuação da empresa inglesa Cambridge Analytica, influenciando resultados na eleição de Donald Trump e na saída do Reino Unido do Brexit. Um dos fundadores da empresa foi Steve Bannon, ex-estrategista de Trump e apoiador da campanha de Jair Bolsonaro.


Um segundo escândalo foi a notícia que a Universidade de Cambridge fraudou dados sigilosos de várias plataformas.

E mais um: Mark Zuckerberg, criador do Facebook, foi sabatinado no Congresso americano e teve de explicar o vazamento de mais de 87 milhões de dados.

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Banksy

Como transformar a internet em um fim que beneficie a democracia?

Direcionada a estudantes, candidatos, políticos, jornalistas, profissionais de marketing, cientistas sociais e curiosos em geral, o livro conta um pouco sobre os bastidores da comunicação digital em campanhas para candidatos de diferentes partidos e cargos, do Executivo ao Legislativo.

Por fim, como lembra a autora Juliana Fratini, a “sociedade do espetáculo” pede também uma espetacularização da mídia. Ou seja, o entretenimento mais para agradar a auditório do que a partidos. Assim, o desafio é transformar as redes sociais em um fim que beneficie a democracia.


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Francine Ramos
Editora da Livro&Café desde 2011. É professora de Língua Portuguesa e tenta ser escritora (um conto seu foi publicado na coletânea Leia Mulheres, em 2019). Acredita que os livros podem mudar o mundo e ama Virginia Woolf.
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