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15 livros para pensar a paternidade responsável

Uma lista de livros de ficção e não-ficção que nos ajuda a refletir sobre a paternidade e seu impacto na formação dos sujeitos e da sociedade.

Falar sobre paternidade é sempre um assunto delicado, principalmente em um país onde mais de 5,5 milhões de crianças brasileiras não têm o nome do pai na certidão de nascimento, além de casos frequentes de abuso e agressão dentro dos lares. A distorção da paternidade tem impacto não apenas na constituição das crianças e jovens enquanto sujeitos, mas também em toda a sociedade, que reflete as situações de abandono, omissão, autoritarismo e violência.

Por isso, é cada vez mais necessário refletir sobre a paternidade responsável, o que implica em tratar sobre masculinidade, desconstrução de estereótipos, desigualdade de gênero, configuração das famílias nos tempos atuais e muito mais.

Os livros abaixo são algumas indicações que nos ajudam a pensar nessas questões a partir da ficção e da não-ficção. Não deixe de comentar o que você achou das dicas e até compartilhar outras leituras que você já fez sobre o assunto. Vamos lá?

Na minha pele

Movido pelo desejo de viver num mundo em que a pluralidade cultural, racial, étnica e social seja vista como um valor positivo, e não uma ameaça, Lázaro Ramos divide com o leitor suas reflexões sobre temas como ações afirmativas, gênero, família, paternidade (o ator é pai da Maria Antônia e do João Vicente), empoderamento, afetividade e discriminação. Ainda que não seja uma biografia, em Na minha pele Lázaro compartilha episódios íntimos de sua vida e também suas dúvidas, descobertas e conquistas. Ao rejeitar qualquer tipo de segregação ou radicalismos, Lázaro nos fala da importância do diálogo. Não se pode abraçar a diferença pela diferença, mas lutar pela sua aceitação num mundo ainda tão cheio de preconceitos. Um livro sincero e revelador, que propõe uma mudança de conduta e nos convoca a ser mais vigilantes e atentos ao outro. + COMPRE NA AMAZON

Livre para voar

Ziauddin Yousafzai tem motivos de sobra para ser um pai orgulhoso: Malala sobreviveu a um atentado do Talibã, ingressou na prestigiosa Universidade de Oxford e se tornou a mais jovem vencedora do prêmio Nobel da paz e uma das principais vozes da luta pelos direitos das mulheres.
O que ele fez para criar uma menina tão extraordinária? A resposta é mais trivial do que se imagina: educou-a com amor, incentivo e gentileza ― e sobretudo com a convicção de que sua filha era digna das mesmas oportunidades que os meninos recebem. Livre para voar é o relato inspirador de um menino gago que cresceu em uma pequena vila no Paquistão e se tornou um dos grandes ativistas pela igualdade de gênero. Exemplo para os pais que querem que seus filhos façam a diferença, Ziauddin mostra como o respeito e a educação são capazes de criar um mundo melhor para todas as crianças. + COMPRE NA AMAZON

Fun home: uma tragicomédia em família

Fun Home é um marco dos quadrinhos e das narrativas autobiográficas, além de uma obra-prima sobre sexualidade, relações familiares e literatura. Um labirinto da memória trazido à tona com graça, humor e a força das maiores realizações artísticas. Pouco depois de revelar à família que é lésbica, Alison Bechdel recebe a notícia de que seu pai morreu em circunstâncias que poderiam indicar um suicídio. Nesta aclamada autobiografa em quadrinhos, ela explora a difícil, dolorosa e comovente relação com o pai. A autora retraça também os próprios passos, da criança que cresceu entre os cadáveres da funerária da família à jovem que se encontrou nos livros e na arte. Num trabalho imensamente poderoso e sutil, Bechdel trilha o caminho de sua vida em busca de um pai tão enigmático quanto incontornável. Ah, tem resenha sobre o livro na revista. + COMPRE NA AMAZON

Trilogia do adeus

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Nesta trilogia, João Anzanello Carrascoza oferece um panorama que se estende através do tempo para falar da relação fragmentada das famílias. No primeiro livro, Caderno de um ausente (vencedor do prêmio Jabuti 2015 e reeditado agora pela Alfaguara), o pai João escreve uma longa carta para a filha recém-nascida, Beatriz, para o caso de não estar presente no futuro dela. Já no segundo volume, Menina escrevendo com pai, é Bia quem responde, narrando a vida e o relacionamento dos dois. Por fim, em A pele da terra, Mateus, filho mais velho de João e irmão de Bia, narra sua relação com o próprio filho, outro João, durante uma peregrinação. Um olhar tríplice sobre os vínculos entre pais e filhos, e sobre como pequenas ações do cotidiano nos marcam para sempre. + COMPRE NA AMAZON

Do seu pai

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Este é um livro sobre o nascimento de um pai. A trincheira particular de afeto do Pedrinho Fonseca. Do Seu Pai nasceu um blog, algo muito íntimo, pessoal e particular, onde o autor planejou deixar cartas para suas filhas e seu filho, desde janeiro de 2013. Na esperança de que um dia leiam – e saibam de onde vieram. Tornou-se livro. Tornou-se, também, o seu guia, o seu diário, o seu mapa. Que o amor que está nessas páginas, seja nosso encontro em forma de livro, que nos aproxime, e que possa também ser seu guia, mapa, diário. Que a gente se encontre aqui. E se reconheça. + COMPRE NA AMAZON


O papai é pop

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Então, você vai ser pai. Você sabe que precisa comprar uma casa maior. Tem que ter mais espaço pra criança. Tem que ter mais um quarto no apartamento. Tem que ter um berço novo, não pode ser aquele que a vizinha se dispôs a emprestar. Então você sabe que tem que trocar de carro, com seis airbags, no mínimo, ar-condicionado de fábrica. O que o humorista Marcos Piangers descobriu ao ser pai jovem é que essas preocupações não fazem diferença nenhuma. O que vale mesmo não é pagar pela melhor creche, se você é o último a buscar seus filhos. Não é comprar os melhores brinquedos, porque as crianças gostam mesmo é das brincadeiras que não custam nada. No fundo, o que importa mesmo, como os textos divertidos e emocionantes de O Papai é Pop mostram, é você estar com seus filhos, não pensando em outra coisa, mas estar lá. De verdade. Publicado pela editora Belas Letras, o livro virou best-seller com mais de 150 mil exemplares vendidos e tem continuação! + COMPRE NA AMAZON

Entre o mundo e eu

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Ta-Nehisi Coates é um jornalista americano que trabalha com a questão racial em seu país desde que escolheu sua profissão. Filho de militantes do movimento negro, Coates sempre se questionou sobre o lugar que é relegado ao negro na sociedade. Em 2014, quando o racismo voltou a ser debatido com força nos Estados Unidos, Coates escreveu uma carta ao filho adolescente e compartilha, por meio de uma série de experiências reveladoras, seu despertar para a verdade em relação a seu lugar no mundo e uma série de questionamentos sobre o que é ser negro na América. “O que é habitar um corpo negro e encontrar uma maneira de viver dentro dele? Como podemos avaliar de forma honesta a história e, ao mesmo tempo, nos libertar do fardo que ela representa?”, questiona. Em um trabalho profundo que articula grandes questões da história com as preocupações mais íntimas de um pai por um filho, Entre o mundo e eu apresenta uma nova e poderosa forma de compreender o racismo. + COMPRE NA AMAZON

Minha luta

O cultuado escritor norueguês Karl Ove Knausgård ganhou fama mundial com a série de livros Minha Luta, em que revisita suas próprias memórias e os limites entre ficção e realidade. No primeiro volume, A morte do pai, ele volta à sua juventude em busca de reconstruir a trajetória do pai, com quem tinha uma relação distante. “Sensível, Knausgård investiga também o próprio presente: aos 39 anos, pai de três filhos, ele deve se ajustar à rotina em família, trocar fraldas e apartar brigas, tudo isso enquanto tenta escrever seu novo romance, numa luta diária”, conta a sinopse. + COMPRE NA AMAZON

O homem subjugado: o dilema das masculinidades no mundo contemporâneo

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Neste livro, a autora Malvina Muszkat propõe que se repense o fenômeno da violência sob a perspectiva da subjetividade masculina na dinâmica dos relacionamentos, de forma a buscar maneiras mais eficientes de se promover o dialogo e evitar o confronto. Transitando por áreas como antropologia, sociologia, mitologia e psicanálise, Malvina mostra como a imagem da masculinidade foi construída ao longo dos séculos e de que forma os homens foram proibidos de demonstrar seus medos e fraquezas. Talvez seja possível criar homens com comportamentos diferentes dos usualmente atribuídos a eles em nossa sociedade. Se não há apenas uma forma de ser mulher, por que haveria apenas uma forma de ser homem? + COMPRE NA AMAZON

Pais que evoluem: um novo olhar para a infância

Nesta obra, e educadora parental Telma Abrahão aborda desde a importância do autoconhecimento para lidar com os filhos e ter mais equilíbrio emocional até estratégias para contornar comportamentos mais desafiadores, como dificuldades de colaboração e falta de responsabilidade. Ela também passeia pela infância dos pais e mostra como momentos do passado podem ser repetidos inconscientemente e afetar profundamente a forma como os filhos são educados, além de abordar temas indispensáveis para estreitar os laços de amor e conexão com as crianças e pré-adolescentes. + COMPRE NA AMAZON

Abrace seu filho

Num mundo em que as pessoas dizem que pais não podem dar muito colo, que não podem dar amor demais, mais um monte de outros “nãos”, Thiago Queiroz seguiu por um outro caminho. Ao receber a notícia da gravidez da esposa, passou a viver com os filhos uma história bem diferente da que teve com seu próprio pai, mais afetiva e participativa. E assim ele também criou uma das mais importantes redes sobre paternidade ativa na internet, oferecendo apoio e acolhimento a outros pais que buscam uma forma de se relacionar melhor com seus filhos. Este livro conta como o amor pelos filhos e a disciplina positiva mudaram a história de um homem. E de como ela pode mudar a sua também, se você abrir os braços para seus filhos. + COMPRE NA AMAZON

O filho eterno

Em um livro corajoso e emocionante, Cristovão Tezza expõe as dificuldades, inúmeras, e as saborosas pequenas vitórias de criar um filho com síndrome de Down. O périplo por clínicas e consultórios médicos no início da década de 1980, época em que o assunto não era tão estudado, estando ainda envolto por certo grau de misticismo. E a tensa relação inicial com a mulher. O autor aproveita as questões que apareceram pelo caminho desde o nascimento de Felipe para reordenar a própria história: a experimentação da vida em comunidade quando adolescente, a vida como ilegal na Alemanha para ganhar dinheiro, as dificuldades de escritor com trinta e poucos anos e alguns livros na gaveta, e a pretensa estabilidade com o cargo de professor em universidade pública. Com precisão literária para encadear, de maneira clara, referências de anos e situações tão díspares, Cristovão Tezza reforça, com a publicação de O filho eterno, seu lugar entre os maiores escritores brasileiros. + COMPRE NA AMAZON

Longe da Árvore

Diagnosticado com dislexia na infância, Andrew Solomon conta que a superação dessa deficiência só foi possível porque ele pôde contar com o amor e a paciente dedicação dos pais. Entretanto, quando sua homossexualidade latente transpareceu na adolescência, os mesmos pais que sempre o haviam cercado de carinho e compreensão reagiram com intolerância e vergonha. Ele teve de se afastar traumaticamente da família para conseguir vivenciar a plenitude de sua identidade sexual. Muitos anos depois, para tentar entender as relações entre essas duas identidades divergentes das expectativas dos pais, e como elas puderam provocar sentimentos tão antagônicos, o autor realizou uma abrangente pesquisa sobre o universo da diversidade em famílias com filhos marcados pela excepcionalidade. Surdos, anões, portadores de síndrome de Down, autistas, esquizofrênicos, portadores de deficiências múltiplas, crianças prodígios, filhos concebidos por estupro, transgêneros e menores infratores: dez “identidades horizontais” (isto é, divergentes dos padrões familiares, linguísticos e sociais predeterminados), sujeitas em graus distintos a influências genéticas e ambientais, compõem a constelação de temas deste magnífico tour de force sobre os sentidos de ser diferente e, principalmente, de aprender a amar e respeitar as diferenças. + COMPRE NA AMAZON

Leia mais – Longe da árvore (Andrew Solomon): trechos do livro que celebra as diferenças

Educar filhos: entre a renúncia e a urgência

Na atual era da informação em que vivemos, proliferam os gurus. Na área da puericultura, não é diferente. Cursos on-line para ensinar o bebê a dormir, livros que prometem “domar” crianças e programas de TV que expõem as mazelas de famílias exaustas são apenas alguns exemplos. Ao mesmo tempo – ou talvez apesar dessa grande oferta de “soluções” rápidas –, cresce entre os adultos a insegurança na hora de educar seus filhos. Alguns pais e especialistas culpabilizam as crianças, tratando-as como verdadeiras tiranas; outros responsabilizam as mães e os pais, tripudiando sobre sua “incompetência”. Neste livro, o médico e psicanalista Leonardo Posternak não propõe checklists nem respostas prontas para esses problemas. Com toda sua experiência de pediatra humanista, ele ajuda o leitor a refletir sobre a situação e aborda as diversas formas de educação ao longo da história, analisa os atores envolvidos na educação familiar, explica as consequências nefastas do consumismo para a construção psíquica da criança e fala das crises normais por que passam todos os pequenos ao longo de sua evolução. Além disso, oferece um enquadre teórico de como dizer “não” a eles. Com bom humor e sinceridade, o autor propõe um caminho do meio entre a superproteção e a terceirização – dicotomia cada vez mais comum em nosso mundo. + COMPRE NA AMAZON

Famílias Homoafetivas: a insistência em ser feliz

Este livro-reportagem de Lícia Loltran é um convite à desconstrução de estereótipos sobre os relacionamentos homoafetivos. Há, na sociedade, uma distorção quanto ao público e o privado dessas relações e uma tendência em limitá-las, apenas, ao campo do sexo e da intimidade (privado) e não ao da afetividade, da busca pela felicidade e do respeito à diversidade. De forma humana e sensível, Lícia Loltran traz para o público leitor histórias de vida que ressaltam a busca pela felicidade fora dos “padrões” judaico-cristãos. Essas histórias também destacam as dificuldades de casais homoafetivos na legalização de suas uniões, nas adoções e, principalmente, na superação de preconceitos. + COMPRE NA AMAZON

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Bruna Bengozi
Bruna é mestra em História pela USP e graduanda em Letras pela Univesp. Redescobriu (e redescobre) o amor pelos livros, pela música e pela vida. Aguarda ansiosamente a queda do capitalismo e do patriarcado. Sofre de "síndrome da impostora".

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