O Inimigo de Deus (vol. II), As Crônicas de Artur (Bernard Cornwell)

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Ao terminar o primeiro livro dessa série, O Rei do Inverno, eu não acreditava na possibilidade de ser tocado de forma tão intensa por um livro. Até eu ler o volume dois, o inimigo de Deus. Acabei de ler este livro há dois dias e me lembro de ficar parado por vários minutos refletindo o que tinha lido na história. Nenhum livro havia mexido tanto com minhas emoções.

 photo o-inimigo_zpsz6lktypc.jpgQuem leu O Rei do Inverno viu Artur vencer a batalha no vale do Lugg, fazendo com que os reinos voltassem à velha aliança. Artur se tornou o líder inquestionável da Britânia e trouxe a tão prometida paz. Mordred já estava próximo de completar a idade de assumir o trono. E Derfel, o narrador da história, havia se tornado um dos lutadores mais respeitados daquela época.

Mas essa paz conquistada por Artur não duraria muito, porque a Britânia podia estar unida politicamente, mas religiosamente o ódio entre pagãos e cristãos só aumentava à medida que os boatos de que Jesus Cristo voltaria em 4 anos, se a terra fosse limpa do paganismo, se propagava pelos vilarejos.

Por outro lado, Merlin acreditava que a salvação da Britânia residia em reunir os 13 Tesouros, dentre eles o Caldeirão Sagrado, que traria os antigos deuses de volta para por fim de uma vez por todas aos saxões e os cristãos. A busca pelo Caldeirão parece mais suicídio do que um desafio em si, mas Derfel tem um nobre motivo para arriscar a sua vida pela Estrada Escura até o reino de Diwrnach. O motivo se chama Ceinwyn.

Artur está mais forte e imperioso do que nunca; este grande Artur que, embora nunca tenha usado coroa em toda a sua vida, foi chamado de rei.

“Nós comemoramos. E como comemoramos. Porque agora parecia que tínhamos algo por que lutar. Não por Mordred, aquele sapo desgraçado, mas por Artur, porque (…) todos sabíamos o que as palavras significavam. Significavam que Artur seria o rei de Dumnonia em todos os sentidos, menos no nome, e por este bom objetivo levaríamos nossas lanças à guerra. Comemoramos porque agora tínhamos uma causa pela qual lutar e morrer. Tínhamos Artur.”

E é entre esses conflitos internos e externos que o leitor acompanha uma das narrativas mais provocantes da literatura. Até o meio do livro, a história não tem tanta graça assim; claro, acontecem algumas coisas boas que deixarão o leitor feliz. Mas quando tudo dá sempre certo a história se torna cansativa. É dos personagens complexos, das narrativas cheias de reviravoltas e da imprevisibilidade da história que o leitor se agrada.

Por isso Bernard Cornwell não poupou esforços para nos levar ao ápice de nossas emoções. Entramos de forma tão profunda na vida do narrador Derfel Cadarn que amamos quem ele ama e odiamos quem ele odeia. Do meio para o final, eu me envolvi tanto com a história que podia pensar como os personagens e também sentir a adrenalina que eles sentiam no decorrer dessa narrativa, que segue um ritmo perfeito e progressivo.

Nessa história, os personagens não são perfeitinhos. Morgana tem a cabeça quase que inteira marcada por uma feia cicatriz de queimadura, e usa máscara. Nimue não tem um dos olhos. Artur é ao mesmo tempo magnífico e irritante. Merlin é manipulador, tem a mania de se fingir de frágil e suas magias se parecem mais com truques ilusionistas do que com qualquer poder dos deuses.

E para finalizar preciso dizer algo: eu odeio Lancelot! Por Deus, como eu o odeio!

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