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Os 11 melhores livros da última década (2009 a 2019)

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Já estamos prestes a entrar na década 20 do século XXI. E nessas passagens de tempo importantes, sempre fazemos certos balanços e, hoje, trago uma lista com os melhores livros lançados entre 2009 e 2019. Claro que é uma seleção muito pessoal, então vou adorar saber quais obras você colocaria na categorias de “melhores da década”!

Lembrando que estou considerando as datas de lançamento no Brasil, ok? Vamos lá?

1. Indignação, de Philip Roth (2009)

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Filho único de um açougueiro kosher superprotetor, Marcus Messner busca uma faculdade do meio-oeste americano, bem longe de Nova Jersey, onde nasceu. Seu desejo é escapar da sufocante vigilância do pai, da medíocre universidade onde cursara o primeiro ano e de suas funções como ajudante no açougue. Chega o ano de 1951 e os Estados Unidos enfrentam a guerra na Coreia. Caso não consiga se destacar nos estudos acadêmicos, Messner corre o risco de ser convocado para lutar no front. Neste romance curto, mas de grande densidade, o inconformismo adolescente serve de gatilho para um retrato corrosivo da sociedade americana. Um dos melhores livros da década e da carreira de Roth. + Compre na Amazon

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2. Só Garotos, de Patti Smith (2010)

Eu não consigo falar sobre esse livro sem me emocionar. É pura entrega, poesia, paixão de uma das artistas mais fascinantes que já pisou neste planeta (sim, sou fã babona mesmo). Publicada no Brasil em 2010, esta é autobiografia cativante e nada convencional. Tendo como pano de fundo a história de amor entre Patti Smith e Robert Mapplethorpe, o livro é também um retrato apaixonado, lírico e confessional da contracultura americana dos anos 1970, desfiado por uma de suas maiores expoentes vivas. Se ainda não leu, se dê este presente e comece a nova década se emocionando com a sensibilidade e força da dama do rock! + Compre na Amazon

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3. Hibisco Roxo, de Chimamanda Ngozi Adichie (2011)

Este foi o primeiro livro que li da Chimamanda e me apaixonei pela força da escrita desta escritora nigeriana. Enquanto narra as aventuras e desventuras de Kambili e de sua família, marcadas pela intolerância religiosa, machismo e violência, o romance também apresenta um retrato contundente e original da Nigéria atual, mostrando os remanescentes invasivos da colonização tanto no próprio país, como, certamente, também no resto do continente. Essa, com certeza, é uma obra que atravessou a última década mostrando ao mundo o talento de Chimamanda e abrindo caminho para diversas outras autoras. + Compre na Amazon

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4. Van Gogh: a vida, de Gregory White Smith e Steven Naifeh (2012)

Vocês querem uma boa biografia para ler? Pois desde 2012, temos uma grande obra sobre ninguém menos que o pintor Vincent Van Gogh. Steven Naifeh e Gregory White Smith apresentam nesta monumental reconstituição biográfica uma visão ao mesmo tempo erudita e apaixonada sobre o artista holandês. Os autores esmiúçam o conturbado relacionamento com os pais, a amizade com o irmão Theo, a relação intensa com a religião, a errância entre diversas cidades, a vida sexual desregrada, o fracasso em vender suas obras, a amizade conturbada com Paul Gauguin, a loucura, a orelha mutilada – e sugerem uma explicação surpreendente para o suposto suicídio. Uma pesquisa de fôlego e uma escrita de admirável sensibilidade humana e artística. Imperdível! + Compre na Amazon

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5. Toda Poesia, de Paulo Leminski (2013)

Paulo Leminski foi corajoso o bastante para se equilibrar entre duas enormes onstruções que rivalizavam na década de 1970, quando publicava seus primeiros versos: a poesia concreta, de feição mais erudita e superinformada, e a lírica que florescia entre os jovens de vinte e poucos anos da chamada “geração mimeógrafo”. Entre sua estreia na poesia, em 1976, e sua morte, em 1989, a poucos meses de completar 45 anos, Leminski iria ocupar uma zona fronteiriça única na poesia contemporânea brasileira, pela qual transitariam, de forma legítima ou como contrabando, o erudito e o pop, o ultraconcentrado e a matéria mais prosaica. Com apresentação da poeta (e sua companheira por duas décadas) Alice Ruiz S, posfácio do crítico e compositor José Miguel Wisnik, e um apêndice que reúne textos de, entre outros, Caetano Veloso, Haroldo de Campos e Leyla Perrone-Moisés, Toda poesia é uma verdadeira aventura – para a inteligência e a sensibilidade. + Compre na Amazon

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6. Olhos d’água, de Conceição Evaristo (2014)

Livro da escritora brasileira Conceição Evaristo, Olhos d´água é simplesmente dilacerante. Nele, Evaristo aborda, sem meias palavras, a pobreza e a violência urbana que a acometem. Sem sentimentalismos, mas sempre incorporando a tessitura poética à ficção, seus contos apresentam uma significativa galeria de mulheres: Ana Davenga, a mendiga Duzu-Querença, Natalina, Luamanda, Cida, a menina Zaíta. Ou serão todas a mesma mulher, captada e recriada no caleidoscópio da literatura em variados instantâneos da vida? De verdade, só leia e abra o coração a esta obra. + Compre na Amazon

Leia mais: Olhos d’água (Conceição Evaristo): um registro de vidas silenciadas

7. A amiga genial, de Elena Ferrante (2015)

Talvez esse seja um dos livros mais comentados e aclamados da última década. E não é para menos. A misteriosa Elena Ferrante conseguiu construir uma profunda e bela narrativa em torno das personagens Lila e Lenu, da dura infância até a dura velhice. No primeiro título da “série napolitana”, mais que um romance sobre a intensidade e complexa dinâmica da amizade feminina, Ferrante aborda as mudanças na Itália no pós-guerra e as transformações pelas quais as vidas das mulheres passaram durante a segunda metade do século XX. Sua prosa clara e fluída evoca o sentimento de descoberta que povoa a infância e cria uma tensão que captura o leitor. + Compre na Amazon

Leia mais: Minhas melhores leituras em 2019: uma ode à Elena Ferrante (por Rossana Pinheiro-Jones)

8. A máquina de fazer espanhóis, de Valter Hugo Mãe (2016)

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A máquina de fazer espanhóis, de Valter Hugo Mãe, é uma emocionante história sobre a velhice, a amizade e o amor. Em Portugal, o romance foi o segundo livro de ficção mais vendido em 2010. Como a flor que fura o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio, a prosa trágica e divertida de Valter Hugo Mãe busca, na humanidade dos que padecem, material para louvar a vida, mesmo em suas manifestações mais ameaçadas. + Compre na Amazon

Leia mais: A máquina de fazer espanhóis (Valter Hugo Mãe): a metafísica de um cotidiano inevitável

9. O mestre e a margarida, de Mikhail Bulgaróv (2017)

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Espécie de Fausto russo, inspirado na obra de Goethe e na ópera homônima de Charles Gounod, O mestre e margarida, de Mikhail Bulgákov, é considerado um dos grandes romances do século XX. Escrito entre 1928 e 1940, ano da morte do autor, mas só publicado no fim dos anos 1960, no Ocidente, e em 1973, na Rússia (e no Brasil em 2017 pela Editora 34, apesar de haver uma edição pela Alfaguara de 2010), o livro se tornou então sucesso imediato no mundo todo e inspirou centenas de adaptações para o teatro, cinema, televisão, animação, ópera, dança e música (inclusive a famosíssima canção “Simpathy for the Devil”, dos Rolling Stones). + Compre na Amazon

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10. As alegrias da maternidade, de Buchi Emecheda (2018)

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Segunda indicação de uma escritora nigeriana na lista! Buchi Emecheda – ao lado de muitas outras autoras que vêm denunciando a opressão sofrida pelas mulheres em diferentes partes do mundo e em diversos contextos, assim como desmitificando a maternidade – apresenta uma história repleta de camadas, dores e ironia. Nnu Ego, filha de um grande líder africano, é enviada como esposa para um homem na capital da Nigéria. Determinada a realizar o sonho de ser mãe e, assim, tornar-se uma “mulher completa”, submete-se a condições de vida precárias e enfrenta praticamente sozinha a tarefa de educar e sustentar os filhos. Entre a lavoura e a cidade, entre as tradições dos igbos e a influência dos colonizadores, ela luta pela integridade da família e pela manutenção dos valores de seu povo. Um livro para pensar o quanto a sociedade continua silenciando as mulheres por meio de alguns sonhos que se transformam em pesadelos. + Compre na Amazon 

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11. Controle, de Natalia Borges Polesso (2019)

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Conhecida por sua escrita ritmada, informal e envolvente, Natalia Borges Polesso apresenta, em Controle – sua estreia no romance -, uma narrativa impactante sobre relações homoafetivas entre mulheres, o poder do desafio e, acima de tudo, as escolhas que precisam ser feitas para que as pessoas se tornem quem elas querem ser. Mesclando citações de letras da banda New Order em seu texto, a autora escreve um romance geracional que permanecerá na mente do leitor. + Compre na Amazon

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E que a próxima década nos reserve ótimos livros!

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Bruna Bengozi
Bruna é mestre em História pela USP e graduanda em Letras pela Univesp. Redescobriu (e redescobre) o amor pelos livros, pela música e pela vida. Aguarda ansiosamente a queda do capitalismo e do patriarcado. Sofre de "síndrome da impostora".

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