Justine – Os Infortúnios da Virtude, de Sade. O Marquês dispensa indicação, mesmo assim, é verdade que há quem odeie Sade, que o ache repulsivo, tem outras pessoas que têm tanto preconceito com o autor, que nem sequer tentam lê-lo. Entretanto, tem quem o adore e o ache um escritor brilhante.

    Justine já foi considerado um livro pornográfico e imoral, mas eu vi um crítica social forte e inteligente e uma narrativa viciante, que me fez ler o livro quase que ininterruptamente, ficando sempre ansiosa para saber o que iria acontecer em seguida com a personagem, se ela iria finalmente vencer ou cairia em outra armadilha.

    Justine
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    Uma história de sofrimento

    Justine, protagoniza uma história de sofrimento, que começa após a morte de seus pais e consequente perda de seus bens, assim como de sua estabilidade social. Justine é uma mártir típica, disposta a morrer por sua fé, pelas suas crenças religiosas, ainda que ninguém as tivesse atacando diretamente, mas por causa delas, Justine se recusa a agir de qualquer maneira que colocasse em jogo a sua virtude, nunca cedendo as tentações ou as propostas de pessoas que vai encontrando pelo seu caminho, que a privariam de passar por humilhações e torturas.

    A hipocrisia da sociedade

    Seu rigor quanto à moral é o tempo inteiro confrontado por uma sociedade hipócrita, que ao mesmo tempo que considera a sodomia um crime, faz vistas grossas quanto a nobres e membros do clero adeptos da prática. Uma sociedade que prega condutas morais e éticas para o povo, mas está sempre disposta a comercializá-las, em troca de uma melhor posição social e financeira ou simplesmente de não incomodar quem tem poder.

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    Perversão, vulnerabilidade, prazer

    A perversão é uma constante na narrativa, as leis são feitas e as penas são aplicadas pelos maiores transgressores. Justine sofre, muito, é castigada, mal tratada, escravizada e não ousa duvidar da justiça da providência, é imune a qualquer tipo de corrupção.

    Justine parece o tempo inteiro vulnerável e frágil, mas ao mesmo tempo firme nas suas convicções, coerente, disposta a enfrentar qualquer coisa e qualquer pessoa pela sua fé e seus valores, mesmo que durante toda o tempo, só os “maus” pareçam ser agraciados pela vida, só os injustos fossem recompensados.

    O prazer de Justine estava em ser quem era, em nunca deixar de ter fé, ao passo que o prazer do “carrasco” é punir, não importa tanto o porquê, assim se estabelecem as relações de poder, o chicote sempre tem dois lados e se torna inútil se falta alguém em uma das pontas e por isso Sade é tão atual e tão censurado.

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