V de Vingança – no original, V for Vendetta – é um comic book cujo roteiro foi feito por Alan Moore e a arte por David Lloyd.

    O protagonista da história é o mascarado conhecido por Codinome V ou apenas V, um homem misterioso profundamente versado na literatura, ciência, música e cultura de um modo geral, o que fica evidente em suas constantes citações enquanto dialoga com outros personagens – as quais estão listadas no fim da obra com comentários sobre o seu uso na história, mesmo que algumas possuam uma analogia simples e de fácil entendimento.

    O cenário histórico difere do real, houve uma Guerra Nuclear e a Inglaterra reergue-se tendo como apoio um regime fascista – há até mesmo uma passagem em que o líder do governo, o antagonista, explica o significado e a origem da palavra “fascismo”. Se por um lado o atual governante usa o fascismo, V, por sua vez, acredita que o anarquismo seja o modelo ideal. Em linhas gerais a trama se restringe em torno do antagonismo de ideais políticos, os já citados fascismo e anarquismo.

    O governo que rege a Inglaterra da HQ possui características possíveis a qualquer outra forma de poder que não seja o anarquismo; e este pode ser o trunfo de Alan Moore, fazer do anarquismo um divisor de águas, a única forma saudável de se governar um país, sendo o fascismo descrito na história uma alegoria de todas as outras formas de poder.

    Além da desconstrução do partido fascista causada por Codinome V para que se instaure o anarquismo, há também outros núcleos, de menor freqüência mas também de grande impacto. E na minha opinião, o segundo tema de maior importância que se faz debater é até que ponto a humanidade pode ser inescrupulosa no uso da maldade, fato que alguns personagens são constantemente oprimidos em seus núcleos, fazendo-nos ver que não apenas qual o melhor estilo de governo que importa, mas as pessoas de uma maneira individual, no que temos nos transformado. A loucura que afeta alguns personagens de suma importância também é abordada de forma sutil que sem o menor sinal passa a ser brusca, parâmetro recorrente nos casos de loucura.

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    Por fim, V de Vingança pode ser comparada a um belo e resplandecente diamante, que pode ser observado sobre vários ângulos, uma história riquíssima em detalhes e entrelinhas, o que não acontece com tanta eficácia no filme – nada contra este. As questões às quais somos incitados a pensar com demasiada atenção possuem um valor tão alto quanto ao dos livros, que ao ver de V são imprescindíveis à nossa vida e liberdade cognitiva que nos livra de um cárcere existente há tanto tempo que nem mais é percebido.

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