Resenhas

Venha ver o pôr-do-sol (Lygia Fagundes Telles): um conto mórbido

Antes de começar, preciso dizer que este é um dos meus contos preferidos. Ele faz parte de um livro que se chama Venha Ver o Pôr-do-Sol e Outros Contos, que ao todo somam oito, de autoria de Lygia Fagundes Telles. Todos têm algo de fantástico e misterioso, mas Venha Ver o Pô do Sol é, de longe, o meu preferido do livro, por isso dedicarei a resenha só a ele.

O cenário do nosso conto é um cemitério abandonado, para onde Ricardo leva sua ex-namorada, Raquel, que depois de muitas insistência do rapaz, decide aceitar o convite e reencontrá-lo, mesmo estando sem vê-lo há muito tempo e de já estar com outro. Ricardo escolhe o cemitério porque quer mostrar a Raquel o mais belo pôr do sol que já viu na vida, mas enquanto os dois caminham pelo cemitério, Ricardo que, inicialmente, parece ser apenas mais um caso clássico de “coração partido” que quer rever uma ex para saber se ainda tem chance, adquire um tom mórbido, falando de seus familiares que já morreram e que ali se encontram enterrados e fazendo reflexões sobre o abandono do cemitério e a morte. E assim os dois vão caminhando e conversando, rumo a um final surpreendente. Me recuso a dizer algo mais sobre a história. Você precisa, mesmo, ler este conto.

Leia também: O gênero de horror em “O Dedo”, de Lygia Fagundes Telles

Eu ainda poderia falar por horas sobre a escrita de Lygia Fagundes Telles. Ela foi incrível, buscou inspiração em Edgard Allan Poe e Lovecraft e foi fundo na arte de prender a atenção do leitor e surpreendê-lo.

Ao longo das linhas que lemos, vamos sentindo um crescente clima de suspense, detalhes da narrativa vão nos indicando que há algo de errado no ar, algo ameaçador. Você vai se deixando envolver pelo cenário, pela tensão dos personagens, é tudo tão contagiante que, nos sentimos acompanhando o casal como se estivéssemos apenas a alguns passos atrás dos dois. E então, chega um momento em que nos vemos confusos sobre a ideia que formulamos inicialmente e temos apenas uma certeza: “algo de muito ruim vai acontecer nesta história”, mas já é tarde para fugirmos dela, nos vemos completamente fisgados por Lygia e loucos para saber o desfecho daquele encontro.

” Cemitério abandonado, meu anjo. Vivos e mortos, desertaram todos. Nem os fantasmas sobraram…”

Para quem ficou curioso sobre os outros contos do livro, aqui estão os títulos: O Noivo, Natal na Barca, As formigas, O Jardim Selvagem, Biruta, Menino e Antes do Baile Verde.

São história rápidas, dinâmicas, gostosas de ler, que a gente tem vontade de devorar de uma vez só.

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Um comentário

  • Izabela

    Adorei esse livro. Os contos que mais gostei foram “As Formigas” (o conto mais macabro que já li na vida) e “Biruta”.