Livros sobre a morte: 13 dicas para reflexão

Livros que precisam ser lidos sobre um assunto que precisa ser enfrentado: a morte.
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Como falar do tempo sem passar por um assunto tão comum, porém tão desconhecido e tão ameaçador quanto a morte?

Essa, que dizem ser a única certeza que temos? Essa, que a cada segundo toma para si um pedacinho das nossas vidas? Sim, a mesma que atormentou – e iluminou –  a alma de filósofos e filósofas, escritores e escritoras, artistas…

Para falar sobre o tema, trazemos XX títulos para todo aquele que teme e respeita a morte.

A morte de Ivan Ilitch, de Lev Tolstói

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Nesta novela – considerada uma das mais perfeitas já escritas, Tolstói narra a história de Ivan Ilitch, um juiz de instrução que, depois de alcançar uma vida confortável, descobre que tem uma grave doença. A partir daí, este passa a refletir sobre o sentido de sua existência, numa experiência-limite de rara força poética, que só a grande literatura consegue traduzir. + Compre na Amazon

As intermitências da morte, de José Saramago

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E se a morte parece de matar? Cansada de ser detestada pela humanidade, a ossuda resolve suspender suas atividades. De repente, num certo país fabuloso, as pessoas simplesmente param de morrer. E o que no início provoca um verdadeiro clamor patriótico logo se revela um grave problema. Idosos e doentes agonizam em seus leitos sem poder “passar desta para melhor”. Os empresários do serviço funerário se vêem “brutalmente desprovidos da sua matéria-prima”. Hospitais e asilos geriátricos enfrentam uma superlotação crônica, que não pára de aumentar. O negócio das companhias de seguros entra em crise. O primeiro-ministro não sabe o que fazer, enquanto o cardeal se desconsola, porque “sem morte não há ressurreição, e sem ressurreição não há igreja”. Um por um, ficam expostos os vínculos que ligam o Estado, as religiões e o cotidiano à mortalidade comum de todos os cidadãos. Mas, na sua intermitência, a morte pode a qualquer momento retomar os afazeres de sempre. Então, o que vai ser da nação já habituada ao caos da vida eterna? Uma grande obra do grande Saramago! + Compre na Amazon (eBook)

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A cerimônia do adeus, de Simone de Beauvoir

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Em A cerimônia do adeus, Simone de Beauvoir faz o relato dos últimos anos da vida de Jean-Paul Sartre, centrado nas reflexões do filósofo acerca da velhice, da morte e de outros temas sensíveis na sua trajetória intelectual. A primeira parte do livro baseia-se no diário pessoal da autora e em vários testemunhos que recolheu. Na segunda parte, uma série de entrevistas com Sartre complementa e ao mesmo tempo amplia as reflexões precedentes. + Compre na Amazon (eBook)

A ridícula ideia de nunca mais te ver, de Rosa Montero

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Uma reflexão sobre a morte, o luto, o amor e a condição de ser mulher nas palavras da maravilhosa Rosa Monteiro, que mistura com maestria ficção e memória. Quando a escritora leu o impressionante diário (incluído como apêndice neste livro) que Marie Curie escreveu após a morte de seu marido, ela sentiu que a história dessa mulher fascinante guardava uma triste sintonia com a sua própria: Pablo Lizcano, seu companheiro durante 21 anos, morrera havia pouco depois de enfrentar um câncer. As consequências dessa perda geraram este livro vertiginoso e tocante a respeito da morte, mas sobretudo dos laços que nos unem ao extremo da vida. + Compre na Amazon

O ano do pensamento mágico, de Joan Didion

De uma das escritoras mais icônicas dos EUA, um retrato de um casamento e de uma vida, sem uma gota de autopiedade e escrito em um estilo envolvente e emocionante. Neste livro, Joan Didion narra o período de um ano que se seguiu à morte de seu marido, o também escritor John Gregory Dunne, e a doença de sua única filha. Feito com uma dose de sinceridade e paixão, O ano do pensamento mágico nos revela uma experiência pessoal e, ao mesmo tempo, universal. É um livro sobre a superação e sobre a nossa necessidade de atravessar – racionalmente ou não – momentos em que tudo o que conhecíamos e amávamos deixa de existir. + Compre na Amazon


Noturno do Chile, de Roberto Bolaño

Noturno do Chile é um denso monólogo constituído de apenas dois parágrafos: o primeiro ocupa quase todo o livro, e o segundo é uma frase de apenas oito palavras. O padre Sebastián Urrutia Lacroix, o narrador, repassa de modo febril sua vida de poeta e crítico literário “comedido e conciliador”, procurando uma resposta para as inquietações que o assaltam na proximidade da morte. Iniciado no mundo das letras pelo papa da crítica literária chilena, o proprietário rural Farewell (que, além de apalpar-lhe as nádegas, o apresenta ao poeta Pablo Neruda), o padre vive sob a proteção de Pinochet, a quem dá inusitadas aulas de marxismo. Ao misturar personagens reais e ficcionais, Bolaño acerta suas contas com a ditadura chilena e com a vida literária do país. Porém, mais que fazer denúncia política, dá um mergulho fundo nas águas turvas das contradições humanas. + Compre na Amazon (eBook)

Pulp, de Charles Bukowski

A saga de Nick Belane poderia até ser igual a de tantos outros detetives de segunda categoria que perambulam pelas largas ruas de Los Angeles. Mas aqui, mulheres inacreditáveis cruzam pernas compridas e falam aos sussurros, principalmente uma que atende pelo nome de Dona Morte. + Compre na Amazon

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Um sopro de vida, de Clarice Lispector

Quando a escritora Clarice Lispector terminou Um sopro de vida, às vésperas de sua morte, por câncer, em 1977, sabia que este seria o seu livro definitivo. O livro era de fato o sopro de vida de Clarice, que precisava escrever para se sentir viva. Na história, ela fala de um homem aflito que criou uma personagem, Angela Pralini, seu alter-ego. Mas ora ele não se reconhecia em Angela, porque ela era o seu avesso, ora odiava visceralmente o que via refletido naquela estranha personagem-espelho. A questão da vida e da morte atormenta este autor criado por Clarice em seus últimos momentos de vida: “Se me perguntarem se existe vida além da morte… respondo num hesitante esquema: existe mas não é dado saber de que forma essa alma viverá… Vida, vida recoberta em um véu de melancolia. Morte: farol que me guia em rumo certo. Sinto-me magnífico e solitário entre a vida e a morte”, diz o autor, ao qual responde a personagem Angela Pralini: “Na hora de minha morte – que é que eu faço? Me ensinem como é que se morre. Eu não sei.” + Compre na Amazon

O céu dos suicidas, de Ricardo Lísias

Um jovem colecionador, formado na universidade e que manifesta tendências impulsivas, vê seu mundo gradualmente se desintegrar ao perder seu melhor amigo, André, que cometeu suicídio. Atormentado pela culpa de não ter sido capaz de salvá-lo e pelo remorso, ele empreende uma viagem, tanto mental como geográfica, para rememorar o sofrimento final do amigo e tentar entender o que poderia ter feito para salvá-lo. Com um comportamento cada vez mais errático, agressivo e inconstante, o protagonista questiona o que aconteceu para sua vida atingir o ponto de agonia pela qual passa, com as lembranças dolorosas dos momentos instáveis de André, distúrbios de sono, vozes e ruídos em sua cabeça. Em capítulos curtos, sua odisseia à procura de respostas, nem sempre fáceis, se desenrola em uma jornada carregada de ansiedade e emoções. Alternando momentos de desesperança com uma grande busca, seja para compreender as próprias origens quanto para entender seu sofrimento, o protagonista de Ricardo Lísias constrói uma narrativa com forte peso dramático. Em O céu dos suicidas, seus impulsos e sentimentos à flor da pele revelam um homem que necessita de uma resposta para enfim encontrar a paz. + Compre na Amazon

Um crime da solidão: reflexões sobre o suicídio, de Andrew Solomon

Uma seleção inédita de textos do extraordinário autor de O demônio do meio-dia e Longe da árvore, que discutem com sensibilidade e empatia os vários aspectos do suicídio e da depressão. O demônio do meio-dia foi um livro divisor de águas sobre a depressão. Seu autor, Andrew Solomon, tratou de forma singular e inédita sobre esse mal que afeta milhões de pessoas no mundo, mas que, muitas vezes, ainda não é tratado com a seriedade devida. O suicídio é o extremo a que a doença pode levar, e é muito mais comum do que imaginamos: a cada quarenta segundos, alguém tira a própria vida. Nestes artigos que foram reunidos em livro pela primeira vez, numa edição exclusiva para o Brasil, Solomon reflete sobre casos recentes de suicídio de personalidades, como Anthony Bourdain, Robin Williams e Kate Spade, assim como de literatos, entre eles Sylvia Plath e David Foster Wallace, e ainda Virginia Woolf, que “tentou salvar-se pela arte” mas que sofria de um mal clínico intolerável e escolheu a água como um meio de morrer. Com sua narrativa fluida e seu olhar sempre empático, ele relata e analisa uma série de casos de pessoas que acabaram partindo antes da hora. + Compre na Amazon

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Confissões do crematório, de Caitlin Doughty

Um livro para quem planeja morrer um dia. Morrer é a única certeza da vida. Então, por que evitamos tanto falar sobre ela? A morte é inevitável, sentimos muito. Mas pelo menos, como descobriu Caitlin Doughty – que é agente funerária, escritora e youtuber -, ficar a sete palmos do chão ainda é uma opção. Confissões do Crematório reúne histórias reais do dia a dia de uma casa funerária, inúmeras curiosidades e fatos históricos, mitológicos e filosóficos. Tudo, é claro, com uma boa dose de humor. Enquanto varre as cinzas das máquinas de incineração ou explica com o que um crânio em chamas se parece, Caitlin Doughty desmistifica a morte para si e para seus leitores. O livro levanta a cortina preta que nos separa dos bastidores dos funerais e nos faz refletir sobre a vida e a morte de maneira honesta, inteligente e despretensiosa – exatamente como deve ser. Como a autora ressalta na nota que abre o livro, “a ignorância não é uma benção, é apenas uma forma profunda de terror”. + Compre na Amazon (eBook)

Contos de enganar a morte, de Ricardo Azevedo

Desde a década de 198, Ricardo Azevedo tem publicado livros infantojuvenis e pesquisado os contos populares para recontá-los a sua maneira. Assim é que da leitura de várias versões da mesma história, ele cria a sua. Aumenta o ponto do conto. Este livro é composto de quatro histórias nos legada pelos portugueses. Elas tratam dessa situação em que uma personagem tendo sido visitada pela Morte – tenta adiar a sua partida, seja por meio da negociação dos prazos ou pregando uma peça à Morte. É nessas idas e vindas da Morte e nos logros que estão a graça de cada conto. No entanto, sabemos que ela é inevitável e ainda que mais tarde, a Morte cumpre o seu desígnio. As ilustrações coloridas inspiradas nas xilogravuras do cordel são como um retrato dos principais momentos de cada conto. + Compre na Amazon

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Contos de morte morrida, de Ernani Ssó 

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Há muito tempo, há algumas várias horas, quando os bichos falavam, um escritor começou um livro muito difícil. Primeiro, porque era sobre um assunto delicado. Depois, porque, ao se sentar em frente da escrivaninha, viu a sombra de alguém encapuzado, segurando uma gadanha, se estender sobre o monitor do micro e a parede… Com o humor seco e a dignidade que o tema merece, e com a leveza e a cadência da narrativa oral, Ernani Ssó conta nove histórias em que o protagonista é a Morte. Não aquela simplesmente má – a que dá aquelas gargalhadas estrondosas -, mas a Morte em seus vários disfarces, encenando a grande personagem que é. Ilustrações de Marilda Castanha. + Compre na Amazon

E você, conhece livros sobre a morte? O que achou das nossas indicações? Conte nos comentários! 

Imagem de capa: cena da “dança da morte”, do filme “O sétimo selo” (dir. de Ingmar Bergman, 1957).

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Bruna Bengozi
Bruna é mestra em História pela USP e graduanda em Letras pela Univesp. Redescobriu (e redescobre) o amor pelos livros, pela música e pela vida. Aguarda ansiosamente a queda do capitalismo e do patriarcado. Sofre de "síndrome da impostora".

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