Estados Unidos

9 livros para entender a política dos Estados Unidos e seu impacto no mundo

Enquanto aguardamos o resultado das eleições presidenciais dos Estados Unidos, deixamos uma lista de livros sobre as políticas norte-americanas e seu impacto no mundo.
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O mundo segue acompanhando o complexo processo eleitoral dos Estados Unidos, que pode reeleger o republicano Donald Trump ou levar o democrata Joe Biden para a Casa Branca. Mais do que uma eleição, os resultados nas urnas podem definir não só os rumos do país como também a política externa – o que afetará significativamente o Brasil.

Por isso, nos EUA se mostrou e se mostra relevante para se compreender o que acontece no mundo e em nosso próprio país, seja em termos econômicos, políticos, sociais ou culturais.

Para esta árdua tarefa, separamos alguns livros que suscitam diversas reflexões e podem nos ajudar a compreender a história e a constituição das políticas norte-americanas, os problemas da administração de extrema-direita de Trump, marcada por ideais fascistas, pela pós-verdade e pelo desgoverno (aliás, qualquer semelhança com a nossa realidade não é mera coincidência).

História dos Estados Unidos: das origens ao século XXI

Como podem os Estados Unidos provocar tanto ódio, a ponto de muita gente no mundo ficar feliz com ataques suicidas de fanáticos contra eles? Como pode uma cultura influenciar tantas outras e ostentar, muitas vezes, um provincianismo digno de rincões escondidos no espaço e no tempo? Nação que absorveu mais imigrantes que nenhuma outra na história, que respeita as diferenças criando etiquetas para as minorias, que incorpora cientistas do mundo todo em suas melhores universidades, que espalhou para o mundo o cinema e o jazz, séries de TV e calças jeans, padrão de magreza anoréxica e de seios inflados; país que defendeu a democracia em “guerras justas” e atentou contra ela em invasões injustificáveis. É sobre esse fascinante país que trata este livro. Primeira e única obra feita com olhar brasileiro, foi escrita por quatro especialistas da área – Leandro Karnal, Sean Purdy, Luiz Estevam Fernandes e Marcus Vinícius de Morais -, passando longe da visão maniqueísta com que o tema comumente é tratado. Obra de referência, essencial para quem não é indiferente (gostando ou não) às influências que a terra do Tio Sam exerce sobre nós. + COMPRE NA AMAZON

Ruptura

“Sopram ventos malignos no planeta azul”, sentencia o sociólogo Manuel Castells, enquanto o mundo é assolado por um turbilhão de múltiplas crises. A crise econômica que se prolonga em precariedade de trabalho e desigualdade social; o terrorismo fanático que impossibilita a convivência humana e alimenta o medo; a permanente ameaça de guerras atrozes como forma de lidar com conflitos; as inúmeras violações dos direitos humanos e à vida. Existe, porém, uma crise ainda mais profunda, mãe de todas as outras: a ruptura da relação entre governantes e governados, a desconfiança nas instituições e a não legitimidade da representação política. Trata-se do colapso gradual de um modelo político de representação: a democracia liberal. Neste livro urgente, fruto de ampla pesquisa, Castells analisa as causas e consequências desse rompimento, à luz dos mais recentes acontecimentos políticos mundiais: a vitória de Trump nos Estados Unidos; o resultado do Brexit no Reino Unido; a desconfiguração partidária na França; e a ideia de “democracia real”, em oposição à democracia liberal moribunda, nascida dos movimentos sociais originários das redes sociais na Espanha, que levou ao fim do bipartidarismo no país. Mas aonde nos levará essa ruptura? Qual a nova ordem que substituirá a que morre? Se o futuro é ainda incerto, Castells nos faz refletir e enxergar com clareza o panorama atual, em uma publicação mais que oportuna para o momento de incerteza em que vivemos. + COMPRE NA AMAZON

Estas Verdades

“Consideramos estas verdades como autoevidentes: que todos os homens são criados iguais, que são dotados por seu Criador de certos direitos inalienáveis, que entre eles estão a vida, a liberdade e a busca da felicidade.” Essas são as palavras de Thomas Jefferson na Declaração de Independência, o documento que estabelece a identidade dos Estados Unidos como nação. Ao longo dos quinhentos anos que se seguiram desde então, o experimento americano baseou-se nos três ideais descritos por Jefferson como “estas verdades”: igualdade política, direitos naturais e soberania do povo. A historiadora e professora de Harvard Jill Lepore abre seu trabalho de reconstrução da história dos Estados Unidos com a citação de Jefferson, mas muito do que há de pior no desenvolvimento dessa nação ― a escravidão e o apreço por esse sistema, os linchamentos públicos, a brutalidade com os povos nativos, a segregação racial ― se evidencia a cada página, desenhando um retrato possivelmente mais fiel do que a premissa democrática, poética, e quiçá utópica, descrita pelo terceiro presidente do país. Estas verdades conta a história americana desde 1492, questionando se o curso dos eventos ao longo desses cinco séculos comprovou as tais premissas fundadoras ou as desmentiu. Em busca destas verdades, a autora traçou o intrincado panorama da política americana do período colonial à máquina partidária do século XIX, dos programas de rádio às pesquisas na internet do século XXI, da Magna Carta ao Ato Patriótico, do jornalismo impresso ao Facebook. Estas verdades em muitos aspectos remodelará a visão da história americana pelas próximas décadas. + COMPRE NA AMAZON

Estados Unidos e América Latina: a construção de uma hegemonia

O livro, escrito por Luis Fernando Ayerbe, é composto de 8 capítulos que trazem uma minuciosa análise com perspectiva histórica e também fontes bibliográficas de arquivos consultados na Agência Central de Inteligência (CIA) e no Departamento de Estado. Quanto à seleção de documentação presente no livro, o autor escreve “A seleção e análise da documentação não tiveram como objetivo a descoberta de fatos que pudessem contribuir para esclarecer eventuais lacunas presentes nos estudos históricos conhecidos. A intenção foi registrar as avaliações prévias às decisões de política externa, com base em análises originalmente sigilosas, a fim de descrever objetivamente as situações a serem enfrentadas, de modo a assessorar o poder executivo para que este seja bem-sucedido nas medidas adotadas”. + COMPRE NA AMAZON

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Como ser antirracista

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Os Estados Unidos têm uma história marcada por conflitos raciais, que se intensificaram nos últimos meses com o assassinato de pessoas negras pela polícia. Então torna-se urgente entender as bases racistas das ações policiais, políticas, jurídicas e econômicas contra negros e outras etnias. O racismo é, essencialmente, um sistema poderoso que cria falsas hierarquias de valor humano; sua lógica distorcida vai além da raça, da forma como consideramos as pessoas de diferentes etnias ou cor de pele à forma como tratamos pessoas de diferentes sexos, identidades de gênero e tipos físicos. O racismo se intersecciona com a classe, a cultura e a geografia, e até muda o modo como nos vemos e nos valorizamos. Em Como Ser Antirracista, Ibram X. Kendi, vencedor do National Book Award, leva os leitores por um amplo círculo de ideias antirracistas ― dos conceitos mais básicos a possibilidades visionárias ― que ajudarão os leitores a ver todas as formas de racismo com clareza, compreender suas consequências tóxicas e agir para rejeitá-las em nossos sistemas e em nós mesmos. Kendi entrelaça uma estimulante combinação de ética, história, leis e ciência com sua própria história do despertar para o antirracismo. Esta é uma obra essencial para todos que querem ir além da consciência do racismo e atingir o próximo passo: contribuir para a formação de uma sociedade justa e igualitária. + COMPRE NA AMAZON


Crises da democracia

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Autor da definição mais reconhecida e precisa de democracia ― um regime em que governantes deixam o poder quando perdem eleições ―, Adam Przeworski captou sua essência melhor que ninguém. Autoridade máxima no tema, o professor de política e economia da Universidade de Nova York examina a natureza da crise das democracias contemporâneas para tentar entender a explosão do populismo de perfil autoritário nos últimos tempos. Para Przeworski, “não devemos confiar em análises que pretendem saber e compreender tudo”, pois nosso estado atual de conhecimento não permite respostas fáceis. Após estudo cuidadoso e aprofundado do que tem sido escrito a respeito, ele disseca a presente situação política dos regimes democráticos estabelecidos, comparando-a com o contexto de fracassos passados e projetando as perspectivas futuras. Suas conclusões são claras e certeiras, mas estão longe de ser simples ou reconfortantes. Um livro sóbrio, acessível e fundamental, dirigido a todos os interessados no destino da democracia. + COMPRE NA AMAZON

A Morte da Verdade: notas sobre a mentira na Era Trump

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A manipulação das informações no governo Trump e caminhos para a era da pós-verdade. Vivemos em uma época em que qualquer ideia objetiva da verdade é ridicularizada, sobretudo no cenário sociopolítico norte-americano. Teorias da conspiração e ideologias que já haviam sido totalmente desacreditadas voltaram a ter voz na cultura, questionando o que já foi estabelecido pela ciência. A sabedoria das massas se impôs ao conhecimento e cada um de nós tende a se ater às crenças que validam nossos próprios preconceitos. Mas por que a verdade se tornou uma espécie em extinção? Em A morte da verdade, Michiko Kakutani, crítica literária do The New York Times por quase quatro décadas e vencedora do Prêmio Pulitzer, explica como as forças culturais contribuíram para essa catástrofe da contemporaneidade. Seja nas redes sociais, na literatura, na TV, no mundo acadêmico ou na política, é possível identificar tendências que colocaram a subjetividade sobre um pedestal em detrimento da realidade, da ciência e dos valores comuns. Nesse cenário de descaso pelos fatos, da substituição da razão pela emoção e da corrosão da linguagem — que diminuem o próprio valor da verdade — o que pode acontecer com os Estados Unidos e com o restante do mundo? + COMPRE NA AMAZON

MEDO: Trump na Casa Branca

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Com detalhes sobre a rotina de Trump, diálogos e documentação inédita, MEDO é o mais íntimo retrato já publicado de um presidente em seus primeiros anos no cargo. MEDO: Trump na Casa Branca, de Bob Woodward – um dos mais destacados repórteres políticos de todos os tempos –, é um livro que vem abalando a política norte-americana. O autor se vale de centenas de horas de entrevistas com fontes primárias, atas de reunião, diários pessoais, arquivos e documentos para revelar a maneira atabalhoada como são tomadas as decisões na Casa Branca. De assuntos-chave da política internacional, como a Coreia do Norte, Afeganistão, Irã, Oriente Médio, China e Rússia, a pontos cruciais da política interna, como imigração e a violência racial em Charlottesville, MEDO retrata “o colapso nervoso do poder executivo do país mais poderoso do mundo”, afirma Woodward. + COMPRE NA AMAZON

A política externa norte-americana e seus teóricos

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Neste livro, sobre geopolítica e relações internacionais, o historiador inglês Perry Anderson reconstitui os principais acontecimentos e inflexões da política externa dos EUA desde o fim da Segunda Guerra até os dias atuais, fazendo uma análise crítica desse período e de como foram tecidas as bases ideológicas, políticas, militares e institucionais em que se sustenta, atualmente, o poder imperial do país. A política externa norte-americana e seus teóricos é uma obra sucinta, que se inscreve dentro da literatura crítica do imperialismo, mas não repete os seus argumentos clássicos. Para o historiador, a oposição radical ao império norte-americano não ‘exige garantias do seu recuo ou do seu colapso iminente’. Mais do que isso, Anderson considera que, apesar das grandes mudanças geopolíticas em curso nesta segunda década do século XXI, os EUA mantêm sua hegemonia mundial. + COMPRE NA AMAZON


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Bruna Bengozi
Bruna é mestra em História pela USP e graduanda em Letras pela Univesp. Redescobriu (e redescobre) o amor pelos livros, pela música e pela vida. Aguarda ansiosamente a queda do capitalismo e do patriarcado. Sofre de "síndrome da impostora".

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