A Noite dos Desesperados (They Shoot Horses, Don’t They?)

Horace McCoy (1897-1955) faz parte da safra de escritores influenciados pela “grande depressão americana”, a época em que o mundo viu a ascensão e o declínio da economia de uma sociedade em pouquíssimo tempo, que resultou em desemprego, desilusão, descrença, desespero, uma ferida que demorou muito para cicatrizar. E, assim como F. S. Fitzgerald, Hemingway e outros, Horace McCoy também teve seu momento recluso em Paris, porém voltou para os Estados Unidos e se tornou um roteirista de filmes hollywoodianos. 

A Noite dos Desesperados é um livro lançado pela Sá Editora. O nome original é “They Shoot Horses, Don’t They?” (Eles matam cavalos, não matam?) e conta a história de um casal que entra numa maratona de dança para conseguir apenas alguns trocados e comida. Nada muito diferente do que a televisão mostra nos reality shows, porém hoje a brincadeira vale um milhão. Há também o sonho dos personagens: a mulher quer ser atriz, o homem quer ser diretor de cinema. Através do sonho ingênuo e sem estrutura, eles acreditam que a maratona de dança dará a oportunidade que eles tanto desejam.

Glória Beatty é a personagem assassinada pelo seu amigo de dança Robert Syverten e isto acontece na primeira página do livro. A partir desse ponto, a história volta ao passado sobre o olhar de Robert, um cara sonhador, sensato e que foi engolido pela amargura de Glória. Já no tribunal, ele tenta explicar porque matou sua parceira de dança.

A maratona parece não ter fim, eles param apenas para se alimentar, tomar banho, trocar de roupas (quando recebem doações dos patrocinadores) e descansar alguns minutos. A regra é simples: ganha o casal que sobreviver à maratona: alguns desistem, outros são desclassificados, tem até casal que casa durante a maratona, tudo em nome do entretenimento guiado pelo apresentador Rock, o Pedro Bial da história, que leva esperança e ânimo às suas marionetes, exploradas até o último limite de suas forças físicas e psicológicas .

Achei interessante o formato da história, afinal, contar na primeira página que “a mocinha” da história foi assassinada pelo “mocinho” traz ao autor a responsabilidade de fazer a história surpreendente mesmo assim, coisa que Horace McCoy conseguiu com facilidade, talvez seja sua familiaridade com roteiros de cinema.

They Shoot Horses, Don’t They? foi lançado nas telonas em 1969 pelo diretor Sydney Pollack, recebeu vários prêmios importantes, como o Oscar de ator coadjuvante para Gig Young e indicação de melhor atriz para Jane Fonda, no papel da mulher sinônimo de depressão, desilusão e amargura, Glória Beatty.

Onde Comprar: 
Americanas
Livraria Cultura
Livraria Cultura (ebook – em inglês)
Submarino

Francine Ramos é formada em Letras Português/Inglês, trabalha com Tecnologia Educacional e em 2011 criou o blog Livro&café. O que ela quer é ser professora de literatura, ter uma boa biblioteca particular, viajar e ler Virginia Woolf. Tudo isso e mais, sem esquecer do café.

  • Nelson

    Quando estava no 2° grau (hoje ensino médio), no final dos anos 80, um professor de inglês colocou a turma para assistir a esse filme. Não me recordo sob qual alegação. Fato é que o filme é muito forte, denso e deprimente até. Não me recordo claramente de tudo, me lembro pouco do filme, até hoje não sei o motivo do professor Vinícius nos colocar pra assistir a este filme. Tínhamos entre 15 e 16 anos, foi quase uma tortura pra gente. Gostaria de assisti-lo novamente, para ver se aos 39 anos, consigo entender o motivo que levou o professor a nos “obrigar” a assistir tal filme.
    Outro filme que assisti naquela época, mas não por imposição de professor, foi “A insustentável leveza do ser”. Este último eu não entendi nada… mó louco esse filme.

  • Sônia Montenegro

    Assisti a esse filme em 1970. Saí do cinema meio “down” e não parei de pensar nele por muito tempo. Foi um filme marcante em minha vida, estrelado pela musa Jane Fonda. Naquela época, os jovens tinham mais conteúdo, eram pensadores e intelectuais. Lembro até hoje da história. Não li o livro, mas certamente é mais que recomendável.