Americanah (Chimamanda Ngozi Adichie)

Ifemelu é a personagem do livro Americanah, escrito pela nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie e lançado pela Companhia das Letras em 2014. O livro, que possui mais de 500 páginas, aborda importantes temas, como o feminismo e racismo.

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Chimamanda Ngozi Adichie

Tudo começa quando Ifemelu, uma nigeriana que mora nos EUA, decide voltar para a sua terra-natal. Ela está no cabeleireiro, refazendo seu penteado afro e pensando sobre as próximas decisões que precisará tomar e, principalmente no que irá encontrar quando voltar para casa.

Enquanto o penteado afro de Ifemelu é feito, a vida dela é apresentada ao leitor, que volta para seus tempos de infância, adolescência e juventude na Nigéria, com personagens interessantíssimos e diversas situações que fazem pensar nas questões raciais, no machismo, no feminismo e também em ter esperança.

O outro lado da história é apresentado pelo personagem Obinze, o primeiro namorado de Ifemelu que, por circunstâncias da vida, acabam se separando. A história dos dois se torna um ponto muito importante para a obra, pois assim como Ifemelu e Obinze, o leitor torce para que os dois se reencontrem após as diferentes histórias que viveram sozinhos: Ifemelu nos EUA, Obinze na Inglaterra e Nigéria.

Toda a dificuldade de uma pessoa em terras estrangeiras, como a falta de documentos, a demora em conseguir um emprego, casamentos arranjados, preconceitos e, principalmente a solidão, faz de Americanah um relato muito pertinente aos dias de hoje, em que cada ser humano, apenas com a arma da esperança de uma vida melhor, vai desbravar o desconhecido mundo e se depara com as mesmas questões como se não tivesse saído do lugar. Ifemelu quer esquecer Obinze, passa por relacionamentos estranhos, onde ela parece se auto flagelar por não ter encarado o que era preciso para poder estar com Obinze. Ele, do outro lado do continente, tenta encarar tudo o que se pede para um homem: ter dinheiro, ter um bom casamento, não amar muito.

Ifemelu é uma personagem encantadora, é impossível não torcer por ela, ao mesmo tempo, o que é comum nos romances contemporâneos, sentimos raiva de certas atitudes que ela toma. Ou seja, justamente por ela ser tão perfeitamente humana é que criamos um vínculo tão forte com a personagem. Chorei nos primeiros capítulos do livro, quando conheci todas as situações terríveis que ela passou ao chegar nos EUA ao ponto de eu ficar preocupada com o resto da história: se já chorei no começo o que virá depois? E o que veio foi praticamente uma história de guerra sem armas. Ifemelu foi lá vencer, foi lá encarar, foi lá dizer na cara de todo mundo as suas angústias, os seus medos, as suas vontades e principalmente revelar em cada passo próprio o quanto o racismo ainda é presente, o quanto, todos nós, em algum momento o sentimos ou o praticamos. Sim. Sim.

O feminismo também está presente na vida de Ifemelu que, apenas sendo uma garota, sentia que certas coisas estavam fora do lugar quando reparava em relacionamentos de homens e mulheres. O exemplo mais forte que ela teve foi de sua tia com típicos seres que tratam a mulher como um objeto sexual ou doméstico. Outros exemplos também são apontados, dentro de sua própria casa e aqueles que fazem de muitas mulheres também machistas.

A forma com que Ifemelu encontrou para expor as suas ideias foi um blog, em que ela falava de tudo um pouco e principalmente, sobre o racismo velado dos americanos. E foi o próprio blog que deu a Ifemelu a possibilidade de viver como uma americana. Ou como o próprio título do livro, Americanah, com “h”, que estica a quinta sílaba para reforçar um sotaque, uma marca, um estilo, que revela também profundas diferenças sociais.

Americanah foi o primeiro livro de Chimamanda Ngozi Adichei que li. Antes desse, foi publicado no Brasil Hibisco Roxo, Meio Sol Amarelo e Sejamos Todos Feministas (disponível para download grátis), que pretendo ler em breve.

É difícil dizer apenas um ponto do livro que mais gostei, pois o conjunto, o pacote que recebemos com a leitura é uma maravilha, não por ser apenas beleza, mas por ser um livro que faz o leitor pensar, analisar, criticar. Lá pela página 400 eu senti a história um pouco arrastada, me incomodou ver Ifemelu dando voltas numa vida que ela parecia não gostar e não sabia como se afastar dela. Porém, as últimas 60 páginas me causaram uma sensação de leitura perfeita. Cada parte da narrativa se tornou de extrema importância, até mesmo o período que considerei arrastado, pois a junção com toda a história, todos os personagens, ambientes, diálogos, situações, etc, finalizam o romance brilhantemente. E se me perguntarem quais foram os melhores livros que li em 2014, Americanah está na lista.

Resenha em vídeo no canal Livro&Café:


 Onde comprar Americanah:

Amazon
Americanas
Livraria Cultura
Saraiva
Submarino


Francine Ramos

Criou o Livro&Café em 2011, é professora de Língua Portuguesa, adora ler e trabalhar com mediação de leitura. Acredita que os livros podem mudar o mundo e ama Virginia Woolf.

6 Comments
  1. Li a resenha e assisti o video há uns dias atras e desde então estou extremamente ansiosa pra comprar esse livro e finalmente poder ler essa historia. Parece ser maravilhoso!

  2. Estou nas últimas páginas de Meio Sol Amarelo e estou encantada com essa visão da guerra de independência da República de Biáfra. Já me preparando para dar sequência nas leituras de Chimamanda. Ele tem uma escrita com um ritmo delicioso.

    1. Oi, Elisangela!
      Pretendo ler Meio Sol Amarelo tb. Chimamanda é tão incrível, uma escritora tão especial…quero ler tudo dela!
      Obrigada pela visita 🙂

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