Eu, Robô (Isaac Asimov)

Os livros de ficção científica tendem a nos fazer pensar sobre a condição humana, por mais diferente que seja a história, por mais distante que seja de nossa realidade, quando é possível imaginar um mundo diferente, talvez pela própria discrepância entre o real e o imaginário, acabamos por pensar na real importância do ser humano, pois será que existe mesmo diferença entre a ficção científica e a vida contemporânea, se analisarmos pelo ponto de vista que os problemas que surgem na vida são os mesmo ontem hoje e sempre?

 photo eu-robo-ok_zps2x5actqv.jpgNo livro “Eu, Robô” Isaac Asimov apresenta para o leitor uma maravilhosa compilação de histórias sobre um mundo intergaláctico em que os robôs são peças importantíssimas para a manutenção e a vida humana. Susan Calvin, especialista em psicologia robótica, conta para um jornalista como foi a transformação do mundo a partir do surgimento de robôs, tanto para a vida doméstica, quanto para controlar a economia mundial.

Dividida em capítulos, como se fossem contos, porque foram publicadas aos poucos no início do século XX, em revistas do segmento, a história do livro “Eu, Robô”, assim reunida, se parece muito mais um romance sobre robôs. Mas, ora, em cada capítulo é apresentado um robô diferente, então é um livro de contos. Mas, ora, o robô, se é uma máquina sem personalidade é uma coisa só, então é um romance. Mas, ora… o que pensar sobre “Eu, robô”?  As histórias são intrigantes, pelos robôs, mas também pela forma como está conduzida a história. O olhar de Susan Calvin para os seres de metal deixa qualquer leitor intrigado, maravilhado e muito curioso por esse mundo ainda tão diferente e distante da nossa realidade. Se por um lado eu tenho apenas contos sobre robôs, por outro eu tenho uma personagem presente, mesmo que em segundo plano, em todos os contos, o que me leva a interpretar o livro como sendo um romance de ficção científica.

Há um jornalista que procura a doutora especialista em psicologia robótica para conseguir um relato sobre os intrigantes seres que, por uma ordem mundial, não convivem com os humanos, mas adquirem papéis fundamentais em outras galáxias para cuidar – literalmente – da humanidade. Ela, por estar aposentada, se sente tranquila em revelar os principais mistérios e segredos sobre a pesquisa robótica, uma vez que esteve presente na evolução dessa ciência, desde que era uma garota apenas curiosa, até se tornar uma senhora muito respeitada no meio. Então cada capítulo representa a lembrança de Susan sobre o mundo robótico e a fala dela com o jornalista, mesmo que tudo se estenda e ganhe um narrador em 3ª pessoa, que não é a Susan, que se parece mais com uma viagem no tempo, como aquelas cenas de filmes em que a câmera parece mergulhar num redemoinho até chegar ao passado.

No passado de Susan, que seria o início do século XXI, vamos conhecer a forma como os humanos encaram a existência dos robôs. Temos desde o caso de uma criança que prefere brincar com o seu robô em vez dos amigos reais, até complexas situações que envolvem empresas do segmento e os governantes mundiais. Ficamos maravilhados com as possibilidades da ciência, conhecemos as Três Leis da Robótica criadas por Isaac Asimov que limita a atuação dos robôs, para, em resumo, não fazer mal aos seres humanos, e também ficamos intrigados com a difícil relação entre nós e as máquinas. Podemos nos sentir geniais por conseguirmos criar um robô tão perfeito, capazes até de nos levar a tão sonhada viagem intergaláctica, mas também é assustador saber que eles podem tomar os nossos lugares com perfeição.

Os robôs positrônicos de Isaac Asimov podem se comportar de acordo com as configurações inseridas neles. Há robôs para serviços domésticos, como outros capazes de construir uma nave espacial. A grande particularidade, que os tornam meio humanos é que de acordo com as tarefas que eles precisam cumprir, eles são capazes até de acreditar em Deus.


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Francine Ramos

Criou o Livro&Café em 2011, é professora de Língua Portuguesa, adora ler e trabalhar com mediação de leitura. Acredita que os livros podem mudar o mundo e ama Virginia Woolf.

10 Comments
  1. Gostei muito do texto; estou com este livro na estante há um tempinho e pretendo lê-lo em breve. Vai ser meu primeiro contato com a obra do Asimov, e decidi começar por este porque o tema me atrai bastante – segue muito atual, e imagino que traga reflexões importantes a respeito do homem e da tecnologia, e como nos tornamos cada vez mais dependentes e vulneráveis a ela.

    Beijão,

    1. Oi, Aline!
      Eu, Robô tb foi o meu primeiro contato com o autor. Gostei tanto que vou querer ler outros. Acho que vou buscar a trilogia Fundação agora. 🙂
      Bjão!

      1. Se eu puder sugerir, deixe Fundação para depois. =P Leia O Homem Bicentenário, que tem um enredo maravilhoso. Fundação é muito, mas muito chata, a trilogia inteira. Acho que é uma das obras mais chatas de Asimov. rs

        Asimov tem um conto maravilhoso que se chama A Última Pergunta, vale à pena ler também. a

        1. hahaha sério que Fundação não é legal? Tenho um amigo que gostou tanto que me fez jurar que vou ler! hahaha Agora tô perdida! rs

          1. Hahahaha! Calma, não é que ele seja chato. Mas acho que Asimov escreveu coisas melhores, sabe? rs

            Fundação, o primeiro livro, por exemplo, não tem uma personagem mulher na narrativa toda. Acho que tem uma empregada, por exemplo. Nos outros dois a coisa melhora um pouco, fica mais ativa, menos insípida. Acho que imaginar um futuro tão distante para a humanidade sem pensar em diversidade foi um grande erro do autor.

          2. aaahh entendi! isso realmente é algo que vai me incomodar bastante na leitura…

  2. Eu coloquei na minha lista um livro de Asimov chamado Os Próprios Deuses, fiquei muito animada com a história e achei que seria legal pra começar na ficção científica.

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