Democracia no Brasil e crise migratória em dois lançamentos de Álvaro Filho em Portugal

Semifinalista do Prémio Oceanos 2018 e vencedor dos Novos Talentos FNAC 2018, Álvaro Filho lança a ficção Meu Velho Guerrilheiro e o conto Otelo em Portugal.

O assassinato de um presidente e a morte de uma imigrante. Os crimes permeiam duas diferentes histórias apresentadas em Portugal, em Outubro, pelo autor semifinalista do prémio Oceanos (2018) e vencedor do Novos Talentos FNAC Portugal (2018), o escritor e jornalista Álvaro Filho.

Memórias

Meu Velho Guerrilheiro, eleita a melhor ficção de 2017 pela Academia Pernambucana de Letras, navega entre o real e o ficcional, a política e a autobiografia.

Publicada no Brasil, em Setembro, pela editora Jaguatirica, a obra foi editada em Portugal pela Gato Bravo e apresentada no último Festival Literário Internacional – Folio, em Óbidos. A narrativa de Meu Velho Guerrilheiro lança mão da afetividade para revisitar o atual golpe político no Brasil, através de assassinato e relações familiares entre memórias, às vezes, “incertas”.

Nas páginas, o narrador é um escritor que interrompe o autoexílio no estrangeiro. A trama dialoga com o período de turbulência política no país e mostra como momentos extremos podem levar as pessoas a tomar atitudes igualmente extremas.

Paranoia

Inspirado em obra da literatura universal, Otelo resgata o drama do clássico de William Shakespeare aos tempos atuais e aborda questões de migração, que têm inquietado o autor.

O texto compõe a coletânea dos contos vencedores do Novos Talentos Escrita FNAC 2018 e conta a história de jornalista veterano que acorda em um hospital com lapsos de memória. Da médica que o atende ao suspeito de um assassinato, a trama desenrola-se sob um clima de paranoia provocado pela presença, nem sempre física, deste “outro” que o emigrante representa.

Nascido no Recife (Brasil), o escritor de 45 anos vive em Lisboa desde 2016. É também autor de outros três romances, entre eles Curso de Escrita de Romance – nível 2, vencedor do Prêmio Pernambuco 2016 e semifinalista do Oceanos 2018.

Foto: Líbia Florentino


Francine Ramos

Criou o Livro&Café em 2011, é professora de Língua Portuguesa, adora ler e trabalhar com mediação de leitura. Acredita que os livros podem mudar o mundo e ama Virginia Woolf.

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