Síndrome de Bartleby: uma renúncia à escrita

Há alguns anos tomei conhecimento sobre a Síndrome de Bartleby, que possui esse nome devido ao conto de Melville, “Bartleby, o Escrivão” no qual o protagonista fica desiludido com tudo o que o cerca e acaba perecendo em uma cela.

A Síndrome de Bartleby é a doença dos escritores. Caracterizada pela renúncia à escrita, pela impossibilidade de exercer o ato de escrever, pelo esgotamento das ideias.

Enrique Villa-Matas popularizou o termo em seu livro “Bartleby e Companhia” (Cosac Naify). Na obra, Villa- Matas mostra dezenas de escritores famosos que abandonaram a literatura para viver uma vida comum. Segundo o escritor, para renegar os livros e a escrita precisa-se de mais imaginação do que para um suicídio, já que os escritores sempre vão ter de lidar com a cobrança e pressão do público leitor.

Arthur Rimbaud, poeta francês é um exemplo de escritor que desistiu da literatura. Atingiu seu limite aos dezenove anos, quando desistiu da palavra escrita para viver uma vida de aventuras. Já Juan Rulfo não voltou a escrever após a morte de um familiar que lhe contava histórias inspiradoras.

Mas, o que leva um escritor a abandonar a escrita? Medo? Insegurança? Falta de inspiração? Pensar que qualquer obra futura não superará a antiga? Perceber que palavras são insuficientes? Pensar que tudo o que é novo se baseia numa ideia anterior e não passa de uma repetição? Vários fatores. Todos eles muito pessoais.

Recentemente, Philip Roth, escritor americano, declarou que não escreverá mais nenhum romance e que Nêmesis, será seu último livro. Roth confessou que se cansou de escrever e disse à revista francesa Les Inrocks que se sente como um boxeador no fim da carreira, para finalizar, afirmou que fez o melhor com aquilo que tinha.

A escritora Alice Munro, ganhadora do último Nobel de Literatura também afirmou em uma entrevista que não pretende voltar a escrever. Sendo assim, Vida Querida (coletânea de contos publicada no Brasil pela Companhia das Letras) seria seu último livro.

Vamos torcer para isso não acontecer e não vamos parar para pensar em quantos livros incríveis foram descartados por escritores brilhantes, que sentiram que aquele material em suas mãos era insuficiente demais para agradar o mundo.


E por fim, quem nunca escreveu algo que descartou que atire a primeira pedra.

Referências:
Wikipedia | Leituras e Observações | Átimos Ótimos | JC On line | Zero Hora |


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Aléxia Roche

Sempre nutri uma paixão incondicional por livros e mal consigo falar da minha própria existência sem mencionar a Literatura. Os livros sempre estiveram presentes em todos os momentos da minha vida. Sou graduada em Letras Português/Inglês, graduanda em Letras Espanhol e leciono aulas de Inglês para o ensino fundamental.

3 Comentários
  1. eu acho que a escrita vem como ondas não dá para acelerar , não da para parar , acontece de repente , sem compromissos , na mais pura forma , quase espontânea. Quando acontece este momento é o nascimento de uma obra, mesmo q seja só uma frase ou um grito ja faz sentido …

    1. Adorei seu ponto de vista! E é realmente verdade. Escrever é algo tão natural que não dá para planejar. 🙂

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