Arthur C. Clarke e Virginia Woolf nos dizem sobre religiões

O que Virginia Woolf e Arthur C. Clarke nos dizem sobre religiões

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Os dois escritores, possuem obras muito diferentes entre si. Em Virginia Woolf temos o cotidiano como plano de fundo. Em Arthur C. Clarke, mergulhamos em mundos futuristas tão diferentes de nossa realidade… Então, o que Virginia Woolf e Arthur C. Clarke nos dizem sobre religiões?

Virginia Woolf (1882 – 1941) foi uma escritora inglesa, adepta à prosa poética e assuntos relacionados ao existencialismo. Em suas obras ficam evidentes a postura feminista da escritora e o desejo por compreender o ser humano em todas as suas vertentes: vida, morte, solidão, tristeza, felicidade, religião, convenções sociais, etc.

Arthur C. Clarke (1917 – 2008) foi um inventor e escritor inglês. É autor de obras de ficção científica e também contribuiu para a divulgação do pensamento científico, sendo uma figura muito importante para o desenvolvimento das telecomunicações. Sua obra de ficção mais conhecida é sem dúvida, “2001, uma odisseia no espaço”, que também se tornou um filme.

O que Arthur C. Clarke e Virginia Woolf nos dizem sobre religiões

Dois grandes livros

Os dois escritores, possuem obras muito diferentes entre si. Em Virginia Woolf temos o cotidiano como plano de fundo. Em Arthur C. Clarke, mergulhamos em mundos futuristas tão diferentes de nossa realidade, porém, assim como Virginia Woolf, são histórias que permeiam um encontro com a compreensão do ser humano.

No livro “Orlando: uma biografia“, Virginia Woolf nos conta a história de um personagem que vive mais de 300 anos, desde a época vitoriana, ao início do século XX. A vida da personagem fica marcada por uma mudança natural de sexo, de forma a fornecer para o leito todas as maravilhas de ser homem e mulher, ao mesmo tempo, como um junção andrógina, tão explorada em questões sobre o futuro.

No livro “A cidade e as estrelas“, Arthur C. Clarke nos conta a história de um futuro muito distante, em que o planeta Terra é quase totalmente deserto, se não fosse por algumas cidades, com culturas extremamente diferentes, terem sobrevivido a uma guerra intergaláctica. De um lado há uma cidade com pessoas eternas, de um outro uma que ainda deseja viver de um modo parecido com o que temos hoje.

O questionamento sobre religiões

E o que esses dois livros – tão diferentes em estilo – tem em comum é o questionamento sobre religiões, o que acontece nos embates religiosos e não-religioso que vemos todos os dias, em que cada pessoa, munida de sua religião, ataca outra religião e acredita cegamente que apenas uma (a que ela segue) é a religião verdadeira, gerando assim um conflito que vai além dos espaços religiosos, prejudicando até mesmo quem não tem nada a ver com isso.

A personagem Orlando, ao retornar para Londres, após passar um longo tempo fora de seu país, encontra em sua casa um caderno religioso que a faz pensar no seguinte:

“Nada, entretanto, pode ser mais arrogante, embora nada seja mais comum, do que supor que, em matéria de deuses, exista apenas um e que, em matéria de religiões, não exista nenhuma outra a não ser a do declarante.”

Orlando, Virginia Woolf. (p. 116)

O personagem principal do livro A cidade e as estrelas, Alvin, também faz uma longa viagem, para questionar a sua própria existência e então, o leitor conhece um pouco sobre como era o mundo num passado muito distante do planeta (Terra) a qual Alvin vive:

“(…) as incontáveis religiões, em que cada um de seus membros afirmava, com inacreditável arrogância, ser o repositório exclusivo da verdade, enquanto milhões de rivais ou precursores estavam errados” (p. 107)

O Estado é laico

Há muitos outros aspectos em comum com essas duas obras, o que é uma descoberta interessante, com muitos planos a serem considerados, analisados e estudados, da vertente da Literatura Comparada e outros estilos de se fazer crítica literária. Mas, a atenção para essas duas frases é necessária por um ponto mais simples: a partir das discussões mais atuais na política do Brasil, em que vemos o desejo religioso querendo se impor num estado que, por lei, é laico

Ou seja, o governo, por uma regra implantada sabiamente desde que o nosso passado se mostrou terrível a usar bases religiosas no poder (Santa Inquisição, como exemplo), não pode usar conceitos religiosos para legislar, para dizer o que o seu povo deve ou não fazer, uma vez que religião é algo pessoal e intransferível.

Quando é que vamos evoluir?

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