Menina Má (William March)

Menina Má (William March): uma criança psicopata e as angústias de sua mãe

William March nasceu em 1893, nos EUA. Estudou Direito, foi soldado na Primeira Guerra Mundial e tornando-se escritor em 1933, quando publicou o seu primeiro romance, inspirado em sua própria experiência na guerra. O livro Menina Má foi publicado em 1954, quando o autor estava muito doente. Ele sofreu, ao longo da vida, diversos colapsos nervosos e chegou a ficar meses em um sanatório no sul dos EUA. No mesmo ano da publicação de Menina Má, um dos seus livros mais conhecidos até hoje, o autor William March morreu de um ataque cardíaco.

menina-ma-capa
Menina Má (William March) Compre com desconto naAmazon

Na biografia do autor, existem relatos de amigos afirmando as suas dificuldades em conviver em sociedade, devido à sua vida conturbada, principalmente em aspectos relacionados à família, relacionamentos amorosos e sexualidade.

O próprio autor afirmou diversas vezes que, por ter matado um homem na guerra, passou a ter problemas psicológicos, como histeria e desordens visuais.

Como escritor, ele ficou conhecido também nos meios literários, era um ótimo anfitrião, mas também uma figura misteriosa, perturbadora, obcecado pela vida sexual alheia e fascinado em espionar vizinhos e desconhecidos.

Mas sobre o que é o romance?

Menina Má é um romance de suspense, ambientado nos EUA, sobre uma criança psicopata e as angústias de sua mãe que descobre a maldade da filha, uma menina considerada educada, inteligente, mas também independente e gananciosa.

Rhoda Penmark é uma criança fria e manipuladora, precoce em diversos aspectos, não sente medo, não sente culpa, demonstra cobiça e uma enorme facilidade para mentir. A sua mãe, uma mulher que se considerava feliz e realizada, tem a vida transformada pela dúvida sobre a sua filha ser a causadora da morte de uma outra criança, um menino que ganhou uma medalha na escola por ter a melhor caligrafia do ano.

“(…) sem ver solução para as circunstância que a atormentavam, lhe parecia que o dia 7 de junho, dia do piquenique da Escola Primária Fern, fora o dia em que sentiu felicidade pela última vez, pois, desde então, nunca mais soubera o que era alegria ou paz.” (p. 21)

A Sra. Penmark, no início, não quer acreditar no que parece tão claro. Sozinha, pois o marido está viajando a trabalho, enfrenta a tarefa de descobrir provas sobre a maldade de sua filha, mas acaba descobrindo também aspectos do seu passado que, colocado como algo fundamental para compreensão da psicopatia da própria filha, também desvenda situações assustadoras de sua própria família.

A psicanálise

Quando o livro foi lançado, o tema psicanálise estava em evidência, então, o leitor pode perceber nas entrelinhas algumas ideias freudianas no livro e, a partir da conversa da Sra. Penmark com outros personagens (amigos de sua vizinha), irá conhecer histórias de outros assassinos em série e o final que eles tiveram.

Assim, a Sra. Penmark, fingindo que vai escrever um livro sobre o tema, busca uma solução para que sua filha não seja descoberta, ao mesmo tempo em que percebe que a tragédia já fora anunciada a muito tempo. Como mãe, ela quer proteger a filha, mas não percebe que também precisa se proteger dela.

No decorrer da história, outros crimes serão cometidos pela Menina Má, de jeitos diferentes, mas que deixam o leitor incomodado com tanta frieza.

“Rhoda nunca foi desobediente, preguiçosa ou petulante, como algumas crianças são. Ela tem tantas qualidades. Só tem esse probleminha; essa peculiaridade de caráter.” (. 137)

William March escreveu uma obra angustiante…

O que o livro mais tem de interessante, além da própria Rhoda, é a aflição constante de sua mãe, evidenciada de diversas maneiras, pelas cartas escritas ao marido, em seus pensamentos, em algumas atitudes e, principalmente nas conversas com os outros personagens, para tentar buscar nas entrelinhas uma solução para a sua própria angustia.

Para Sra. Penmark, conviver com a Rhoda não era ruim, mas conviver com a ideia de que sua filha poderia ser uma assassina fria, mesmo sendo tão angelical, é que causa medo, vergonha e uma angustia quase delirante sobre ser mãe e não conseguir se aproximar, verdadeiramente, da própria filha.

Portanto, a obra de William March, sendo uma história de suspense com pequenas pitadas de terror, é também uma obra muito sensível, que busca detalhar atitudes que justifiquem o desejo de manter em segurança atos horríveis cometidos por alguém que, aparentemente, é tão frágil.

Assista ao vídeo sobre o livro Menina Má no canal Livro&Café:

Onde comprar Menina Má (William March): Amazon

Imagem padrão
Francine Ramos
Editora da Livro&Café desde 2011. É professora de Língua Portuguesa e tenta ser escritora (um conto seu foi publicado na coletânea Leia Mulheres, em 2019). Acredita que os livros podem mudar o mundo e ama Virginia Woolf.

Assine nossa newsletter

Toda semana um resumo com os principais conteúdos da revista em seu e-mail!

4 comentários

  1. Achei o enredo muito parecido com o “Precisamos falar sobre o Kevin”. Você já leu? Achou parecido?

  2. Esse lançamento da DarkSide me instigou tanto que fui assistir ao filme para aplacar um pouco a minha curiosidade: não adiantou. Agora quero mais ainda saber como o autor desenvolveu a história!

  3. A frieza da Rhoda é uma parada muito, muito tensa. Gostei de como ela foi construída :)) E o LeRoy maluco? Outro doido, aheuaheuhae. Bjss

Deixe um comentário